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Economia

Alta dos juros pode pressionar cadeias de proteínas, diz consultoria

Confira outros impactos ao agronegócio da decisão do Comitê de Política Monetária, que elevou a taxa de juros em 11, 25% ao ano

Nome Colunistas

Fernanda Farias | Porto Alegre | fernanda.farias@estadao.com

07/11/2024 - 16:52

Foto: Adobe Stock
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Em comunicado, o Copom diz que essa decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta” e que o cenário “exige cautela por parte dos países emergentes”.

Segundo o Comitê, as expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,6% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,6% no cenário de referência.

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De acordo com a consultoria Markestrat, a decisão já era esperada pelo mercado e busca mitigar os impactos da política fiscal “exigindo do governo uma política crível e concreta de controle de gastos públicos para conter a inflação e a volatilidade cambial”. A consultoria estima que o ciclo de alta deve seguir durante 2025, impulsionado pela pressão cambial e pela persistência inflacionária.

Efeito Trump na taxa de juros

Embora o comunicado do Copom não cite diretamente a volta de Donald Trump à Casa Branca, deixa claro que a economia norte-americana é uma das principais preocupações. 

“O ambiente externo permanece desafiador, em função, principalmente, da conjuntura econômica incerta nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed”, diz o texto.

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Como os juros impactam o agronegócio

Na avaliação da Markestrat, “a alta dos juros impacta diretamente os custos financeiros e operacionais, reduzindo a capacidade de investimento e competitividade do setor”.  Com isso, o custo do crédito aumenta, o que pode limitar investimentos em novas tecnologias, por exemplo. 

Porém, a alta dos juros tende a valorizar o real, o que contribui para a redução dos preços de insumos e matérias-primas importadas, dizem os especialistas. “No entanto, um real mais forte reduz a competitividade das commodities agropecuárias no mercado global, tornando-as mais caras e potencialmente reduzindo as receitas de exportação, o que pressiona as margens de lucro do setor. Esse efeito pode ser atenuado com a possível mudança nos fluxos comerciais, em função das políticas protecionistas do recém-eleito presidente Donald Trump”, completa a Markestrat.

Outro impacto negativo apontado pelos consultores é a pressão sobre cadeias de consumo doméstico, como as de proteínas animais (carnes, ovos e leite), cujo consumo pode diminuir devido à perda de poder de compra da população. “Isso reduz a demanda, pressionando os preços e margens do setor”, diz a análise.

A elevação dos juros também desestimula a criação de empregos no agronegócio, devido ao aumento dos custos financeiros e dificultando o crescimento.

“A combinação de custos financeiros e de produção mais altos com uma demanda menor pressiona as margens de lucro de produtores e empresas do setor. Para empresas, esse cenário pode resultar em uma redução nas compras de insumos, afetando toda a cadeia de fornecimento agropecuário”, avalia.

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