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Economia

Cancelamentos e prejuízo milionário: o mel do Piauí à beira do colapso

Após duas semanas de tarifaço, veja quais são os impactos na cadeia do mel, que tem nos EUA seu principal mercado

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

21/08/2025 - 08:00

Com mercado parado, países compradores tentam negociar valores mais baixos para o mel - Foto: Adobe Stock
Com mercado parado, países compradores tentam negociar valores mais baixos para o mel - Foto: Adobe Stock

Há pouco mais de uma semana, produtores e exportadores do agronegócio estimavam as perdas com o tarifaço de Donald Trump. Agora, os efeitos da medida, em vigor desde o dia 6 de agosto, chegaram ao campo. 

No Piauí, a indústria de apicultura já registra cancelamentos de contratos e prejuízos milionários. “Naquele dia que eu falei contigo [6 de agosto de 2025], eu tinha cancelamento de embarque. Hoje, eu tenho o cancelamento do contrato de 12 contêineres. Nós estamos falando de quase US$ 854 mil”, contou Samuel Araújo, CEO do Grupo Sama, ao Agro Estadão. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo Araújo, o grupo — líder na produção de mel orgânico na América do Sul — ainda mantém os pagamentos aos apicultores para evitar que o problema chegue à base da produção. Atualmente, esse valor gira em torno de R$ 15 o quilo, pouco abaixo dos R$ 16 praticados antes do tarifaço. “Nós estamos absorvendo todos os prejuízos”, disse. 

Além disso, conforme o dirigente, soma-se ao complexo cenário a pressão de outros países compradores que percebem que o principal mercado comprador “está parado”. Então, tentam negociar valores mais baixos pelo mel. Por isso, Araújo diz temer pelo futuro da cadeia. “O futuro da apicultura sem o mercado norte-americano é colapsar”, destacou. 

Grupo Sama tenta manter pagamentos aos apicultores, para evitar que o problema chegue à base da produção. | Foto: Adobe Stock

Medidas de socorro

Na última conversa com a reportagem, Samuel havia relatado o envio de um pacote de medidas ao Investe Piauí, buscando soluções emergenciais, entre as quais estava a liberação de créditos tributários federais e estaduais. 

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De acordo com ele, o governo estadual trabalha para acelerar a liberação de créditos de ICMS — Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal — e estuda criar um fundo de compensação da diferença da alíquota, para que as empresas não percam competitividade. Entretanto, não há um prazo estabelecido para que as medidas entrem em vigor. 

Já sobre o pacote emergencial anunciado pelo governo federal, Samuel vê mais questionamentos e incertezas do que respostas concretas. “O governo só liberou um pacote dias depois das tarifas começaram a valer. E a gente ainda não entende direito como é que vai ser, como é que ele vai salvar, e quem vai pagar a próxima folha de pagamento, o custo de combustível e as obrigações que nós assumimos”, pontuou. 

“O nosso negócio é a engrenagem que está girando, mas que, de certa forma, foi atrapalhada por uma bomba. E no momento em que essa bomba caiu, surgiu uma emergência para salvar vidas, para salvar os nossos negócios, inclusive de setores importantes, mas parece que as pessoas não entendem o que é emergência”, complementou Araújo. 

Na visão do empresário, existem apenas duas saídas neste momento: renegociar a taxa com os EUA ou o governo criar uma compensação financeira que cubra parte da diferença da tarifa para manter a competitividade do mel brasileiro.

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