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Economia

Acordo Mercosul-UE deve gerar mais valor do que volume ao açúcar e etanol do Brasil, diz Datagro

Consultoria estima benefícios limitados no curto prazo devido a cotas, medidas de salvaguardas e exigências ambientais 

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

11/03/2026 - 09:02

Acordo prevê cota de 180 mil toneladas de açúcar do Mercosul com tarifa zerada. Foto: Adobe Stock
Acordo prevê cota de 180 mil toneladas de açúcar do Mercosul com tarifa zerada. Foto: Adobe Stock

Benefício pontual e acesso ampliado, porém, condicionado. É assim que a Datagro Consultoria resume os efeitos do acordo Mercosul-União Europeia (UE) para os setores de açúcar e etanol do Brasil, baseado no desenho negociado entre os blocos e no desempenho das exportações dos setores nos últimos anos. 

Segundo o texto do acordo, está prevista a criação de uma cota tarifária isenta (TRQ) de 180 mil toneladas anuais para o açúcar dos países membros do Mercosul, com tarifa zerada. Fora desse volume, permanecem as tarifas extracotas da UE, que chegam a € 419 por tonelada para o açúcar branco e € 339 por tonelada para o bruto. Além disso, o mecanismo de salvaguarda bilateral foi mantido, permitindo à UE suspender temporariamente as compras externas caso os volumes adquiridos cresçam mais de 5%.

CONTEÚDO PATROCINADO

Já para o etanol, foi negociada uma cota de 650 mil toneladas por ano (equivalente a 812,5 milhões de litros). Essa cota foi dividida: 450 mil toneladas para uso industrial, com tarifa zero, e 200 mil toneladas para outros usos, incluindo combustível, com tarifa reduzida de cerca de € 0,064 por litro. Volumes acima da cota seguem sujeitos à tarifa cheia da Organização Mundial do Comércio, de € 0,19 por litro, com o acesso dependendo do cumprimento das exigências ambientais europeias.

O assunto deve nortear as discussões do 10ª DATAGRO Abertura Safra Cana, Açúcar e Etanol, que começa nesta quarta-feira, 11, em Ribeirão Preto (SP). Em vídeo enviado ao Agro Estadão o presidente da Datagro, Plínio Nastari, avalia que o acordo traz ganhos futuros, não em volume embarcado, mas sobretudo em agregação de valor. “Apesar disso, as perspectivas são muito animadoras para o futuro, porque cria-se uma avenida livre para intercâmbio, troca de conhecimento, principalmente agregação de valor, que com certeza vai trazer muitos ganhos para o agro do Brasil”, disse. 

A visão de Nastari, baseia-se no desempenho das exportações nos últimos anos. Dados compilados pela Datagro mostram que, em 2025, o Brasil exportou para o bloco europeu 235,8 milhões de litros de etanol. O volume representa uma alta de 55,2% na comparação com o ano anterior, no entanto, representando 14,6% do resultado total do setor. 

No caso do açúcar, o volume embarcado para a UE em 2025 avançou 62,8% no ano passado, totalizando 886,9 mil toneladas. Na representação total, porém, esse volume significou 2,6% das exportações brasileiras. 

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