Agropolítica
Saiba o que o Agronegócio ganha com a Reforma Tributária
Teto para tributação, isenção de alimentos e alíquotas diferenciadas agradaram o setor
Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com
19/02/2024 - 07:00

O Agronegócio brasileiro é responsável por cerca de 25% do PIB nacional, o equivalente a R$ 2,6 trilhões de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA). Assim, o setor acompanha com expectativa e preocupação a discussão sobre as leis complementares à Reforma Tributária. O Congresso Nacional aprovou o texto em dezembro de 2023.
A lei uniu cinco impostos federais, estaduais e municipais em uma cobrança única e a transição entre os dois modelos será ao longo dos próximos anos. E essa alíquota é dividida em Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS – federal) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS – estadual/municipal).
A Reforma Tributária e 3 vitórias do Agro
O agronegócio venceu algumas batalhas na discussão da Reforma Tributária. Confira três delas:
- Limite para os produtores rurais não contribuintes – O produtor que fatura até R$ 3,6 milhões por ano será isento, pois o texto da Reforma Tributária cria um teto para definir os contribuintes.
- Alíquota zero para a cesta básica – Os produtos da cesta básica ficam isentos de tributação, mas eles serão definidos nas leis complementares.
- Alíquota reduzida para alimentos, insumos e produtos agropecuários – Os alimentos que não integram a cesta básica tem redução de 60% na alíquota. O mesmo vale para insumos e produtos agropecuários.
Agricultores que faturam até R$ 3,6 milhões estão isentos
O consultor jurídico do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Eduardo Lourenço, diz que a principal vantagem para o setor é a isenção dos produtores rurais que ganham até R$ 3,6 milhões por ano. “Essa medida alcança 95% dos produtores rurais brasileiros, que não possuem capacidade financeira de serem tributados sem prejudicar a própria subsistência”, avalia Lourenço.
Além disso, ele destaca as alíquotas diferenciadas para insumos e produtos agrícolas e, especialmente, para os alimentos. O texto da Reforma Tributária define que a tributação dos alimentos corresponderá a 40% da alíquota. Assim, se a alíquota for definida em 25%, a tributação sobre os alimentos ficará em 10%. “Uma alíquota reduzida entre 10% e 12% corresponde à manutenção da carga tributária. Além de ser uma evolução, permite que o alimento chegue mais barato para o consumidor”, destaca.
“A definição dos produtos da Cesta Básica será a maior batalha. Cada setor vai lutar pelo seu e não dá para atender a todos.”
Pedro Lupion – Deputado Federal – Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária
Já o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) considera que a isenção da cesta básica é uma vitória importante, pois cria uma lista mais restrita. Ele argumenta que, em algumas regiões, a cesta básica tem 150 itens e alguns produtos nem são alimentos. Por isso, o parlamentar considera ideal uma cesta com 30 a 40 produtos.
O presidente da FPA acredita que o grande impasse para os parlamentares nesse ponto será a definição dos alimentos. “A maior batalha será a definição da cesta básica, porque cada setor vai lutar pelo seu espaço. Vamos precisar de muita habilidade para filtrar tudo, pois não dá para atender e agradar a todos”, afirma.
Ponto frágil para o Agro é a indefinição da alíquota
O cálculo final da alíquota é o único ponto que ainda causa dor de cabeça para a bancada. Em geral, o produtor rural médio paga 8,5% de impostos atualmente. Por isso, o setor está preocupado que esse índice fique muito acima dos 16%, considerado um limite ideal para não provocar prejuízos.
O coordenador do Comitê Tributário da Sociedade Rural Brasileira afirma que qualquer aumento será equivocado. “ É um engano aumentar a tributação para um setor que emprega 25% dos trabalhadores do país e representa mais de 35% do PIB”, afirma Marcelo Guarita. Segundo ele, as vitórias do agro na Reforma são importantes para atenuar o incremento de carga, mas não são suficientes. “O impacto da reforma será no médio e longo prazos. A transição será um processo custoso e penoso com dois regimes para todos”, diz.
A SRB defende desoneras os itens da cesta básica desde a produção e chama atenção para a exportação: “A partir de qual momento a exportação será desonerada? Um regime especial para resolver esse ponto é essencial. Também precisamos definir em quanto tempo os créditos serão devolvidos aos exportadores quando acumulados. Esse regime precisa chegar no produtor que inicia a cadeia e refletir no preço da aquisição”.
Outras conquistas do Agro com a reforma tributária
Tratamento diferenciado para cooperativas – O texto da reforma tributária permite instituir um regime específico de tributação para as cooperativas, o que ajuda a torná-las mais competitivas, na avaliação do setor.
Tratamento favorecido para biocombustíveis – O texto prevê tratamento diferenciado para a tributação do setor de biocombustíveis, quando comparado com os combustíveis fósseis. O detalhamento também será discutido nas leis complementares à reforma tributária.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Proposta no Congresso pode flexibilizar porte de arma em propriedades rurais; entenda
2
Brasil terá fazendas de cannabis? Anvisa vota regras para o cultivo nesta semana
3
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
4
Governo inicia processo de desapropriação de 7 imóveis rurais para reforma agrária; veja onde
5
Novo projeto no Congresso busca evitar colapso da cadeia do leite; entenda
6
Irã, Groenlândia e Venezuela: como as tensões geopolíticas impactam o agro do Brasil?
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Brasil abre mercados no Equador para produtos da alimentação animal
Exportações de produtos do agronegócio brasileiro para os equatorianos somaram mais de US$ 346 milhões em 2025
Agropolítica
Ministro celebra aprovação de acordo Mercosul-UE na Câmara na Argentina
O texto passou com 203 votos a favor e 42 contrários, sendo aceito tanto por parlamentares do governo quanto da oposição peronista
Agropolítica
Alckmin: governo continua aguardando resposta da China sobre cotas para carnes
Governo pediu que embarques de 2025 não contem para as cotas e que as sobras de outros países sejam destinadas ao Brasil
Agropolítica
Acordo Mercosul-UE: governo e Senado discutem defesa para produtos nacionais
Setores como leite e vinhos podem ser impactados, segundo senadora Tereza Cristina
Agropolítica
Parlamentares brasileiros do Parlasul suspendem votação do Acordo Mercosul-UE
Previsão é que nova votação ocorra no dia 24 de fevereiro; do lado europeu, salvaguardas avançaram no Parlamento
Agropolítica
Ministério cancela mais de 76 mil licenças de pescadores
Licenças serão suspensas por um ano e pescadores artesanais perderão o direito de acesso ao Seguro-Defeso.
Agropolítica
Novo projeto no Congresso busca evitar colapso da cadeia do leite; entenda
Texto prevê preços mínimos, fundo de financiamento do setor e medidas contra importações desenfreadas de leite em pó
Agropolítica
Setor do biodiesel busca apoio no governo para evitar importação
Estratégia passa por convencer membros do CNPE e alertar sobre fim do Selo Biocombustível Social, caso medida avance