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Economia

Fila de 1,2 mil caminhões em Porto Velho atrasa escoamento da soja

Aprosoja-RO cobra melhor aproveitamento do porto público, que opera com apenas 30% de sua capacidade devido à concessão

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Paloma Custódio | Brasília | paloma.custodio@estadao.com | Atualizada em 19/03/2025 às 12h29

18/03/2025 - 18:04

Foto: Aprosoja-RO/Divulgação
Foto: Aprosoja-RO/Divulgação

Diante de uma safra volumosa estimada em 2,4 milhões de toneladas de soja em Rondônia, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o escoamento enfrenta uma “situação caótica”. A avaliação é do diretor de administração da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia (Aprosoja-RO), Marcelo Lucas da Silva, em entrevista ao Agro Estadão. Segundo ele, a fila de caminhões parados na BR-364 esperando para descarregar no porto de Porto Velho chega a 1.200 veículos nas últimas duas semanas.

O terminal portuário absorve não apenas o escoamento da produção rondoniense, mas também o do noroeste de Mato Grosso, integrando o chamado Corredor Norte. “Esse ano, nós tivemos uma concentração de plantio e, consequentemente, uma concentração de colheita no final de fevereiro e início de março, o que culminou em um fluxo maior de cargas no porto”, explica Marcelo. “E aí tem motorista que fica quatro, cinco, até seis dias na fila para descarregar”, conta.

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Colheita comprometida

Além do caos nas estradas, a dificuldade de escoamento, agravada pelo excesso de chuvas, está comprometendo os trabalhos de colheita. “A perda maior vai ser lá no campo, porque essa soja que vai para o porto, na grande maioria, já é uma soja padronizada. Então ela vai ficar em cima do caminhão três, quatro dias e não vai sofrer perda”, avalia.

Já a soja úmida, quando escoada diretamente para padronização no porto, pode sofrer perdas enquanto aguarda na fila. “Esse produtor está tendo perdas, porque o produto acaba perecendo em cima do caminhão”, pondera Marcelo.

Porto público de Porto Velho usa apenas 30% da capacidade, diz Aprosoja-RO

O terminal de Porto Velho abriga unidades portuárias de empresas privadas e um porto público, a Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH). Enquanto as unidades privadas operam em tempo integral, a SOPH é gerida por uma empresa privada por meio de concessão pública. “Essa empresa não usa a capacidade total do porto público. Então ele hoje acaba ficando ocioso, porque essa empresa faz uma reserva de mercado e não deixa outras empresas entrarem porque só ela tem a concessão”, explica o diretor da Aprosoja-RO.

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Segundo ele, apenas de 25% a 30% da capacidade portuária do porto público de Porto Velho está sendo usado. “Nós, da Aprosoja-RO, tivemos uma reunião com o diretor do porto público na semana passada. Encaminhamos um ofício a ele solicitando esclarecimentos sobre o motivo de não estar sendo usada a capacidade total do porto. Estivemos com o representante da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa para que ele leve essa pauta e abra uma discussão sobre o assunto”, ressalta.

Perguntada sobre quais providências estão sendo adotadas para mitigar as demoras na liberação de caminhões na triagem do terminal arrendado, a SOPH respondeu em nota que “possui o controle dos caminhões apenas na área da Poligonal Portuária, não possuindo competência e gestão na área retroportuária de caminhões aguardado liberação em triagem para os terminais localizados em Porto Velho/RO e Humaitá/AM”.

Em relação aos níveis mínimos de desempenho do terminal portuário, a SOPH diz que, em 2024 (ano-calendário), foram movimentadas 616 toneladas de cargas por hora, nível superior à média de 400 toneladas por hora estabelecidas pelo contrato de arrendamento portuário. “É realizado mensalmente o acompanhamento da movimentação conforme a Cláusula Quinta – Dos Níveis Mínimos de Desempenho e Capacidade, do primeiro termo aditivo ao contrato de arrendamento portuário. A arrendatária deverá apresentar uma média de desempenho para a movimentação de carga no berço igual ou superior a 400 toneladas por hora, no sentido de embarque de granéis sólido vegetais”, destaca o documento.

A A SOPH também disse não possuir conhecimento de priorização de caminhões e cargas da empresa detentora da concessão em detrimentos de terceiros.

Questionada sobre o motivo de a área interna do terminal já disponível não estar sendo utilizada para reduzir as filas externas, a SOPH afirma que “não possui a gestão das filas externas de caminhões em outras localidades em Porto Velho/RO e Candeias/RO, nem de filas ocasionados por outras Instalações Portuárias em Porto Velho”. A entidade diz não ter conhecimento das filas externas de demais usuários, já que são instalações privadas que não compartilham dados com a autoridade portuária.

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Movimentação Mínima Contratual não foi atingida

Segundo a SOPH, a Movimentação Mínima Contratual (MMC) no porto de Porto Velho, estipulada em 2,4 milhões de toneladas de cargas por ano, não foi atingida após a assinatura do contrato. A entidade diz que mantém o Poder Concedente e a ANTAQ informados acerca da movimentação de cargas realizadas no terminal, e destaca a importância da realização de investimentos para o atingimento da MMC.

“Os investimentos realizados no terminal arrendado findaram em dezembro/2023, sendo que
para a execução dos investimentos houve paralisação do terminal nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2023. Contudo, nos anos de 2023 e 2024, o Rio Madeira apresentou série histórica de níveis mais baixos registrados, ocorrendo diminuição de cargas registradas no ano em decorrência de fatores climáticos, com capacidade operacional abaixo do previsto, principalmente, no segundo semestre do ano”, destaca o documento.

A previsão da Aprosoja é que os próximos dez dias continuem com um fluxo intenso de mercadorias até o porto rondoniense. “A colheita em Rondônia e em Mato Grosso está no final, está nos últimos 20%. Assim que acabar a colheita, acaba a pressão de embarque e há uma diminuição no fluxo, ou seja, volta o ritmo normal de embarque”, estima o diretor da Aprosoja-RO.

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