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Economia

Produção de oliveiras pode ter quebra de até 40% no Brasil

Maior redução deve ocorrer em olivais gaúchos, mas setor está confiante na qualidade da nova safra

Paloma Custódio | Brasília e Mônica Rossi | Porto Alegre

28/02/2025 - 08:00

Foto: Prosperato/Divulgação
Foto: Prosperato/Divulgação

Produtores de azeite estimam uma quebra de 30% a 40% da safra de oliveiras. Ao Agro Estadão, o diretor da Prosperato Azeites, Rafael Marchetti, atribui a estimativa aos efeitos climáticos, como o excesso de chuvas que atingiu o estado gaúcho no primeiro semestre de 2024. “É um cenário bem semelhante para os outros produtores que temos conversado, não só daqui do Sul, mas também do Sudeste”, disse à reportagem.

Outro problema climático destacado por Rafael Marchetti são as altas temperaturas que estão ocorrendo durante a colheita, o que está dificultando os trabalhos no campo. “A questão do calor é um problema, mas a seca, especificamente, não. Pela qualidade do azeite, não é bom ter chuvas tão frequentes durante a colheita. Claro que, de vez em quando, uma chuvinha pouca não faz mal, porque ajuda a diminuir a temperatura, já que colhemos em uma época bem quente”, pondera. A colheita na região de Caçapava do Sul, onde estão os maiores olivais da Prosperato, começou em 10 de fevereiro.

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Já o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, afirma que o inverno de 2024 não foi tão frio quanto a cultura precisava no início do plantio, o que influenciou na quebra da safra. 

Em março, vai ocorrer a Abertura Oficial da Colheita da Oliva. O evento será realizado, no dia 7, em Cachoeira do Sul, na região central gaúcha. “A expectativa para este ano era produzir até 800 mil litros de azeite no país, mas sendo otimista, chegaremos a 60% desse número”, complementa Fernandes. O Rio Grande do Sul é responsável por 75% da produção nacional de azeite de oliva.

Foto: Seapi/Divulgação

Deriva do herbicida 2,4-D 

Além das condições climáticas, o presidente do Ibraoliva, Renato Fernandes, destaca que a deriva causada pelo herbicida 2,4-D nos olivais do Rio Grande do Sul é outro fator decisivo para a quebra da safra. O problema ocorre quando o produto é carregado pelo vento para áreas fora da lavoura alvo, podendo causar danos às culturas vizinhas e ao meio ambiente.

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“Foi justamente na floração, em setembro [de 2024], quando as flores estavam plenas em todos os olivais do estado, que muitas regiões foram atingidas”, conta. Ele acrescenta que uma audiência pública deve ser realizada na Assembleia Legislativa gaúcha, no próximo mês, para expor o caso e pressionar as autoridades a tomarem providências. 

Embora o herbicida 2,4-D seja importante para as culturas de soja e milho, principalmente, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) destaca que a indústria fabricante pode ter uma participação mais ativa nos diálogos em busca de soluções para o problema. 

Em 2019, a Seapi publicou duas Instruções Normativas (INs) com diretrizes para orientar o produtor rural sobre o uso correto de herbicidas. A previsão é que as normas entrem em vigor em todo o estado em janeiro de 2026. Até lá, alguns municípios ainda não são obrigados a cumprir todas as exigências das INs, como, por exemplo, a oferta de cursos de aplicadores de herbicidas hormonais.

A Seapi reforça que “tem fiscalizado, feito orientação, dedicado recursos para os cursos de aplicadores de herbicidas hormonais e aprimorado os sistemas de monitoramento, mas é necessário o engajamento de todos”.

Foto: Ibraoliva/Divulgação

Preço e qualidade do azeite devem continuar em alta

O mercado brasileiro é basicamente abastecido por azeites de outros países. A produção nacional representa menos de 0,5% do volume importado. Portanto, segundo o diretor da Prosperato, apesar de o azeite brasileiro ter muita qualidade, “não temos volume para impactar nos preços para o consumidor médio brasileiro”. 

Segundo ele, a questão do aumento de preços do produto nos últimos anos tem relação direta com as duas últimas safras ruins que aconteceram na Europa, principalmente na Espanha, maior produtora de azeites do mundo. “Eu estive agora na última safra deles, em novembro, eles estão com uma expectativa muito boa de recuperação. Mas não é uma coisa da noite para o dia. Não é no primeiro ano de boa safra que isso se recupera”, estima.

Em relação à qualidade do produto extraído este ano, os olivicultores afirmam que será de excelência. “Apesar do baixo volume esperado, a qualidade deve se manter como nos outros anos. A seca que temos nessa época é propícia para preservar a qualidade das azeitonas durante a extração do azeite. Colhendo no ponto de maturação correto, conseguimos obter maior quantidade de polifenóis e azeites com aromas mais complexos”, explica Marchetti. Para o Ibraoliva, esta safra deve produzir azeites premiados. “Como houve em safras anteriores que foram mais difíceis, a qualidade do azeite aumenta e a prova disso são as premiações alcançadas! Certamente, teremos grandes azeites este ano de novo”, projeta Fernandes.

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