Economia
China bate recorde de importação de soja em 2025 e amplia compras no Brasil e na Argentina
Mesmo em meio ao conflito tarifário com os EUA, a China importou 6,5% mais soja do que em 2024
Redação Agro Estadão
14/01/2026 - 10:53

A China registrou um volume recorde de importações de soja em 2025. O resultado histórico está diretamente associado à intensificação das compras do grão junto à América do Sul no último ano.
Maior compradora mundial da oleaginosa, a China importou 111,83 milhões de toneladas ao longo do ano, volume 6,5% superior ao registrado em 2024. Destaque para a concentração dos embarques dos principais produtores do Mercosul, sobretudo Brasil e Argentina.
A antecipação das compras esteve relacionada ao agravamento da guerra comercial entre Pequim e Washington no segundo e no terceiro trimestres. Diante do risco de restrições adicionais ao comércio, as tradings chinesas optaram por reforçar os contratos com fornecedores sul-americanos como estratégia de mitigação de risco.
Efeito Estados Unidos
Entre maio e outubro do ano passado, as importações chinesas já haviam alcançado níveis recordes. Nesse intervalo, os compradores priorizaram cargas da América do Sul e reduziram significativamente a aquisição de soja dos Estados Unidos, em resposta ao conflito tarifário.
Após a trégua comercial firmada no fim de outubro, Pequim voltou a intensificar as compras de soja norte-americana. Operadores e analistas estimam que, no início da semana passada, a China já havia adquirido quase 10 milhões de toneladas do grão dos EUA.
Esse volume representa até 80% dos 12 milhões de toneladas que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a China se comprometeu a comprar até o fim de fevereiro. A retomada das compras é vista como um sinal de recomposição parcial do fluxo comercial entre os dois países.
Desde dezembro, o armazenador estatal chinês realizou quatro leilões de soja. A iniciativa é interpretada pelo mercado como uma tentativa de liberar espaço nos estoques para acomodar os volumes provenientes dos Estados Unidos esperados para as próximas semanas.
Atrasos em dezembro
Em dezembro, as chegadas de soja ao País asiático somaram 8,04 milhões de toneladas, segundo dados alfandegários. O volume representou um crescimento de 1,3% na comparação anual, embora tenha sido influenciado por entraves logísticos e administrativos.
No entanto, as importações chinesas de soja em dezembro ficaram, de modo geral, dentro das expectativas do mercado. Ainda assim, atrasos no desembaraço alfandegário reduziram o fluxo do grão, levando algumas usinas de esmagamento a suspender temporariamente as operações ou a diminuir o ritmo de processamento.
Na comparação mensal, os embarques de dezembro recuaram 0,9% em relação a novembro. O resultado marcou o terceiro mês consecutivo sem importações de soja dos Estados Unidos, reflexo das tarifas elevadas aplicadas ao produto norte-americano.
Entretanto, no quadro geral, a perspectiva para o início de 2026 é de um cenário de oferta mais apertada. As projeções apontam para importações de cerca de 7,48 milhões de toneladas em janeiro e 5,2 milhões de toneladas em fevereiro — volumes inferiores aos observados no mesmo período do ano anterior.
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