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Pesquisa comprova que bactérias ajudam a produzir tilápias em sistema de bioflocos

Produtores também têm observado ganhos com relação a sanidade dos peixes

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

20/10/2025 - 19:15

BFT é desenvolvido em tanques que não ficam dentro de um curso d'água. Foto: Tainara Blatt/Embrapa
BFT é desenvolvido em tanques que não ficam dentro de um curso d'água. Foto: Tainara Blatt/Embrapa

Invisíveis a olho nu, as bactérias têm ajudado na produção de tilápias através do sistema de bioflocos (BFT). Os benefícios com essa tecnologia já eram conhecidos, mas ainda não estavam quantificados. Uma pesquisa recente da unidade Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) demonstrou os ganhos do BFT em sustentabilidade. 

O que é o sistema de bioflocos?

Diferente de outros sistemas, o BFT é desenvolvido em tanques que não ficam dentro de um curso d’água ou em um lago. São estruturas plásticas em que as bactérias e microrganismos do meio aquático são estimuladas.

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“É um sistema fechado, ou seja, que não precisa de troca de água. E o que a gente faz é uma biomodulação da comunidade bacteriana já existente no sistema aquático. A gente estimula o crescimento, principalmente, com essa relação de carbono e nitrogênio, e, com isso, é possível manter níveis de sólidos, que é um principal problema de matéria orgânica, e de compostos nitrogenados dentro da faixa de recomendação para a tilápia”, explica Hamilton Hisano, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, . 

Basicamente, dois grupos de bactérias são estimuladas ali: as heterotróficas e as quimiotróficas. As primeiras são responsáveis por controlar os níveis de matéria orgânica, ou seja, de carbono, no sistema. Já as outras vão regular os compostos nitrogenados. 

Redução em carga residual

A pesquisa mostrou que a criação em sistema de bioflocos reduz a quantidade liberada de nutrientes no meio, isto é, diminui a poluição residual com o cultivo da tilápia. No caso do carbono (indicador de matéria orgânica), para cada tonelada de peixe, foram liberadas 442,47 quilos. Se fosse em um sistema tradicional de tanques-rede, essa quantidade seria de 700 quilos.  

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Já o nitrogênio e o fósforo, também nutrientes residuais, tiveram redução mais significativa. O nitrogênio foi de 46,63 quilos por tonelada de tilápia, enquanto que, em um sistema tradicional, seria de 77,5 quilos. O fósforo teve uma carga de 10,24 quilos, abaixo dos 18,25 quilos observados nos tanques-rede. 

Como acrescentou o pesquisador, quando há um excesso desses dois nutrientes (conhecido como eutrofização), pode haver uma problema ambiental, já que eles funcionam como fertilizantes para o crescimento de algas. Esse desequilíbrio pode provocar a proliferação desenfreada das algas, afetando a entrada de luz na água e diminuindo o oxigênio daquele meio aquático. Da mesma forma, quando há um excesso de matéria orgânica, pode ocorrer essa perda de oxigênio na água. 

Sistema pode ajudar criadores a obter certificações. Foto: Tainara Blatt/Embrapa

Mais valor agregado 

O sistema de bioflocos pode ser utilizado em todo o processo de produção da tilápia, mas, na prática, não é tão viável, já que demanda consumo de energia elétrica. Por isso, a aposta de muitos criadores tem sido usar o BFT na fase de “recria” dos alevinos. A analogia com a produção bovina ajuda a esclarecer essa fase, já que há produtores que se especializaram na produção dos chamados peixes juvenis. 

Normalmente, esses alevinos entram no sistema com três a cinco gramas e saem com 20 a 30 gramas, em um prazo de aproximadamente 60 dias. Como contou Hisano, hoje já existem produtores de engorda da tilápia que compram esses juvenis de olho na diminuição do ciclo de produção e também na funcionalidade de conseguir aplicar vacinas, pois os animais estão em tamanhos mais adequados para isso. 

Mas um dos diferenciais dos juvenis criados em sistema de bioflocos é a imunidade na fase seguinte. “Tem muitos produtores de tanque-rede que fazem engorda que estão preferindo os peixes bioflocos, porque eles têm observado que esses peixes têm uma sobrevivência maior”, comentou o pesquisador. 

Isso acontece porque, nesse meio do BFT, os alevinos acabam se beneficiando e ingerindo bactérias probióticas, que ajudam no trato intestinal do peixe. Segundo o especialista, isso pode pode gerar um valor agregado nesses animais na hora de vender aos produtores de engorda. 

Além disso, o fato do sistema de bioflocos ter resultados no campo da sustentabilidade também pode favorecer produtores a obterem certificações. Hisano cita dois grupos: selos ambientais e também de produção orgânica. “A comunidade científica que trabalha com isso vem enxergando como um dos sistemas mais sustentáveis que a gente tem na aquicultura”, destacou.

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