Economia
Exportações chinesas de fertilizantes fosfatados são as menores em 12 anos
Dados são de levantamento da StoneX; redução do volume mantém preços firmes e exige cautela no planejamento de compras no Brasil
Redação Agro Estadão
26/01/2026 - 16:49

A oferta mundial de fertilizantes fosfatados enfrentou um aperto significativo em 2025, após a China registrar o menor volume de exportações desses produtos desde 2013. De acordo com levantamento da StoneX, os embarques chineses de MAP (Fosfato Monoamônico) e DAP (Fosfato Diamônico) somaram 5,3 milhões de toneladas no ano – retração de 18% em comparação com 2024.
Esses e outros dados estão na 34ª edição do Relatório de Perspectivas para Commodities, que será lançado pela StoneX nesta terça-feira, 27, e reúne avaliações detalhadas sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. O documento aponta para um fim de 2025 e início de 2026 marcados por tensões comerciais, incertezas monetárias e desafios específicos em cada segmento analisado.
No caso dos fosfatados, a diminuição das exportações do principal ator global no mercado elevou a concorrência entre países importadores e ajudou a sustentar os preços internacionais. Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a menor disponibilidade de produto no comércio internacional dificulta movimentos de queda nas cotações, sobretudo em períodos de maior consumo agrícola.
Entre os principais destinos dos fertilizantes chineses em 2025, estiveram Bangladesh, Brasil, Etiópia, Vietnã e Tailândia. Esses mercados tendem a sentir de forma mais direta os efeitos da redução dos embarques. Ainda assim, o impacto se estende além dos compradores tradicionais. De acordo com Pernías, quando a oferta global fica mais restrita, os preços sobem em diferentes regiões, afetando inclusive países menos dependentes da China.
No Brasil
No caso brasileiro, o encarecimento dos fosfatados de alta concentração, como o MAP, trouxe, ao longo do ano, desafios adicionais para o planejamento de compras e pressionou a rentabilidade dos produtores rurais. Diante desse cenário, cresceu o interesse por fertilizantes de menor concentração, como o superfosfato simples (SSP), alternativa adotada para reduzir custos em um ambiente de preços elevados.
Embora a China tenha respondido por cerca de 3% das importações brasileiras de MAP e DAP em 2025, o Brasil conta com outros fornecedores relevantes, como Rússia e Arábia Saudita, responsáveis por parcelas significativas do abastecimento. Especialistas destacam, porém, que o peso chinês faz com que qualquer retração em seus embarques gere reflexos indiretos sobre os preços praticados aqui no País.
A redução nas exportações está associada à estratégia comercial chinesa, que costuma priorizar o atendimento da demanda interna e a recomposição de estoques domésticos em momentos específicos do ano. Para 2026, o mercado já trabalha com a possibilidade de manutenção dessas restrições por um período prolongado.
“Caso esse cenário se confirme, os compradores brasileiros devem seguir atentos às relações de troca e à diversificação de produtos, com maior uso de fertilizantes de menor concentração como estratégia para mitigar custos”, conclui Pernías, em nota.
Importações brasileiras batem recorde
As importações brasileiras de fertilizantes somaram 45,5 milhões de toneladas em 2025, acima das 44,28 milhões de toneladas de 2024, estabelecendo um novo recorde, destaca o Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na sexta-feira, 23. “Ao longo de 2025, o volume crescente de aquisições já sinalizava confiança do setor produtivo nas perspectivas da safra. Mato Grosso, Paraná e São Paulo lideraram o consumo de fertilizantes no País”, disse a estatal em nota.
O Porto de Paranaguá (PR) foi a principal entrada do insumo importado, com 10,89 milhões de toneladas no ano passado, volume próximo ao registrado no ano anterior, que foi 11,04 milhões de toneladas, redução de 150 mil toneladas (-1,36%). Também apresentaram desempenho positivo os portos do Arco Norte, com a movimentação de 8,27 milhões de toneladas em 2025, acima das 7,5 milhões de toneladas registradas no ano anterior. Já o Porto de Santos (SP) recebeu 8,42 milhões de toneladas, em comparação com 8,88 milhões de toneladas no ano anterior, queda de 5,18% nas importações de insumos.
No boletim a Conab destaca que em 2025, o Brasil ampliou os embarques de milho, soja e farelo de soja, com destaque para os Portos de Paranaguá (PR) e do Arco Norte, além do protagonismo dos Estados do Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul na origem das cargas. “Ao todo, as exportações das três commodities totalizaram 172,3 milhões de toneladas no ano passado, uma acréscimo de 6,21% – o que quer dizer 10,7 toneladas a mais que em 2024, ano no qual o resultado foi de 161,6 milhões de toneladas.”
As exportações de milho em grãos em dezembro de 2025 alcançaram 40,9 milhões de toneladas, acima das 39,7 milhões de toneladas registradas em igual período do ano anterior. Pelos portos do Arco Norte, foram escoados 39,3% da movimentação, contra 46,4% no mesmo período do ano passado, enquanto o Porto de Santos respondeu por 35,8% dos volumes embarcados, frente a 42% no exercício anterior. O Porto de Paranaguá representou 12,3% dos embarques, ante 3,1% no ano passado, e o Porto de São Francisco do Sul respondeu por 7,7%, contra 6% no exercício anterior.
As exportações brasileiras de soja em grãos, acumuladas até dezembro de 2025, somaram 108,1 milhões de toneladas, superando as 98,8 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. Pelos portos do Arco Norte, foram expedidos 36,2% das exportações nacionais, acima dos 34,8% do exercício anterior, enquanto o Porto de Santos concentrou 32% dos embarques, contra 28,3% no mesmo período do ano passado. O Porto do Rio Grande respondeu por 8% do montante nacional, ante 10,9%, e o Porto de São Francisco do Sul por 5,7%, frente a 7% no exercício anterior.
As exportações de farelo de soja somaram 23,3 milhões de toneladas, acima das 23,1 milhões de toneladas registradas em igual período do ano anterior. Conforme a Conab, o escoamento pelo Porto de Santos concentrou 43,2% da oferta nacional, contra 44,5% no mesmo intervalo de 2024, seguido por Paranaguá, com 27,8%, ante 27,2% do ano passado, e pelo Porto do Rio Grande, com 16,9%, frente a 15,2%. O Porto de Salvador respondeu por 7,4% dos embarques, acima dos 6,6% registrados em igual período de 2024.
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