Economia
Brasil supera os EUA e assume liderança na produção mundial de carne bovina
Relatório do USDA mostra liderança inédita do Brasil em 2025, em meio a mudanças no ciclo pecuário dos EUA; para 2026, no entanto, há novas alterações
Redação Agro Estadão
17/12/2025 - 11:04

O Brasil já é o maior exportador mundial de carne bovina, porém, em 2025, o País ocupará ainda o posto de principal produtor da proteína vermelha, superando os Estados Unidos em volume total produzido. O marco inédito aparece nas estimativas recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
De acordo com o USDA, o Brasil deve encerrar este ano uma produção estimada em 12,35 milhões de toneladas. Enquanto isso, os Estados Unidos — historicamente, o maior produtor global de carne bovina — ficam em 11,81 milhões de toneladas. O avanço brasileiro ocorre em um ano de produção recorde, ao mesmo tempo em que o rebanho norte-americano enfrenta restrições do ciclo pecuário.
Produção de carne bovina – Brasil X EUA
(1.000 toneladas – equivalente carcaça)
| País | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025* | 2026* |
| Brasil | 9,750 | 10,350 | 10,950 | 11,850 | 12,350 | 11,700 |
| EUA | 12,734 | 12,890 | 12,287 | 12,291 | 11,814 | 11,712 |
*estimativa
Fonte: USDA – Livestock and Poultry: World Markets and Trade (09/dez/2025)
Produção em 2026
Em princípio, o marco brasileiro, no entanto, é pontual: as projeções para 2026 indicam queda da produção nacional e a retomada da liderança pelos norte-americanos, segundo o relatório ‘Pecuária e aves: mercados e comércio mundial’, divulgado nesta semana.
Para 2026, a produção brasileira é projetada em 11,7 milhões de toneladas — uma queda de 5% em relação ao recorde de 2025. Já os Estados Unidos, mesmo com redução de 1%, devem produzir 11,71 milhões de toneladas, retomando a primeira posição, ainda que por margem mínima.
Segundo o USDA, a retração no Brasil está diretamente ligada à redução do abate de fêmeas, estratégia adotada pelos pecuaristas para retenção de matrizes e recomposição do rebanho — um movimento clássico de virada do ciclo pecuário. Movimento semelhante é observado na Austrália, outro grande exportador, que também reduz o abate para preservar o plantel reprodutivo.
Comércio global de carnes entra em fase de ajuste
O relatório do USDA aponta ainda que, após um crescimento expressivo em 2024 e 2025, o comércio global de carnes entrará em desaceleração em 2026. As exportações mundiais de carne bovina e suína devem cair, enquanto apenas o frango mantém trajetória de alta, alcançando nível recorde.
A leitura do órgão norte-americano é que o mercado global passou por mudanças importantes desde 2019. Naquele período, surtos de peste suína africana reduziram drasticamente a produção chinesa de carne suína, impulsionando o comércio internacional e fazendo a carne de porco superar a bovina em volume negociado nos anos de 2020 e 2021.
Já em 2022 e 2023, a retração da demanda chinesa por carne suína levou a uma queda no comércio mundial de carnes, movimento que só foi parcialmente compensado pelo avanço da carne bovina e de frango.
Nos anos seguintes (2024 e 2025), a combinação de menores custos de ração e menos surtos sanitários relevantes voltou a estimular as exportações globais, com destaque para o aumento das importações de carne bovina pelos Estados Unidos.
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