Economia
Primeira viagem da Transnordestina será em outubro, diz ANTT
Agência Nacional de Transportes também vê entraves jurídicos da Ferrogrão superados abrindo caminho para avanço do leilão em 2026
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
10/09/2025 - 16:01

Após 10 anos de obras, a ferrovia Transnordestina fará sua primeira viagem no próximo mês. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 10, pelo o superintendente de transporte ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner.
“Já temos 680 quilômetros prontos e estamos concluindo a verificação técnica para autorizar a primeira viagem em outubro. A Transnordestina é um divisor de águas para o escoamento da produção agrícola do Nordeste e vai oferecer uma alternativa logística muito mais eficiente para os produtores”, destacou Baumgartner durante o Fórum Geopolítica e Logística. O trecho mencionado liga Eliseu Martins (PI) até o início do Ceará.
Quando estiver concluída, a Transnordestina terá 1,2 mil quilômetros de extensão, ligando o Piauí ao porto de Pecém no Ceará. Para efeito de comparação, a ferrovia terá a mesma dimensão da ligação ferroviária entre Lisboa e Paris, atravessando Portugal e boa parte da França. “É importante ter noção do tamanho do Brasil. Uma ferrovia como a Transnordestina tem a mesma escala de obras que unem países inteiros na Europa. Esse é o desafio da logística brasileira e também a oportunidade de transformar nossa matriz de transporte”, observou o superintendente.
Em julho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o incremento de mais R$ 1,4 bilhão para a finalização da ferrovia. Ao todo, já foram investidos R$ 8,2 bilhões, e o orçamento total da obra é de R$ 15 bilhões.
Ferrogrão
Além da Transnordestina, Baumgartner destacou outros projetos estruturantes, como a Ferrogrão, que terá leilão previsto para 2026 e deve ligar o Mato Grosso a Miritituba (PA). A ferrovia deve encurtar distâncias e reduzir custos para o transporte de grãos do Centro-Oeste.
“Hoje, o produtor brasileiro enfrenta uma média de 1,2 a 1,5 mil quilômetros até chegar ao porto. Na Argentina, essa distância é de 300 a 400 quilômetros. Precisamos mudar essa realidade, e a Ferrogrão é uma resposta concreta a esse desafio”, afirmou.
De acordo com o superintendente, a visão da área jurídica da ANTT é de que as questões que travavam o projeto já foram superadas. Conforme noticiou o Agro Estadão, o projeto está parado no Supremo Tribunal Federal há três anos. “Muito se falou sobre o licenciamento da Ferrogrão, mas, com a mudança de traçado e ajustes ambientais, não há mais impedimentos para que o processo avance. O próximo passo é manter o cronograma para que o leilão ocorra no prazo previsto”, disse.
Custo logístico da soja
Durante o evento, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Maurício Buffon, reforçou a urgência de destravar os gargalos logísticos do país. Ele reforçou que a falta de infraestrutura encarece significativamente a competitividade brasileira frente aos concorrentes. “Pagamos um preço alto por uma série de atrasos que encarecem demais o chamado custo Brasil. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos gastam cerca de 40% do que nós gastamos em logística de soja, enquanto a Argentina chega a 60%. Ou seja, já partimos com um deságio de quase 50% só no frete”, destacou Buffon.
O dirigente lembrou ainda que aproximadamente 30% do custo total da soja no Brasil está relacionado ao transporte. “É um peso enorme para o produtor, que reduz nossa competitividade global. Se tivéssemos feito o dever de casa em infraestrutura há anos, não estaríamos enfrentando os mesmos entraves hoje. Precisamos avançar, porque o setor produtivo não aguenta mais carregar essa ineficiência”, completou.
O primeiro Fórum Geopolítica e Logística é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em parceria com a Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), e a Aprosoja Brasil.
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