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Economia

Pescado na Semana Santa: vendas devem crescer 15%

Mesmo com pico de vendas na Quaresma, pescado tem se tornado cada vez mais comum na mesa dos brasileiros; piscicultura cresceu 53% na última década

4 minutos de leitura

28/03/2024 | 08:30

Por: Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadão.com

Pescados
Foto: Adobe Stock

A Semana Santa é conhecida por haver um pico na procura de pescado e neste ano não deve ser diferente. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Carlos Mello, esse crescimento pode chegar a 15% em relação ao ano anterior, já que os números ainda não estão consolidados. 

“O setor produtivo está otimista e comentam sobre uma expectativa de aumento nas vendas, na ordem de 10% a 15%. Com relação aos valores reais de consumo e vendas, efetivamente só saberemos após a consolidação dos resultados”, revelou Mello ao Agro Estadão

Quando o olhar é com relação ao período da Quaresma, a expectativa da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) é de um consumo na casa de 350 mil toneladas de pescados, sendo a soma da aquicultura, da pesca e da importação. Apesar disso, na avaliação do diretor da entidade, os últimos anos vêm demonstrando que a diferença de consumo entre a Quaresma e os demais períodos do ano já não é tão grande como antes.   

“O que a gente tem percebido é que nos últimos dez anos também está acontecendo uma migração dessa questão do consumo de pescado somente na quaresma. Antigamente você tinha altos picos de consumo na quaresma e após, praticamente era inexistente”, contou Jairo Gund, diretor executivo da Abipesca, ao Agro Estadão.

O cenário positivo também é esperado pela Associação Brasileira dos Supermercados (ABRAS).  A entidade prevê que 26% das famílias do Brasil terão consumido peixe fresco ou congelado (tilápia e tambaqui, por exemplo) ao fim da Quaresma e 12,9% devem preferir o bacalhau.

Piscicultura cresceu 53% nos últimos 10 anos 

 Os números da piscicultura no Brasil mostram um crescimento médio acima de 5% a cada ano nos últimos 10 anos. Esse resultado coloca a piscicultura como a atividade de proteína animal que mais se desenvolve, , segundo os representantes do segmento. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros, os números são impulsionados pelo aumento no consumo.  

“A proteína animal que teve a maior taxa de aumento de consumo per capita no Brasil nos últimos anos foi peixe de cultivo, a tilápia. […] Segundo o Cepea, também foi a proteína animal que teve o maior ganho percentual de aumento de preço pago ao produtor com relação a todas as outras proteínas”, afirmou ao Agro Estadão. De acordo com o Ministério da Pesca, o consumo por pessoa está na média de 9 quilos ao ano, sendo que em 2004 eram 6,5 quilos. 

Apesar dos bons resultados, a visão é de que o segmento poderia estar desempenhando ainda mais. Para o diretor da Abipesca, faltam incentivos do governo. principalmente no ambiente da pesca. “A indústria de pescado não acessa o Plano Safra, então o que há é crescimento natural, o setor se autofinancia”, pontuou Gund. 

Já na aquicultura, os produtores de peixes têm acesso ao Plano Safra, que destinou R$ 980,7 milhões em custeio e investimento em 2023. O ponto de atenção é com relação aos licenciamentos ambientais. Atualmente, o cultivo de peixes no Brasil depende de licenciamento ambiental, porém essas liberações são de responsabilidade dos estados, o que causa uma disparidade de acesso entre as regiões. 

“Mais de 30% do dinheiro de custeio do Plano Safra para piscicultura é captado pelo estado do Paraná. Por quê? Porque o governador resolveu criar um ambiente em que mais de 90% dos psicultores têm licenciamento ambiental, portanto acesso ao crédito”, exemplificou Medeiros, da Peixe BR.

Medidas de fomento para pesca e piscicultura

Questionado sobre quais medidas o governo tem feito para fomentar a atividade de pesca e piscicultura no Brasil, o secretário do MPA elencou três atuações:

  • Ações de propaganda para aumentar o consumo de peixe;
  • Inclusão dos pescados, em diferentes formas (inclusive em conserva), na lista de produtos da cesta básica voltada para políticas públicas;
  • Semana do Pescado, que vem sendo promovida em setembro e no ano de 2023 teve uma alta de consumo de 35% na primeira quinzena de setembro.

Além disso, o número dois da pasta disse que há uma negociação com o Ministério da Educação para incorporar o pescado na merenda escolar. Os detalhes de como funcionaria essa medida não foram tratados pelo secretário, mas segundo o MPA as conversas ainda estão em andamento. 

“Desde o ano passado, o MPA e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, vinculado ao Ministério da Educação, estão preparando uma ação conjunta para incluir o pescado na merenda escolar. A iniciativa será fundamental para criar o hábito de consumir pescado na população mais jovem. Além de já estar comprovado os benefícios do pescado no desenvolvimento”, disse Mello. 

Sobre os pleitos da Abipesca e da Peixe BR, o secretário ressaltou que é importante ouvir as demandas da iniciativa privada e que isso acontece por meio do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (CONAPE). Apesar disso, não apresentou mais detalhes de como esses pedidos têm sido tratados.

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