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Economia

Produção gaúcha de azeite de oliva projeta retomada em 2026

Setor aposta em clima favorável e manejo para superar duas safras consecutivas com perdas após recorde obtido em 2023

Nome Colunistas

Mônica Rossi | Esteio (RS) | monica.rossi@estadao.com

02/09/2025 - 18:15

Foto: Prosperato/Divulgação
Foto: Prosperato/Divulgação

O Rio Grande do Sul, que concentra cerca de 80% da produção nacional de azeite de oliva, produziu 190,3 mil litros em 2025, número muito próximo dos 193,15 mil litros de 2024, porém bem inferior ao recorde de 580,2 mil litros, alcançado em 2023. Para a próxima safra, os números devem ser melhores, segundo a expectativa do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).

A frustração das últimas duas colheitas foi causada principalmente pelas condições climáticas adversas, como excesso de umidade que prejudicou a floração e polinização das oliveiras no Estado, além do calor excessivo do último verão. A entidade tinha como objetivo, até o início do ano passado, atingir 1 milhão de litros produzidos em 2026, o que corresponderia a apenas 1% do consumo no Brasil. Com os baixos resultados de 2024 e 2025, essa meta foi adiada.

CONTEÚDO PATROCINADO
azeite de oliva na Expointer
Foto: Artur Chagas/AgroEffective

Atualmente, o Brasil cultiva 10 mil hectares de oliveiras, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Metade dos olivais já estão com capacidade plena para produzir. Cada planta leva, em média, três anos para entrar em produção. Os dados do cenário da olivicultura no país foram apresentados pelo presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho nessa segunda-feira, 01, na 48ª edição da Expointer, em Esteio (RS). 

Na expectativa de uma boa floração

Conforme o presidente do Ibraoliva, o maior entrave para desenvolvimento da olivicultura no País está no baixo investimento em pesquisa aplicada. “No início, a Embrapa nos ajudou. Hoje, temos produtores desenvolvendo suas próprias pesquisas, queremos buscar parcerias público-privadas, as universidades e reunir os dados que já existem. Temos variedades gregas que são arbustos adaptados com a baixa umidade de lá, mas aqui choveu três vezes mais do esperado. Então, as oliveiras crescem, dão folhas e tronco, mas nada do fruto”, explicou Flávio.

Essa foi a realidade em parte dos olivais da Prosperato Azeites em 2025, uma das maiores no setor. A quebra na colheita chegou a 35% por cento. Ao Agro Estadão, o diretor da empresa, Rafael Marchetti, explicou que, para a safra 2026, o cenário climático está, até agora, mais favorável, já que o inverno deste ano foi mais rigoroso, o que ajudou a atrasar um pouco mais a floração das oliveiras. Isso é importante porque historicamente o mês de setembro no RS é muito chuvoso. Nos últimos dois anos, com menos dias frios, a floração aconteceu junto com as chuvas e atrapalhou o desenvolvimento dos frutos. 

azeite de oliva ; olivicultura; oliveiras; abelha; floração da oliveira
Foto: Prosperato/Divulgação

“A gente tem grandes expectativas de que seja uma safra, com certeza, melhor do que as anteriores. Porque o nosso desafio, o desafio da olivicultura brasileira, mas principalmente gaúcha, é passar esse período de chuvas abundantes de setembro. A gente tem só esse desafio para ser vencido porque, até o momento, as árvores têm floração muito abundante, o que mostra o potencial da cultura”, afirma. Marchetti ainda explica que o manejo correto das plantas também pode ajudar a atrasar a floração.

Apesar de otimista, o olivicultor, um dos pioneiros em desenvolver mudas mais adaptadas ao clima brasileiro, ainda não arrisca uma projeção de números para o próximo ano. “Até o momento, a gente está com a expectativa muito boa, mas questão de previsão, de números mesmo, acho que ali por novembro a gente já consegue ter. Precisamos esperar a floração para poder estabelecer”.

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