Economia
Triangulação de café? Entenda a alta dos embarques do Brasil para Colômbia
Em meio a tarifas dos EUA, colombianos aumentaram em mais de 500% suas compras de café brasileiro
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
18/09/2025 - 05:00

O aumento das exportações brasileiras de café para a Colômbia, terceiro maior produtor mundial do grão, gerou questionamentos sobre uma possível triangulação do produto. As especulações ganharam força após dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostrarem que as compras colombianas cresceram 578% em agosto de 2025, ante o mesmo período do ano passado.
Na comparação anual, as exportações passaram de 16,6 mil para 112,9 mil sacas de 60 quilos. As teorias sobre triangulação surgem em um momento delicado, em que o café brasileiro enfrenta tarifas adicionais de 50% para ser exportado aos Estados Unidos. Em setembro, o Agro Estadão noticiou que a prática poderia ser adotada na tentativa de driblar as tarifas norte-americanas.
O diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, explica, porém, que esse aumento não indica uma triangulação. “A Colômbia produz apenas café arábica por decisão estratégica. Para abastecer sua indústria de café solúvel e liberar arábica para exportação, eles importam robusta do Brasil. É uma prática antiga, com histórico de compras ainda maiores em anos anteriores”, afirma Bonfá.
Dados compilados pela consultoria mostram que, além do robusta, a Colômbia já importou no passado até 975 mil sacas de café arábica do Brasil. Para o especialista isso mostra que o movimento atual não é excepcional. “O Brasil possui variedades que se assemelham ao café colombiano, o que facilita o fornecimento para a indústria local. No passado, inclusive, o café brasileiro já foi transformado e exportado como colombiano porque lá a saca é de 70 quilos, então, eles usavam os nossos grãos para complementar, mas, claro, não era algo aberto”, aponta.
Outro fator que fortalece o movimento é a competitividade do café brasileiro que tem um preço inferior comparado à outros grandes produtores. “Eles [Colômbia e outros países] usam o nosso café, que é mais barato, e vendem o deles, que é mais caro. Com isso, eles fortalecem o próprio mercado”, explicou.
No caso do robusta, dados do dia 10 de setembro, apontam para negociação de US$ 4,562 por tonelada para compra do grão do Brasil, ante US$ 4,856 do produto do Vietnã — segundo maior produtor mundial de café e o maior produtor de café Robusta.
Café robusta (FOB em US$/tonelada)
| Compra | Venda | |
| Brasil – conilon 13 FOB Vitória (ES) | 4562,28 | 4584,32 |
| Vietnã – conilon grade 1 – FOB Ho Chi Minh City | 4856,00 | 4856,00 |
Fonte: elaborado por Pharos Consultoria
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