Economia
Mercado avalia que oferta de crédito deve seguir “neutra” para a próxima safra
Durante World Agri-Tech, agentes do mercado financeiro discutiram os riscos da tomada de crédito

Daumildo Júnior* | daumildo.junior@estadao.com
19/06/2024 - 17:23

A oferta de crédito para o agronegócio deve seguir no ritmo estável na avaliação do E-agro, plataforma digital de financiamento rural do Bradesco. A head da plataforma, Nadege Saad, participou de um dos painéis da World Agri-Tech South America, que abordou o mercado geral de crédito rural no Brasil
“Perspectiva de oferta [de crédito] neutra. Acho que a gente não expande, mas também não retrai”, afirmou Saad durante o debate.“Eu acho que ele vai permanecer neutro pelo cenário de incertezas e porque você tem diversas fontes de crédito disponíveis ao produtor, umas com mais risco outras menos. Nós, do ponto de vista do Bradesco Agro, a gente quer crescer. A gente quer crescer nossa carteira”, disse ao Agro Estadão.
O entendimento é de que a agricultura é uma atividade “cíclica” e essas oscilações são normais. “A gente já viveu outras crises. A gente já viveu escassez de crédito. Eu não vejo a gente tendo um 2024/2025 com menos oferta de crédito”, completou.
Na mesma linha, o presidente da Syngenta para o negócio de Proteção de Cultivos no Brasil, André Savino, caracterizou o momento como uma fase de ajuste, o que já foi vivido em outros momentos.
“[A agropecuária] já passou por ajustes de crises de commodities, ajustes do mercado econômico e ajustes do mercado de oferta e demanda, ou seja, é um mercado altamente volátil. O que a gente vem vivenciando agora é um momento de ajuste sim, como a gente vivenciou 2002, 2008, 2014 e assim por diante”, destacou Savino. Na visão dele, “os fundamentos” do setor são sólidos no Brasil e acrescentou que a “oferta e demanda de alimentação mundial” também favorecem a análise.
Mais garantias e investigação x menos inadimplência
A inadimplência também será observada de forma mais clara pelas instituições financeiras. Para Saad, os bancos e demais entes do sistema financeiro devem aumentar as exigências para diminuir os riscos, porém sem afetar a oferta. “Eu vejo uma oferta de crédito mais mitigada em termos de risco”, afirmou.
O diretor de Agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, destacou a questão do endividamento rural. Para ele, o setor financeiro deve sim fazer uma avaliação mais detalhada, mas mantendo a oferta.
“A questão da inadimplência a gente precisa ter cuidado. E quando a gente vê o número de recuperações judiciais, em comparação ao total de produtores que tomaram crédito, é muito pequeno. O mercado vai ter um escrutínio maior para fazer a análise de crédito, mas é ele que vai suprir a necessidade para a próxima safra”, explicou ao Agro Estadão.
Com o ano agrícola 2024/2025 se aproximando, “será uma necessidade maior [de crédito] do que a safra anterior”, do ponto de vista de Pimenta. Mesmo com o Plano Safra 2024/2025 perto de ser anunciado, Pimenta comentou que os recursos ainda serão poucos diante do cenário geral.
“De maneira geral, é necessário ter mais crédito, porque tem demanda por alimento. O que vai mudar é a composição desse crédito. O orçamento do governo é finito e ele não vai conseguir sustentar toda a necessidade de crédito. Independente do número do Plano Safra, vai ser necessário mais crédito e quem vai preencher essa parte que falta é o capital privado”, disse.
*Jornalista viajou a convite da BASF

Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Tarifa: enquanto Brasil espera, café do Vietnã e Indonésia pode ser isento
2
COP 30, em Belém, proíbe açaí e prevê pouca carne vermelha
3
A céu aberto: produtores de MT não têm onde guardar o milho
4
Fazendas e usinas de álcool estavam sob controle do crime organizado
5
Exportações de café caem em julho, mas receita é recorde apesar de tarifaço dos EUA
6
Rios brasileiros podem ser ‘Mississipis’ do agro, dizem especialistas

PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas

Economia
Camex mantém tarifa de 10,8% sobre borracha natural importada de fora do Mercosul
Revisada a cada dois anos, a alíquota visa proteger o setor que enfrentou preços baixos com a entrada do produto importado

Economia
Orplana manifesta apoio à Operação Carbono Oculto e diz desconhecer fraudes
Investigação abrange usinas, distribuidoras de combustíveis, administradoras de fundos, redes de postos, transportadoras até terminais portuários

Economia
Centro de pesquisa lança Escola do Cacau
As aulas online serão voltadas para produtores rurais, agrônomos e técnicos agrícolas; primeiro etapa do curso já está disponível

Economia
Fazendas e usinas de álcool estavam sob controle do crime organizado
Operação Carbono Oculto investiga o uso de seis propriedades no interior de São Paulo para fraude nos combustíveis; veja como funcionava o esquema
Economia
Entidades do setor de combustíveis e bioenergia manifestam apoio à Operação
Instituições defendem proteção ao consumidor e fortalecimento da economia nacional
Economia
Frentes do agro cobram leis mais duras contra fraudes após ‘Carbono Oculto’
Entidades querem urgência do Congresso Nacional para aprovar projetos de lei que endurecem a fiscalização no setor de combustíveis
Economia
Produção agrícola de Santa Catarina ganha competitividade com ICMS zerado
Medida entra em vigor em setembro e inclui itens da cesta básica, valendo somente para produtos agrícolas catarinenses
Economia
Megaoperação mira fraudes em combustíveis com impacto no agro
Ação bloqueia usinas, distribuidoras, portos e fundos ligados a grupo criminoso