Economia
País deixa de receber R$ 1,1 bi com contêineres de café parados nos portos em julho
Segundo Cecafé, infraestrutura portuária defasada tem gerado constantes atrasos e alterações de escala nos navios para exportação do produto
Redação Agro Estadão
02/09/2025 - 12:10

O Brasil deixou de receber quase R$ 1,1 bilhão em julho com a permanência de 1.542 contêineres com café parados em portos, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Ao todo, 508,7 mil sacas de 60 quilos não foram embarcadas, o que representou perda de US$ 196 milhões, ou R$ 1,084 bilhão, em receita cambial.
Conforme o Cecafé, a infraestrutura portuária defasada tem causado constantes atrasos e alterações nas escalas de navios. “Esse não ingresso de receitas com a exportação de café gera elevados prejuízos aos exportadores e representa o menor repasse das transações comerciais aos produtores brasileiros, uma vez que somos o país que mais transfere o preço FOB dos embarques aos cafeicultores, a uma média que supera 90% nos últimos anos”, lamentou o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, por meio de nota.
Somente em julho, os exportadores tiveram R$ 4,1 milhões em custos adicionais com armazenagem, taxas e adiamento de prazos. Desde junho de 2024, as empresas acumulam perdas de R$ 83 milhões com atrasos e mudanças de escala.

“Iniciamos esse levantamento em junho de 2024 e, desde então, as empresas associadas ao Cecafé acumulam um prejuízo de R$ 83 milhões com esses gastos elevados e imprevistos, decorrentes dos atrasos e alteração de escalas dos navios, por falta de infraestrutura portuária adequada nos principais portos de escoamento do café no Brasil”, informa.
Raio-x dos atrasos
Em julho de 2025, 51% dos navios, ou 167 de um total de 327 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.
O Porto de Santos concentrou 80,4% das exportações de café entre janeiro e julho e registrou índice de 65% de atrasos ou alterações em julho, com espera de até 35 dias. No Rio de Janeiro, responsável por 15,5% dos embarques no período, 37% dos navios sofreram atrasos, com intervalo máximo de 40 dias entre prazos de atracação.

Cenário desafiador
O diretor técnico do Cecafé alerta que o cenário de atrasos e alterações nas escalas de navios, “que gera prejuízos milionários ao setor e impede a entrada de bilhões em receita no Brasil”, tende a piorar neste segundo semestre de 2025.
“No semestre passado, o período de entressafra de várias commodities ajudou a reduzir a pressão nos terminais e armadores, porém, como não houve melhorias e aumento de capacidade dos terminais portuários, os desafios se intensificarão neste segundo semestre, auge da safra de muitos produtos que dependem dos contêineres para exportação”, projeta.
Segundo ele, o segmento exportador brasileiro, em especial os setores que atuam com cargas conteinerizadas, demandam, “com urgência”, a adoção de medidas para dar agilidade nos leilões de terminais, ampliar a capacidade de pátio e berço nos portos, aumentar os acessos portuários e incentivar a diversificação dos modais de transporte, com investimentos em ferrovias e hidrovias.
O diretor do Cecafé citou o avanço das discussões sobre o leilão do Tecon Santos 10 como sinal positivo. Segundo ele, a expectativa é que o certame ocorra ainda em 2025, sem restrições de participação, garantindo condições mais adequadas para o escoamento da carga nos próximos anos.
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