Economia
Como é produzido o azeite de oliva?
Do cultivo ao engarrafamento, entenda como o Brasil está expandindo a produção de azeite de oliva e conquistando reconhecimento internacional
Redação Agro Estadão*
18/11/2024 - 08:37

O azeite de oliva, considerado um dos produtos mais nobres da gastronomia, vai além de um ingrediente sofisticado: ele representa uma oportunidade de diversificação para o agronegócio brasileiro, impulsionando a economia rural.
Segundo dados oficiais da Embrapa e do Instituto Brasileiro de Olivicultura (IBRAOLIVA), atualmente o país possui mais de 6,5 mil hectares de área plantada com oliveiras, distribuídos principalmente entre os estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo.
Entre eles, o Rio Grande do Sul se destacou com 75% da produção nacional em 2023, revelando o potencial de expansão e as vantagens para o agricultor que investe nesse setor.
O cultivo das oliveiras
O cultivo das oliveiras exige condições específicas de solo e clima, sendo as regiões de clima subtropical as mais adequadas, como o Sul e algumas áreas de Minas Gerais e São Paulo.
As oliveiras prosperam em solo bem drenado, com pH levemente alcalino (6 a 8) e uma temperatura ideal entre 15°C e 25°C.
A resistência ao clima seco e frio permite que as oliveiras se adaptem a regiões como o Rio Grande do Sul, onde os invernos tendem a ser moderadamente frios e os verões, ensolarados.
No Brasil, destacam-se variedades de oliveiras como Arbequina, Arbosana e Koroneiki, cada uma com características específicas para a produção de azeite.
A Arbequina, por exemplo, é conhecida pela adaptabilidade e pelo rendimento, enquanto a Koroneiki destaca-se pela alta concentração de antioxidantes, valorizada por seus benefícios à saúde.

Como o azeite de oliva é produzido?
A produção de azeite de oliva é um processo detalhado que exige cuidado em cada etapa para garantir um produto final de alta qualidade.
Colheita
A colheita das azeitonas é o primeiro passo para a produção do azeite. No Brasil, ocorre entre os meses de fevereiro e abril, sendo que o momento ideal é determinado pela maturação das azeitonas. Ou seja, quando elas estão entre o verde e o roxo escuro, o que garante equilíbrio entre sabor e nutrientes. Existem dois métodos principais de colheita:
- Colheita manual: Esse método tradicional é preferido em pequenos e médios olivais, pois oferece um maior controle da qualidade, permitindo a escolha dos frutos ideais. Embora seja mais trabalhosa e demorada, a colheita manual minimiza danos ao fruto e preserva sua integridade, fator essencial para a produção de azeite de alta qualidade.
- Colheita mecanizada: Com uso de equipamentos específicos, a colheita mecanizada acelera o processo e reduz custos, sendo a melhor opção para grandes olivais. No entanto, essa técnica requer maquinário especializado para evitar danos às árvores e aos frutos, já que a qualidade das azeitonas impacta diretamente a qualidade do azeite.
Processamento
Assim que as azeitonas são colhidas, inicia-se o processamento. E essa etapa precisa ocorrer em até 24 horas após a colheita para evitar a oxidação e preservar o frescor do azeite. O processamento é dividido em várias fases:
Limpeza
Nessa fase inicial, as azeitonas são cuidadosamente lavadas para remover impurezas, como folhas, galhos e poeira. A qualidade do azeite pode ser comprometida por resíduos externos, então essa etapa é crucial para garantir a pureza do produto final.
Trituração
As azeitonas inteiras, incluindo os caroços, são trituradas em moinhos de pedra ou em trituradores metálicos, formando uma pasta homogênea. Essa pasta é a base do azeite, pois o processo libera o óleo das células da azeitona.
Tradicionalmente, eram usados moinhos de pedra, que foram substituídos por trituradores modernos que controlam a temperatura para evitar o superaquecimento.
Amassamento da pasta (Malaxagem)
Após a trituração, a pasta é suavemente amassada em tanques especiais, um processo que une as pequenas gotas de óleo, facilitando a extração posterior.
Durante a malaxagem, é fundamental manter a temperatura controlada, sempre abaixo de 27°C, para garantir a extração a frio e preservar o sabor e os antioxidantes do azeite.
Extração
A extração do azeite da pasta pode ser realizada de duas formas principais:
- Prensagem a frio: Método tradicional em que a pasta de azeitona é pressionada, liberando o azeite. A prensagem a frio mantém o azeite em temperaturas controladas, o que preserva o sabor, o aroma e a qualidade nutricional do óleo.
- Centrifugação: Atualmente, a maioria dos produtores utiliza a centrifugação, um método que separa o óleo da água e dos sólidos por força centrífuga. Esse método é eficiente e rápido, além de permitir um maior controle de temperatura, fator importante para manter as propriedades organolépticas do azeite.
Decantação e filtragem
Após a extração, o azeite passa pelo processo de decantação, onde é deixado em repouso para que as partículas sólidas remanescentes se separem naturalmente do líquido. Em alguns casos, realiza-se uma filtragem adicional, que remove impurezas e resíduos.
Embora a filtragem deixe o azeite visualmente mais claro, ela pode reduzir compostos aromáticos e nutricionais, por isso muitos produtores optam por azeites não filtrados, que mantêm o perfil natural e encorpado do produto.
Armazenamento e engarrafamento

Após a extração e filtragem, o azeite de oliva é transferido para tanques de aço inoxidável, onde é armazenado em temperatura controlada e protegido da luz e do oxigênio para evitar a oxidação, que poderia comprometer o sabor e a qualidade nutricional.
O engarrafamento é realizado em garrafas escuras ou latas opacas, materiais que bloqueiam a luz e ajudam a preservar as propriedades do azeite.
A embalagem é selada hermeticamente para evitar contato com o ar, garantindo que o consumidor receba um produto fresco e com todos os benefícios preservados.
Por fim, o azeite é classificado em categorias como “extravirgem”, “virgem” e “azeite comum”, com base em critérios de qualidade e acidez.
O azeite extravirgem é o de maior qualidade, com acidez máxima de 0,8% e extraído apenas por processos mecânicos, sem uso de calor ou solventes químicos.
Desafios e oportunidades para produtores rurais
O cultivo de oliveiras e a produção de azeite no Brasil enfrentam alguns desafios importantes:
- Mudanças climáticas: Fenômenos climáticos extremos, como secas prolongadas e geadas, afetam a produtividade.
- Pragas: A mosca-da-azeitona é uma das pragas mais prejudiciais, exigindo práticas de manejo integrado para reduzir os danos.
- Necessidade de inovação tecnológica: Implementar tecnologias de precisão para monitoramento do solo e condições climáticas auxilia no aumento da produtividade e na qualidade do azeite.
Em contrapartida, há um crescimento significativo na demanda por azeites de alta qualidade e produtos orgânicos, o que cria oportunidades de mercado para pequenos e médios produtores investirem na olivicultura e expandirem sua atuação no mercado nacional e internacional.
A qualidade dos azeites brasileiros, inclusive, tem recebido reconhecimento internacional. Em 2024, segundo o guia Flos Olei, considerado a principal publicação mundial do setor, 12 marcas brasileiras foram incluídas entre os 500 melhores azeites do mundo, um aumento significativo em relação às nove marcas listadas em 2023.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Coamo amplia armazenagem com a compra de quatro unidades no Paraná
As unidades, em Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso, no norte do Estado, passam a integrar estrutura operacional da cooperativa
Economia
Exportadores encerram 2025 com prejuízo logístico de R$ 66,1 mi, diz Cecafé
Valor é referente a cargas que deixaram de ser embarcadas por causa de problemas nos portos; só em dezembro, foram 1.475 contêineres
Economia
Bancos podem entrar na mira do TCU em auditoria sobre venda casada
Processo pode abrir inspeção sobre recursos do Plano Safra e auditar também a transparência na aplicação de taxas e encargos
Economia
Exportação agrícola argentina atinge recorde de 115,4 milhões de t em 2025
Volume representa um crescimento de 12% em relação ao ano anterior; em receita, o setor registrou avanço de 9%, totalizando US$ 52,3 bilhões
Economia
Balança comercial tem superávit de US$ 252 milhões na 4ª semana do ano
Agropecuária registra o maior crescimento, de 16,2%, e soma R$ 3,20 bilhões; MDIC espera saldo entre R$ 70 bi e R$ 90 bi até o fim do ano
Economia
Exportações chinesas de fertilizantes fosfatados são as menores em 12 anos
Dados são de levantamento da StoneX; redução do volume mantém preços firmes e exige cautela no planejamento de compras no Brasil
Economia
China bate recorde na produção de grãos com 714,9 milhões de toneladas
Produção chinesa foi 8,4 milhões de toneladas maior em 2025, apesar de adversidades climáticas nas regiões produtoras
Economia
Abrafrigo: embarques de carne bovina em 2025 alcançam 3,853 mi de t
De acordo com o MDIC, receita cambial avançou 39,80%, para US$ 18,365 bilhões, ante US$ 13,136 bilhões em 2024