Marcos Fava Neves
Especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio
Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão
Opinião
Marcos Fava Neves: 5 pontos para ficar de olho no mercado agro em julho
Setor agrícola entra no segundo semestre atento ao desempenho das safras, efeitos climáticos, mudanças fiscais e cenário geopolítico
26/06/2025 - 08:00

Ponto 1. Ritmo de moagem da cana-de-açúcar
A safra 2025/26 começou em ritmo lento, com retração de 32,9% frente ao mesmo período do ciclo anterior, mas houve recuperação na segunda quinzena de maio, reduzindo o recuo para 11,8%. Agora, é preciso avaliar se haverá consolidação da retomada do ritmo de colheita e quais serão os impactos climáticos na produtividade agrícola ao longo da temporada.
No mercado internacional, a retomada das exportações da Índia (35 milhões de toneladas em 2025/26) e da Tailândia (10 milhões de toneladas) deve ampliar o excedente global, que pode chegar a 3,7 milhões de toneladas, mantendo a pressão baixista sobre os preços. Além disso, as tarifas dos Estados Unidos valorizaram o real, o que reduziu a receita dos exportadores brasileiros — um fator que exigirá ajustes na comercialização e uma gestão mais atenta ao risco cambial.
Ponto 2. Mercado de etanol
O Governo Federal oficializou a decisão sobre a elevação da mistura de etanol anidro de 27% para 30%, chegando no chamado E30. Essa medida terá grande impacto sobre a demanda interna pelo biocombustível. Além disso, a elevação dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito recente entre Israel e Irã, pode aumentar a competitividade do etanol frente à gasolina.
Ponto 3. Colheita do milho no Brasil e lavouras nos EUA
Acompanhar a evolução da colheita do milho segunda safra no Brasil, que representa cerca de 80% da oferta nacional do cereal, é essencial. É necessário avaliar as produtividades registradas no campo e validar as estimativas trazidas por consultorias e pela Companhia Nacional de Abastecimento. Ao que tudo indica, o país se aproxima de uma oferta sólida de cerca de 130 milhões de toneladas.
Também é importante observar o desenvolvimento das lavouras de grãos nos Estados Unidos (EUA). No boletim do Departamento de Agricultura dos EUA de 16 de junho, 13% das áreas de milho estavam em condição excelente (contra 15% em 2024) e 59% em boas condições (contra 27% em 2024). Para a soja, 10% das áreas estavam excelentes (2024: 12%) e 56% boas (2024: 28%). Acompanhar esse desenvolvimento é crucial para mapear possíveis ganhos ou perdas, com impactos diretos sobre os preços internacionais.
Ponto 4. Clima
Julho será um mês crucial para acompanhar a transição climática. Há uma probabilidade de 41% de desenvolvimento do fenômeno La Niña para o próximo verão no Hemisfério Sul — entre o final de 2025 e o início de 2026. No entanto, o cenário de neutralidade ainda apresenta a maior probabilidade, com 48%. Esses fatores climáticos podem influenciar diretamente o desempenho agrícola e o mercado de commodities.
Ponto 5. Cenário geopolítico
É fundamental manter atenção à geopolítica global, ao câmbio e ao cenário internacional, cada vez mais volátil. É necessário seguir atento às negociações no mercado internacional, principalmente em relação às movimentações dos EUA, que seguem sendo uma fonte relevante de incertezas. As políticas tarifárias e as oscilações cambiais têm potencial de impactar, direta ou indiretamente, o mercado agrícola. Monitorar esses fatores ajudará a antecipar riscos e oportunidades no comércio exterior do setor.
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