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Economia

Preço do leite cai 19% em um ano; setor cobra ação contra produto importado

Importação de leite em pó do Mercosul pressiona produtores brasileiros e ameaça a autossuficiência do país em 2026

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Redação Agro Estadão

30/10/2025 - 10:40

As importações de leite em pó aumentaram 20% em setembro, totalizando 198 milhões de litros. Foto: Adobe Stock
As importações de leite em pó aumentaram 20% em setembro, totalizando 198 milhões de litros. Foto: Adobe Stock

O setor leiteiro enfrenta uma das piores crises dos últimos anos. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o preço médio do leite cru caiu 19% em um ano, atingindo R$ 2,44 por litro em setembro. A desvalorização é resultado do excesso de oferta interna e aumento das importações de leite em pó, sobretudo da Argentina e do Uruguai.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) atribui a crise à “importação desleal” de lácteos do Mercosul. O presidente da entidade, João Martins, afirmou que mais de um milhão de produtores de leite, em sua maioria pequenos empreendedores rurais, estão em situação crítica.

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“Isso significa perda de renda no campo, propriedades ameaçadas e risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite”, disse. “Agora é hora de agir com responsabilidade e sensibilidade. Precisamos combater práticas ilegais de comércio”, complementou Martins.

Em agosto, a CNA, representantes do setor e parlamentares se reuniram com o Ministério para questionar a decisão do governo de não aplicar direitos antidumping provisórios contra o leite em pó importado do Mercosul. A entidade protocolou o pedido de investigação em 2024, mas foi surpreendida pela negativa do ministério.

No mesmo tom, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, manifestou apoio à mobilização em defesa dos produtores. “Há dois anos enfrentamos problemas com a importação de leite. Esses produtos chegam ao país com custo menor, de forma não muito clara, o que prejudica o pecuarista. A maioria dos nossos produtores tem de 20 a 50 cabeças de gado, é gente de sobrevivência. Estamos junto com a CNA, com outras federações, para pressionar o Congresso Nacional e mudar essa situação”, afirmou Meirelles.

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Perda de rentabilidade e poder de compra no campo

De acordo com o Cepea, a produção de leite no país cresceu 12,2% neste ano, impulsionada por boas condições de pastagem e investimentos feitos em 2024. As importações aumentaram 20% em setembro, totalizando 198 milhões de litros equivalentes, enquanto o consumo doméstico segue estável. 

O resultado é um mercado saturado e margens cada vez mais estreitas para produtores e indústrias. “Essa abundância de oferta tem mantido o mercado saturado. A produção segue em alta e sem sinais de desaceleração no curto prazo, enquanto o consumo permanece incapaz de crescer no mesmo ritmo”, diz o Cepea.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) subiu 5,8% de agosto para setembro, indicando forte expansão da oferta. O Custo Operacional Efetivo (COE) do produtor caiu 0,9% em setembro, mas a redução é pequena diante da queda dos preços. Em média, são necessários 26,5 litros de leite para comprar um saco de 60 kg de milho, alta de 5,4% em relação a agosto — o que indica perda de rentabilidade e poder de compra no campo.

Especialistas do centro de pesquisas alertam que, se o cenário persistir, o país pode registrar queda na produção e aumento da dependência externa em 2026.

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