Economia
Tributo, crédito e seguro é um tripé muito importante para as exportações brasileiras, diz Haddad
Ministro defende mudanças e diz que setor exportador pode ser o carro-chefe do ciclo econômico
Da Redação*
18/09/2024 - 10:06

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, previu nesta terça-feira, 17, que a exportação pode ser o carro-chefe de um novo ciclo econômico de crescimento. “O setor exportador é muito importante e tende a ser o carro-chefe desse ciclo econômico”, disse, durante reunião no Palácio do Planalto para anúncio de novos projetos da ApexBrasil.
De acordo com Haddad, há três razões para se pensar sobre isso. A primeira, segundo ele, é porque a reforma tributária vai eliminar a exportação de tributos, que seria um mal da economia brasileira.
“Ninguém consegue se livrar da cumulatividade de tributos do nosso atual sistema tributário”, observou o ministro. “Vocês vão poder trabalhar o preço real da mercadoria em condições de igualdade competitiva com os seus concorrentes que estão instalados em outros países. Então isso vai ser um ganho de produtividade para a economia brasileira que poucos conseguem estimar com precisão, mas ninguém diz que é menos do que 10% do PIB o impacto do crescimento nos próximos anos. Ou seja, se em 10 anos a gente ia crescer 2,5%, com a reforma tributária vamos crescer 3,5%. Esse é o efeito da reforma tributária esperado”, argumentou.
A segunda questão apontada pelo ministro é o crédito para exportação. Ele citou a criação de instrumentos inovadores e disse que o cardápio apresentado para financiar o exportador está só está no começo. “Estamos abrindo a possibilidade de uma integração financeira com os mercados que recebem os nossos produtos e vamos poder financiá-los a baixíssimo custo”, disse, acrescentando que, mesmo com a confirmação da redução das taxas de juros americanas [que pode ocorrer nesta quarta, 18], haverá diversificação das fontes brasileiras de financiamento, com o intuito de buscar os melhores negócios para os produtos domésticos.
A terceira menção feita por Haddad foi em relação à reestruturação na Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF). A ação está sendo executada após a instituição ter entrado na lista de privatizações do governo anterior. “Estava sem pessoal, acanhada. Nós estamos reestruturando a ABGF este ano para ser uma grande promotora de garantias para as exportações brasileiras”, relatou.
De acordo com ele, essa mudança vai impactar, sobretudo, o pequeno e o médio exportador, que no Brasil ainda participa pouco da parte exportadora na comparação com os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“O Brasil pode ampliar muito a sua falta de exportação se o pequeno tiver as garantias que são dadas aos grandes exportadores. E a ABGF está se preparando para esse salto de qualidade envolvendo uma equipe nova, uma reformulação, uma diversificação de produtos para garantir que você tenha um produto de qualidade, você tenha um preço, não vai ser por falta de apoio que você vai deixar de colocar a sua produção no exterior”, discorreu Haddad. “Eu penso que essa questão tributo, crédito e seguro é um tripé muito importante que o Brasil nunca encarou definitivamente para transformar”, continuou.
Conforme o ministro, esse tripé é fundamental para as vendas externas. Haddad afirmou que é preciso transformar o país em uma plataforma de exportação, principalmente em função das novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas e da necessidade de uma transição ecológica.
“É muito desafiador o que está colocado. Nós precisamos, portanto, nos repensar e olhar para fora, olhar mais para fora, e sem esse tripé é muito difícil competir”, comentou o ministro, mencionando novamente tributo, crédito e seguro como fundamentais para as vendas externas
Ao citar a aprovação do marco de garantias, Haddad comentou que o mercado de venda de bens duráveis registrou aumento de dois dígitos e que o crescimento chega a 12%, 14% dependendo do setor.
“Então, se a gente fizer o mesmo com as exportações, nós não vamos estar pensando em 200 milhões de consumidores, nós vamos estar pensando em 8 bilhões de consumidores”, comparou o ministro, mencionando que é esse pensamento que têm países como a Coreia, Alemanha e China.
* Com informações da agência Broadcast Agro
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
UE diz estar pronta para implementar acordo provisório com Mercosul
Declaração foi feita ao fim da cúpula da UE em Bruxelas, após líderes nacionais levantarem o tema em debates sobre rumos e decisões do bloco
Economia
Peru habilita primeiras unidades brasileiras para exportar farinhas bovinas
Mercado aberto em 2024 tem primeiras habilitações, permitindo os embarques de farinha de carne e ossos e hemoderivados.
Economia
Aprosoja MT: piso mínimo do frete amplia custo e compromete competitividade
Para a entidade, atual metodologia tem inconsistências estruturais relevantes e desconsidera a dinâmica real do mercado
Economia
São Paulo firma parceria com fundo sueco para expandir cadeia do biometano
Projeto prevê R$ 5 milhões para estudos de expansão da produção de biometano e e aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético
Economia
Turquia lidera compras de gado em pé do Brasil e impulsiona recorde histórico
As exportações brasileiras avançaram quase 5% em 2025 e atingiram novo patamar histórico, superando 1 milhão de cabeças
Economia
CNA: liberalização tarifária não garante acesso efetivo ao mercado europeu
Confederação lembra que entrada de produtos no agro na Europa depende de exigências regulatórias, como o EUDR e salvaguardas
Economia
Soja: Abiove projeta processamento recorde em 2026, de 61 milhões de toneladas
A produção de farelo de soja foi revista para 47 milhões de toneladas e óleo de soja avançou para 12,25 milhões de toneladas
Economia
Grupo Piracanjuba entra no mercado de queijos finos com aquisição da Básel (MG)
Com a operação, a Piracanjuba, que é de Goiás, passa a contar com dez unidades industriais em funcionamento no Brasil