Economia
Frutas do Brasil superam tarifas e faturam US$ 1,4 bi em 2025
Brasil exportou recorde de 1,28 milhão de toneladas de frutas em 2025, mesmo com tarifas dos EUA
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
15/01/2026 - 05:00

O Brasil aumentou o volume de frutas exportadas ao exterior em 19,63%, alcançando 1,28 milhão de toneladas embarcadas ao exterior. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), que também informou um aumento na receita gerada pelas vendas, chegando a US$ 1,451 bilhão (+12%).
O resultado representa o terceiro ano consecutivo de recorde. O presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, ressaltou que a maior parte dessas exportações, principalmente de manga e uva, são originárias no Semiárido Nordestino, no Vale do Rio São Francisco.
“A grande diferença nossa é que nós produzimos essas frutas do Nordeste o ano inteiro. A gente produz 52 semanas por ano. Então, isso nos diferencia de outros países, além de ser uma fruta produzida com responsabilidade sustentável”, disse ao Agro Estadão.
A manga continuou sendo a principal fruta exportada, com mais de 290 mil toneladas, porém o valor teve uma queda em relação ao ano passado (veja abaixo as principais frutas exportadas). Outro item que representou parte significativa das exportações foram as conservas e preparações com frutas, o que não inclui sucos. Esses produtos tiveram um aumento de 16,1% nos ganhos (US$ 179 milhões) e de 7,6% no volume (63,4 mil toneladas).
| Fruta | Valor (US$) | Variação Valor (24/25) | Volume (Ton) | Variação Volume (24/25) |
|---|---|---|---|---|
| Mangas | 335.116.867 | -4,34% | 290.818,56 | 12,59% |
| Melões | 231.450.739 | 24,94% | 283.358,73 | 16,42% |
| Limões e Limas | 199.190.566 | 1,55% | 203.704,48 | 15,86% |
| Uvas | 158.726.071 | -0,13% | 62.251,88 | 5,62% |
| Melancias | 115.640.600 | 57,17% | 185.553,31 | 39,98% |
| Mamões | 74.907.072 | 29,04% | 55.163,04 | 25,41% |
| Abacates | 48.659.763 | 34,31% | 24.983,72 | 1,47% |
| Bananas | 32.575.227 | 49,87% | 80.318,26 | 64,43% |
| Maçãs | 14.725.652 | 53,35% | 13.793,28 | 36,64% |
| Figos | 8.947.902 | 12,94% | 1.702,64 | 5,83% |
| Abacaxis | 3.277.725 | -6,42% | 3.669,26 | 6,81% |
Estratégia conjunta diluiu impacto das tarifas norte-americanas
Os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das frutas brasileiras, apesar das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Segundo os dados da Abrafrutas, foram 76,7 mil toneladas enviadas aos americanos, o que rendeu uma receita de US$ 131,5 milhões. No comparativo com o ano anterior, os resultados foram menores em 1,27% e 11,32%, respectivamente.
Mesmo assim, o presidente aponta que as alíquotas não causaram prejuízo aos exportadores das principais frutas, como manga e uva. “Resultado neutro para positivo. Os exportadores não ganharam dinheiro como se não houvesse o tarifaço, mas ninguém tomou prejuízo”, comentou.
Ele exemplificou a análise com o caso da manga, no qual o mercado norte-americano é abastecido com uma espécie de revezamento entre México, Brasil, Equador e Peru. A manga brasileira vai para lá nos meses de agosto, setembro e outubro, porém, como não havia concorrência, o único local que fornecia era o Brasil. Além disso, houve uma organização entre exportadores e importadores para que o impacto da tarifa fosse diluído entre os agentes da cadeia. “Cada um bancou um percentual da alíquota, o que conseguiu majorar o preço”.
Japão e Argentina surpreendem com forte crescimento
Na relação dos principais importadores de fruta do Brasil, a União Europeia seguiu como o mercado que mais demandou, com um volume de 775,3 mil toneladas (+18,53%) e uma receita de US$ 827,1 milhões (+11,83%). O Reino Unido está em segundo lugar, com mais de 219,8 mil toneladas (+18,23%) e US$ 238,3 milhões gerados (+15,09%).
Outros países também tiveram crescimentos expressivos como o Japão, que aumentou as compras em 103,29%, alcançando 3,9 mil toneladas embarcadas. Os valores obtidos com a negociação também cresceram, chegando a US$ 18,5 milhões (+133,46%). A Argentina também importou mais frutas brasileiras em 2025, um salto de 61,43% em volume (73,3 mil toneladas) e de 69,88% em faturamento (US$ 69,6 milhões).
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