Economia
Pela primeira vez, Brasil exportará mais de 1% da produção de ovos
Para presidente da ABPA, setor vive “cultura exportadora” e registra, neste ano, alta superior a 150% nas vendas externas em relação a 2024
Redação Agro Estadão
03/12/2025 - 18:12

O setor de ovos deve atingir, pela primeira vez, a marca de mais de 1% da produção nacional destinada ao mercado externo, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O setor fechará 2025 com 62,25 bilhões de ovos produzidos e 40 mil toneladas exportadas — crescimento de 116,6% em relação a 2024, de acordo com dados apresentados nesta quarta-feira, 3.
Para o próximo ano, a expectativa de produção é de 66,5 bilhões de unidades, o que representaria alta de 6,8% em relação a este ano.
As vendas externas acumulam alta superior a 150% entre janeiro e outubro deste ano com avanço de 180% na receita, em relação ao mesmo período do ano passado.
Durante coletiva de imprensa, o presidente da entidade, Ricardo Santin, afirmou que o avanço consolida um novo momento da avicultura de postura. “Nós vamos, esse ano, exportar mais de 1% da produção nacional de ovos”, disse. Em 2024, as exportações brasileiras de ovos representaram aproximadamente 0,5% da produção nacional.
OVOS
| 2024 | 2025 | 2026 (projeção) | var. 25/24 | var. 26/25 | |
| PRODUÇÃO (bilhões de unidades) | 57,683 | até 62,250 | 66,500 | até +7,9% | até +6,8% |
| EXPORTAÇÃO (ton) | 18.469 | até 40.000 | até 45.000 | até +116,9% | até +12,5% |
| PER CAPITA (unid/hab) | 269 | 287 | 307 | até +6,7% | até +7,0% |
Fonte: ABPA
Santin disse que o marco histórico coroou uma meta perseguida há quase duas décadas pela associação. “Eu sempre brinquei: ‘não sei quando esse dia vai chegar’, mas chegou”, afirmou.
Para 2026, a previsão é 45 mil toneladas exportadas, com produção estimada em 66,5 bilhões de ovos, algo em torno de 1,3% a 1,5% do total produzido.
Santin avalia que o desempenho poderá ser ainda melhor, a depender do mercado norte-americano. “Se os Estados Unidos voltarem a importar ovos no ano que vem, a gente pode exportar muito mais do que estamos prevendo”, afirmou.
Principais destinos
O mercado norte-americano foi o principal destino em 2025 e impulsionou o salto exportador. “O maior importador do Brasil, e vai continuar a ser esse ano, foram os Estados Unidos. Digo foi porque agora não está mais comprando por conta do tarifaço”, justificou Santin.

Para o presidente, 2025 marca uma mudança estrutural no perfil da cadeia. “A agricultura de postura começa a construir o que se chama de cultura exportadora”, disse. A busca por novos compradores garantiu crescimentos expressivos:
- Japão: +231%;
- México: +2.983%;
- Serra Leoa: +359%;
- Angola e Equador com entradas relevantes.
Produção recorde e consumo crescente no País
O consumo per capita deve chegar a 287 ovos por habitante até o fim do ano, atingindo 307 unidades em 2026, segundo a apresentação. “São mais de 1.800 ovos por segundo”, afirmou o executivo ao comentar o ritmo atual de produção. Santin lembrou que há 15 anos o consumo brasileiro era de apenas 120 ovos por habitante/ano.
Mesmo com o avanço das exportações, 98,5% a 98,7% dos ovos produzidos permanecem no mercado interno. A disponibilidade nacional deve seguir entre 305 e 307 unidades per capita em 2026.
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