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Economia

Conab estima safra de arroz maior e contraria previsão do governo sobre falta do produto

Mapa e MDA respondem se dados da Conab mudam os planos; produtores tentam reverter leilão num encontro com Pretto na próxima semana

6 minutos de leitura 13/06/2024 | 19:31

Por: Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com | Atualizada em 14/06/2024 às 12h19

Foto: Gov.br
Foto: Gov.br

O Brasil deve produzir 10,395 mil toneladas de arroz na safra 2024/2025, segundo o 9º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 13. O volume é 3,6% maior que o colhido na safra 22/23, quando a produção alcançou 10,031 milhões de toneladas, e 0,9% inferior à estimativa de maio (10,495 mil t).

A atualização da safra de arroz é feita em meio à polêmica sobre a importação do cereal para evitar o desabastecimento e controlar os preços (veja posições abaixo). O consultor de mercado Vlamir Brandalizze diz que esse resultado é uma enorme contradição. 

“Parece que o governo não está acreditando na Conab, que é o órgão mais importante que a gente tem de acompanhamento de safra”, afirma Brandalizze.  Ele questiona a necessidade de importação do cereal, diante dessa estimativa de safra. “No ano passado, tivemos recorde de exportação de arroz e uma safra menor, e não precisamos importar. Por que precisa agora?”

Pelos números da Conab, a colheita no Rio Grande do Sul vai ser maior que em 2022/23, apesar das perdas provocadas pelas enchentes. O levantamento aponta para 7,093 milhões de toneladas contra 6,934 mi t na safra passada.

Chuvas inundaram 4,7% da área total de arroz

Os técnicos da companhia consideraram informações georreferenciadas e estimam que havia 151 mil hectares de arroz antes das chuvas. Desses, 42,1 mil hectares estavam em condições de alagamento ou inundação. Isso representa 4,7% da área total de arroz do Rio Grande do Sul. 

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“Na região Sul, a colheita está praticamente finalizada, e a estimativa não é de uma redução tão grande na produção total. Os últimos grãos estão sendo colhidos com umidade de até 40%, aumentando a importância de possuir secador para reduzir a perda de qualidade”, diz o levantamento. 

O analista Vlamir Brandalizze avalia, ainda, que os números do arroz podem ser melhores que os estimados pela Conab. Isso porque houve aumento de área em alguns estados. Goiás, por exemplo, cresceu em arroz irrigado e sequeiro e, por isso, deve aumentar a produção em relação ao ano anterior. 

“A safra já foi melhor porque as condições de clima foram mais favoráveis, então, pela lógica, já cresceu. E tem muita lavoura no campo, que são áreas de pivôs no Brasil, então a safra real pode ser maior e chegar a 10,5 milhões de toneladas”, avalia Brandalizze.

Se tem mais arroz que no ano passado, o que vai acontecer com os preços?

A regra de mercado não falha – se faltar, o produto valoriza; mas se sobrar, o preço cai. Com a estimativa dessa quantidade de arroz disponível e mais o que o governo pretende importar, o cenário é de desvalorização do produto.

Brandalizze explica que não existe arroz a R$ 4 há cinco ou seis anos em nenhum lugar do mundo e que não é possível determinar esse preço abaixo de mercado. Segundo ele, a venda de arroz no mercado interno em maio foi bem superior à média e provocada pelo próprio governo que alegou que faltaria o produto. De 800 a 900 mil toneladas, subiu para 1,5 milhão. 

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“O que levantamos junto ao setor industrial e reposições ao varejo, é que o consumidor estava levando 4, 5 pacotes. E isso aumentou o preço. Agora, em junho, as gôndolas estão cheias e as vendas, muito fracas”, pontua o consultor. Segundo ele, é provável que a comercialização não passe de 400 mil toneladas de arroz em junho e só retome o ritmo a partir de agosto. 

Análise feita pelos técnicos da consultoria indica que há muitas promoções do produto, porque o mercado viu que não vai faltar. O consultor prevê que, com a entrada de mais arroz a partir do leilão que está sendo organizado, os preços ao produtor caiam para entre R$ 105 e R$ 110 – até maio, o produtor recebia entre R$ 120 e R$ 130.

“A única alternativa ao produtor gaúcho é exportar e isso desestimula um novo plantio. No ano que vem, vamos ter uma safra menor. Aí, sim, vai faltar arroz”, conclui.

Números oficiais comprovam o que o setor já vem defendendo para o governo

Com os números mais recentes da estimativa de safra da Conab em mãos, os representantes de arrozeiros de diversos estados tentaram, mais uma vez, convencer o governo federal de que não existe chance de faltar arroz no mercado. A reunião da Câmara Setorial do Arroz, realizada nesta quinta-feira,13, em Brasília, contou com representantes técnicos do Ministério da Agricultura e da Conab.

“Está correndo normal dentro de todas as estimativas. A safra é maior que no ano passado.  Existem muitos boatos – eu queria saber de onde saiu essa afirmação de que vai faltar arroz no Brasil”, pontuou Francisco Schardong, coordenador da comissão de Arroz da Federação da Agricultura e Pecuária do RS (Farsul) e representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na câmara setorial.

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Segundo Schardong, uma reunião com o presidente da Conab, Edegar Pretto, está marcada para a próxima quarta-feira, 19. Ele acredita que ainda é possível reverter a ideia do leilão, apesar dos anúncios feitos pelos ministros de que “não haverá recuo”. 

Dados de outros órgãos e institutos reforçam o posicionamento do setor contrário à importação do produto. A Emater e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgaram que a colheita de arroz terminou e que a produtividade média caiu cerca de 9%, de 8.325 kg/ha para 7.600 kg/ha. 

O Irga ainda fez um levantamento sobre o que estava armazenado nos silos antes das inundações. Na região central, a mais afetada, 61,465 mil toneladas de arroz já haviam sido colhidas e estavam estocadas. Desse volume, 24 mil toneladas ficaram comprometidas.

Diante dos números, a Abiarroz disse que reforça a tese de que “há produto suficiente para abastecer o mercado até a próxima safra. Além disso, a atuação do setor privado pode contribuir para regular a oferta do produto no mercado interno e estabelecer um teto de preços para a comercialização do arroz ao longo do ano”, informou em nota.

Enquanto isso, o governo promete um novo leilão para até 10 dias, e a Controladoria Geral da União (CGU) investiga possíveis irregularidades no processo do certame. A Conab também está apurando internamente e diz que acionou a Polícia Federal para auxiliar.

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Confira os posicionamentos do governo

O Agro Estadão questionou a Conab, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário se o governo ainda realizará um novo leilão, diante dos números da safra.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) respondeu na manhã desta sexta-feira, 14. A nota diz que, “embora haja arroz disponível no mercado brasileiro, os produtores e entidades reconhecem as diversas dificuldades e entraves à logística e ao escoamento dos grãos”. E que os preços aumentaram até 40% em alguns casos e esse “comportamento especulativo e aproveitador deve ser vigorosamente coibido pelo governo”.

O Mapa admite que o Brasil é praticamente autossuficiente em arroz, mas a concentração de 70% da produção no Rio Grande do Sul “representa uma vulnerabilidade em tempos de intempéries climáticas severas”. E que, por esses motivos, “estabeleceu-se a possibilidade de importação de até 1 milhão de toneladas, se necessário”. A nota afirma que o governo está atento e continuará monitorando a situação. Já sobre a realização do leilão, o Mapa disse que o assunto deve ser verificado junto à Conab.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) respondeu que “a decisão de realização do novo leilão é da Presidência da República” a qual o ministério é subordinado. A nota afirma que a única mudança que haverá serão as regras do leilão “para garantir qualidade e preço justo ao consumidor, e não nas razões do mesmo”.

A Conab ainda não respondeu.

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