Francisco Turra
Presidente dos Conselhos de Administração da APROBIO e Consultivo da ABPA, ex-ministro da Agricultura
Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão
Opinião
A maturidade do biodiesel nacional na COP 30
Com impacto direto no agronegócio, biodiesel se consolidou como uma solução mais efetiva de curto prazo para a descarbonização
08/10/2025 - 05:00

Em 20 anos, o setor do biodiesel enfrentou muitos desafios e superou a todos se posicionando como uma solução madura, de qualidade, de menor custo para a descarbonização e com alta capacidade instalada. Após momentos infundados de desconfiança da ampliação da mistura, hoje o setor trabalha com 15% de biodiesel (B15) no diesel fóssil e segue forte para atingir 25% nos próximos anos.
As narrativas que colocavam em dúvida esse avanço há cinco anos foram vencidas pela realidade da qualidade do produto. O setor do biodiesel está muito próximo da indústria automotiva, buscando soluções para aperfeiçoar e ampliar, cada vez mais, o uso do combustível. Na imprensa, são anunciados exemplos de testes de caminhões, trens, navios, geradores e máquinas agrícolas com misturas maiores, de B30, B50 e até B100. Já confirmamos a qualidade da operação de biodiesel em combustível para a indústria naval.
Muito se falou de outras rotas tecnológicas, como veículos elétricos, e o fim de veículos a combustão, mas o biodiesel se consolidou como uma solução mais efetiva de curto prazo para a descarbonização. O Brasil já é uma referência mundial em produção de energia sustentável e a nossa Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), um exemplo para muitos países.
Nosso país tem condição de aproveitar o seu enorme potencial em geração de energia a partir da biomassa e possui capacidade de aumentar a produção de biocombustíveis, assim como a produção de alimentos. Muito além de ser eixo da transição energética no Brasil para o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris, os biocombustíveis no Brasil são fatores essenciais do desenvolvimento sustentável do País.
Ele tem impacto direto na cadeia de agronegócio, com agregação de valor na produção de soja e maior competitividade para a produção de alimentos com consequente preço mais baratos na gôndola do supermercado. Os investimentos em novas usinas estão a todo vapor, com ampliação de capacidade de produção de biodiesel e na estrutura de esmagamento de soja. O biodiesel amplia a geração de PIB brasileiro e promove o crescimento de empregos no setor.
Com todas essas credenciais, deveria ser uma conclusão óbvia que a COP 30 fosse movida a biodiesel. Uma decisão importante saiu publicada no Diário Oficial da União do dia 19 de setembro. Trata-se do Decreto nº 12.629, que foi assinado pela Presidência da República, no dia anterior, que define Acordo entre o Secretariado da Convenção e o Governo Federal da República Federativa do Brasil sobre a COP 30.
No Anexo XV, “Sustentabilidade, neutralidade carbônica e acessibilidade da Conferência”, ítem 5.6 – Energia do local, é destacada a importância de priorizar “fontes alternativas de energia de baixo carbono e energia renovável, sempre que possível, para iluminação temporária e, caso o uso de geradores seja inevitável, fontes como Óleo Vegetal Hidrotratado (HVO) e Biodiesel podem ser utilizadas em vez do diesel”.
O evento, que será em Belém do Pará, em novembro, tem sido chamado justamente da COP da implantação, porque precisamos transformar compromissos, como os estabelecidos no Acordo de Paris, em ações concretas com resultados comprovados.
A oportunidade aberta no decreto deve ser explorada e ampliada porque o evento dessa importância e representatividade no debate global sobre descarbonização e transição energética deve ser abastecido com biocombustível. E com muito biodiesel!
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