Economia
Mercado pecuário exige equilíbrio entre venda e reposição; entenda
Consultoria Markestrat indica cenário favorável a negociações imediatas, mas alerta para atenção às margens de lucro
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
18/08/2025 - 18:35

Após dias de recuo, o mercado do boi gordo segue valorizado no físico, sustentado por demanda externa aquecida e escalas de abate mais curtas. No entanto, o avanço dos preços do bezerro pressiona o custo de reposição e obriga o pecuarista a buscar um equilíbrio entre vender agora ou segurar animais.
Segundo a Markestrat, em uma semana, o custo da reposição subiu de R$ 2.815,56 para R$ 2.878,24 — alta de 2,23%. Ainda que no acumulado mensal o índice registre leve queda de 0,05%, os especialistas indicam que o cenário abre espaço para negociação no curto prazo. “O momento favorece negociações imediatas para quem dispõe de animais prontos, mas requer atenção à volatilidade e ao equilíbrio entre venda e reposição para preservar margens”, salientam em relatório.
Além da pecuária, Markestrat destaca movimentos em outras cadeias
Na última semana, o café registrou forte valorização, tanto no arábica quanto no robusta, com altas expressivas no físico e nos futuros. De acordo com os analistas, o cenário reflete a combinação de restrição de oferta e ajustes técnicos que sustentaram a escalada dos preços. “O momento favorece o produtor na negociação, mas exige cautela frente à volatilidade e possíveis ajustes técnicos após ganhos tão acentuados”, alerta a consultoria.
Já no algodão, houve leve recuperação nos contratos futuros, com variação entre 1,12% e 1,24% na última semana. Já o mercado físico manteve retração, acumulando -0,30% na semana e -3,20% no mês. O cenário, conforme a Markestrat, favorece negociações pontuais, mas pede atenção à gestão de estoques.
Outra cadeia que mostrou reação foi o açúcar. Estoques reduzidos e demanda aquecida sustentam altas no etanol e recuperação nos preços futuros da commoditie. Para o curto prazo, a tendência é de valorização, especialmente para usinas e produtores com disponibilidade imediata de produto.
Enquanto isso, a laranja manteve firmeza no mercado físico e registrou recuperação relevante nos futuros do suco, refletindo expectativas de oferta mais restrita. Apesar da melhora semanal, no acumulado do mês os preços ainda mostram dificuldade em se recuperar — o vencimento para janeiro de 2026 apresenta baixa expressiva de 22%.
Diante do cenário de incertezas, as negociações para contratos da safra 2025/26 avançam lentamente, o que, de acordo com a consultoria, mantém o produtor em posição estratégica para avaliar oportunidades de curto prazo e aproveitar a volatilidade a seu favor.
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