Economia
Agroindústria no Brasil fecha 2023 com crescimento de 0,8%
Setor de produtos alimentícios e bebidas e o segmento de biocombustíveis foram destaques positivos na agroindústria do ano passado
Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com
26/02/2024 - 17:20

A agroindústria brasileira terminou 2023 em alta, com crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior. Os dados são do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas) publicados no PIMAgro (Índice de Produção Agroindustrial).
Na visão do pesquisador do FGV Agro, Felippe Serigati, o segundo semestre foi o responsável por entregar o resultado positivo no agregado do ano. Segundo Serigati, o número mostra a força dessas indústrias se comparado a outros tipos de empresas no olhar macro econômico.
“Esse número a princípio pode parecer baixo, mas o grande benchmark para a agroindústria é o setor em que ela está incluída. A indústria de transformação teve uma contração de 1,1%. […] Aquela indústria mais associada às commodities tem conseguido um desempenho melhor do que o restante da manufatura”, disse ao Agro Estadão.
O destaque positivo e principal fator da alta foi o setor de produtos alimentícios e bebidas, com crescimento acumulado de 3,2%. Dentro desse setor, todos os segmentos também tiveram expansão, sendo que o segmento de produtos de origem vegetal registrou 7,3% de alta.
O setor de produtos não alimentícios, que envolve produção têxtil e insumos agropecuários, por exemplo, teve uma queda de 2,3%.
Agroindústria cresce na parte de alimentos e bebidas
A alta desse setor foi motivada pelo aquecimento do mercado brasileiro, ajudada pela queda da inflação, apontam os pesquisadores da instituição.
“O aumento da oferta foi derivado, dentre outros fatores, da produção recorde das atividades agropecuárias. Do lado da demanda, ocorreu uma expansão acelerada do consumo das famílias que, junto com a maior arrefecimento da inflação de alimentos, aqueceu a procura por produtos alimentícios e bebidas”, afirmou o FGV Agro na apresentação da pesquisa.
O crescimento por segmento dentro do setor de produtos alimentícios e bebidas ficou assim:
- Alimentos de origem vegetal: alta de 7,3%;
- Alimentos de origem animal: alta de 2,7%;
- Bebidas alcoólicas: alta de 0,2%;
- Bebidas não alcoólicas: alta de 1,7%.
Segmento de biocombustíveis cresce 13,4%
O crescimento de 13,4% do segmento de biocombustíveis não foi capaz de levantar o setor de produtos não-alimentícios. Esse setor engloba também os segmentos de produção têxtil, de produtos florestais, de insumos agropecuários e de fumo.
Desses, apenas fumo e biocombustíveis tiveram um desempenho positivo. Segundo o FGV Agro, a produção de biocombustíveis foi “favorecida pelo aumento da oferta e da qualidade de cana-de-açúcar ao longo do ano. Além disso, o setor contou com a maior produção de etanol de milho”.
Já a explicação para a queda do setor de produtos não-alimentícios como um todo é dada por fatores estruturais, como a entrada de produtos têxteis chineses. Além disso, questões conjunturais, como a diminuição das exportações e estoques altos, tiveram impacto negativo sobre os segmentos de insumo agropecuários, produtos têxteis e produtos florestais.
O resultado final em 2023 dos segmentos de produtos não alimentícios ficou assim:
- Insumos agropecuários: queda de 11,5%;
- Produtos têxteis: queda de 3%;
- Produtos florestais: queda de 3%;
- Biocombustíveis: alta de 13,4%;
- Fumo: alta de 4,5%.
Perspectiva positiva para 2024
Para Serigati, o ano de 2024 tende a ser um ano melhor do que 2023 até este momento. Um dos motivos é que a agroindústria entra em 2024 “acelerando”, diferente do cenário de 2022 para 2023.
Na análise por parte do consumidor, isto é, da demanda, o pesquisador apontou que caso a inflação continue caindo e o mercado de trabalho aquecido, isso pode gerar mais procura. Já quando ele observa o lado da oferta, os empresários estão menos confiantes.
“Chama atenção que, apesar dos números da economia brasileira não serem 100% confortáveis, a confiança do empresário industrial está operando abaixo do que a gente tinha visto em situações semelhantes, em períodos anteriores”, pontuou.
Segundo o pesquisador, uma das hipóteses é a ausência de normas mais claras com relação à Reforma Tributária. Mesmo com o texto aprovado, ainda há uma insegurança sobre o futuro tributário do país, o que freia os impulsos para novos investimentos e expansão de produção por parte do empresariado.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
Aliança Agrícola paga R$ 114 milhões a investidores; advogada alerta produtores sobre risco jurídico
4
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
5
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
6
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Uruguai é o 1º país a aprovar o acordo comercial entre Mercosul e UE
No Brasil, o texto do acordo foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado
Economia
Títulos do agronegócio crescem 13,5% em 12M até janeiro, para R$ 1,407 trilhão
Maior crescimento foi do estoque de CPRs ,com crescimento de 17% em janeiro e 402 mil certificados distribuídos
Economia
Piscicultura brasileira ultrapassa 1 milhão de toneladas em 2025
Exportações de peixe de cultivo subiram em valor e caíram em volume no ano passado
Economia
Tarifas globais dos EUA voltam para 10% e entram em vigor por 150 dias
Carne bovina, tomates, açaí, laranjas e suco de laranja ficam de fora das tarifas por necessidades da economia americana
Economia
Exportações de carne bovina já superam todo fevereiro de 2025 em apenas 13 dias
Exportações de carne de frango e suína também avançaram, com alta na média diária de 32,69% e 26,41%, respectivamente
Economia
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
Setor ainda espera habilitações e quer regulação de cota brasileira para afastar questionamentos de formação de cartel
Economia
Nos EUA, venda de suínos beira recorde; ausência da China pesa sobre carne bovina
Sem a China, exportações norte-americanas de carne bovina caíram 12% em volume e 11% em receita em 2025
Economia
Fila de caminhões trava escoamento da safra pelo porto de Miritituba; veja o vídeo
Comitiva da Famato constata 25 quilômetros de fila em trecho da BR-163 antes do porto; caminhoneiros relatam falhas na organização do fluxo;