Economia
Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura
Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas
Redação Agro Estadão
16/01/2026 - 13:08

Além de deixar os agricultores europeus descontentes, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul — que será assinado neste sábado, 17, após 25 anos de negociações — também incomoda o governo de Donald Trump.
De acordo com o jornal britânico, Financial Times, autoridades comerciais do governo dos Estados Unidos (EUA) acusaram a UE de tentar garantir um “monopólio” sobre carnes e queijos na América do Sul por meio do acordo comercial. O tratado prevê a redução de quase todas as tarifas comerciais entre os dois blocos econômicos, criando um mercado integrado de cerca de 700 milhões de consumidores.
Fontes do governo norte-americano ouvidas pelo Financial Times afirmam que o acordo prejudica produtores dos EUA ao impedir que eles comercializem produtos associados a denominações geográficas protegidas da Europa, como presunto de Parma, queijo feta e champanhe.
Um funcionário do governo norte-americano familiarizado com as negociações disse ao jornal que “Esta é uma tentativa flagrante de limitar a concorrência e as oportunidades de exportação para fornecedores de fora da UE”. Segundo ele, o acordo daria aos produtores europeus exclusividade sobre esses produtos no mercado sul-americano.
O Financial Times destaca que as críticas surgem em meio ao aumento das tensões comerciais entre Washington e Bruxelas, especialmente após um acordo limitado firmado no ano passado que não avançou na redução de tarifas e barreiras regulatórias. A preocupação com o setor agrícola ganhou força depois que os EUA anunciaram um pacote de US$ 12 bilhões em ajuda a agricultores afetados pela guerra comercial com a China.
Segundo a reportagem, os EUA vinham expressando preocupação com a proteção de mais de 340 produtos alimentícios específicos no acordo Mercosul-UE. Um negociador do bloco sul-americano afirmou ao jornal que a questão das indicações geográficas é uma reclamação antiga dos norte-americanos, embora não tenha havido contato recente sobre o tema.
O jornal britânico observa ainda que o debate ocorre em um momento em que Washington busca ampliar sua influência geopolítica no hemisfério ocidental. Ao mesmo tempo, a UE vê o acordo como uma forma de contrabalançar o protecionismo e as tarifas impostas pelos EUA.
Apesar da oposição de agricultores europeus, que alegam padrões mais baixos de produção nos países do Mercosul, a maioria dos Estados-membros da UE aprovou os termos do tratado na última semana. Ao comentar o acordo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o pacto demonstra que a Europa “traça o seu próprio caminho” e fortalece a relação com a América Latina, ressaltou o Financial Times.
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