Economia
Manejo, raças e produtividade: um raio-x das maiores fazendas leiteiras
As 100 maiores propriedades de leite do Brasil registraram o melhor resultado anual em 20 anos
Redação Agro Estadão
06/04/2025 - 08:00

Os 100 maiores produtores de leite do Brasil em 2024 alcançaram uma média diária de 32.555 litros, representando um aumento de 13,28% em relação ao ano anterior, segundo levantamento conduzido pela MilkPoint. Esse foi o maior crescimento anual dos últimos 20 anos.
Conforme o mapeamento, desde 2001, a produção desse grupo cresceu quase 400%. Enquanto isso, no mesmo período, a produção formal do país deve aumentar 90% e a total 76,3%, considerando estimativas da MilkPoint Mercado, uma vez que, os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024 ainda não foram divulgados.
No total, os 100 maiores produtores somaram uma produção diária estimada em 3,2 milhões de litros, representando 4,74% da captação formal do país.
Afinal, onde estão as maiores fazendas leiteiras do Brasil?
A região Sudeste reforçou sua liderança no Top 100, ampliando sua participação no ranking com três novas propriedades em 2025. O número de fazendas na região subiu de 45 para 48, sendo a maioria localizada em Minas Gerais (36), seguida por São Paulo (12).
A região é responsável por 611,2 milhões de litros, representando mais da metade de toda a produção dos Top 100 (51,3%). Esse volume representa um aumento de 15% de produção frente ao ano anterior, quando a região somou quase 517 milhões de litros comercializados.
Na sequência, a região Sul manteve estabilidade, com 34 propriedades distribuídas entre Paraná (25), Rio Grande do Sul (5) e Santa Catarina (4). Mesmo mantendo o número de propriedades do ano anterior, a região apresentou um incremento de aproximadamente 12%, destacando a evolução da produtividade.
Já a região Centro-Oeste teve uma leve redução, passando de 12 para 11 propriedades, sendo 10 delas em Goiás e 1 no Distrito Federal. Mesmo assim, também apresentou incremento de 4% no seu volume de produção.

O Nordeste também registrou uma queda no número de representantes, saindo de 9 para 7 fazendas, distribuídas entre Ceará (3), Bahia (3) e Pernambuco (1). A redução de propriedades impactou a produção da região, que caiu 4,8%.
Produtividade por animal por dia
A produtividade por animal nas propriedades do Top 100 2025 atingiu uma média de 34,8 litros por dia, representando um aumento de 4,5% em relação ao levantamento anterior, que registrou 33,3 litros por dia por animal.
Entre as regiões, o Sul se destaca com a maior média, chegando a 38,3 litros. Na sequência, aparecem o Centro-Oeste, com 34,3 litros, e o Sudeste, com 34 litros. Já o Nordeste registrou a menor produtividade, com 23,8 litros.
Principais características das 100 maiores fazendas leiteiras
- Área
Neste ano, o Top 100 2025 analisou a área total utilizada na produção de leite, incluindo tanto o espaço destinado à criação dos animais quanto as terras voltadas ao cultivo de alimentos para o rebanho, oferecendo uma visão mais completa sobre a escala e eficiência produtiva das maiores fazendas leiteiras do Brasil.
Os 100 maiores produtores relataram um total de 48.323 hectares dedicados à atividade, reforçando a importância da integração entre pecuária e agricultura na produção leiteira. A partir desse dado, segundo a MilkPoint, foi possível calcular a produtividade por hectare, revelando diferenças regionais significativas.
- Sul: 32.440 litros por hectare — a mais produtiva do país
- Sudeste: 26.328 litros por hectare
- Centro-Oeste: 25.331 litros por hectare
- Nordeste: 8.354 litros por hectare — menor produtividade entre as regiões, mas com uma amostra reduzida, o que pode impactar a média, conforme a consultoria.
A média geral dos Top 100 ficou em torno de 24.600 litros por hectare, “evidenciando os diferentes níveis de eficiência produtiva no Brasil.”
- Pasto ou confinamento?
A maioria dos animais nas fazendas Top 100 (86%) permanece em sistema de confinamento, com acesso zero ou quase nenhum a pastagens. Esse índice teve um aumento em relação ao levantamento anterior, quando 84% das propriedades adotavam o confinamento. Apenas 9% das propriedades adotam predominantemente o sistema de pastagem.
- Alojamento
Em relação ao tipo de alojamento adotado nas propriedades, observa-se que a maioria das fazendas (53%) utiliza o sistema free stall, no qual os animais têm liberdade para se mover dentro de um ambiente fechado, mas com baias individuais para descanso. Esse sistema é muito comum em fazendas com grande número de animais, ao permitir que os bovinos tenham acesso à água, alimentação e descanso sem a necessidade de sair do espaço interno.
O compost barn, adotado por 33% dos produtores, é um tipo de alojamento onde o piso é coberto por uma camada de material orgânico, como palha ou serragem, que se decompõe ao longo do tempo, criando um ambiente natural e confortável para os animais. Esse sistema é considerado mais sustentável, ao favorecer o conforto dos animais e a gestão dos resíduos.
Uma parcela menor das propriedades (7%) adota mais de um tipo de alojamento, combinando diferentes sistemas para melhor atender às necessidades do rebanho.
Além disso, 6% das fazendas utilizam piquetes com pastagem rotacionada, uma técnica onde os animais são alternados entre diferentes áreas de pasto para garantir a recuperação do solo e evitar o sobrepastejo.
Por fim, 1% das propriedades destinam piquetes exclusivamente para o descanso dos animais, oferecendo espaços ao ar livre para os animais se recuperarem e descansarem, sem a necessidade de pastar.
- Raça mais utilizada
Apesar da diversidade de raças leiteiras que se destacam tanto pela produção quanto pela adaptabilidade, a raça Holandesa continua sendo a favorita nas fazendas Top 100, com presença em 82% das propriedades. Esse favoritismo é atribuído ao alto potencial genético da raça para a produção de leite, especialmente em sistemas de confinamento, onde o manejo nutricional e sanitário é rigorosamente controlado.
A raça Girolando, que representa 15% das fazendas, é altamente valorizada por sua rusticidade e capacidade de adaptação a climas tropicais. Essas características a tornam uma excelente escolha para sistemas mais diversificados, incluindo aqueles que utilizam pastagem.
Por fim, o restante das propriedades (3%) trabalha com Jersolanda e KiwiCross.
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