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Agropolítica

RS: governo quer abrir corredores para entrega de alimentos e ração animal

Há o temor de que a população gaúcha enfrente o desabastecimento de produtos por 30 dias, prevê ABPA

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Sabrina Nascimento

06/05/2024 - 16:05

Fonte: Prefeitura de Santa Maria (RS)/Divulgação
Fonte: Prefeitura de Santa Maria (RS)/Divulgação

Monitorando o risco de desabastecimento, o governo do Rio Grande do Sul avalia abrir corredores nas estradas para a distribuição de alimentos e ração animal às áreas afetadas pelas enchentes no estado. A medida foi discutida nesta segunda, 06, em reunião com entidades do setor agropecuário.

Ao Agro Estadão, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) informou que estuda-se usar caminhões menores, com cargas pouco volumosas para realizarem esses carregamentos. 

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O transporte desses produtos é um ponto de muita análise, pois a infraestrutura do estado foi praticamente arruinada e ainda há dezenas de pontos de bloqueios nas estradas e rodovias. “Os números das placas dos veículos seriam repassados para as equipes nas estradas, para que eles possam trafegar, já que não se pode andar em todas as estradas”, explica Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

A entidade entende que essa ação é crucial no “cenário de guerra vivido pelos gaúchos”. “A prioridade, claro, é resgatar e salvar vidas”, afirma o dirigente. Contudo, o risco de desabastecimento volta um pouco dos olhares ao setor agropecuário. 

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), “dez unidades produtoras de carne de aves e de suínos estão paralisadas ou com dificuldades extremas de operar pela impossibilidade de processar insumos ou de transportar colaboradores.” 

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Atualmente, o RS produz 11% da produção de carne de frango e 19,8% da produção de suínos nacional. 

Com a inviabilização temporária de núcleos de processamento, há o temor de que a população gaúcha enfrente o “desabastecimento de produtos até a retomada do sistema de produção. O que poderá demorar mais de 30 dias”, projeta a ABPA em nota.

As perdas, ainda a serem contabilizadas, levam produtores a terem perspectiva zero de arcar com financiamentos neste momento. Medidas de renegociação de dívidas foram anunciadas pelo Banco do Brasil. 

Porém, na avaliação da Fetag-RS, outras ações ainda precisam ser adotadas, visto que, “muitos agricultores voltaram a perder tudo”. “É caótico o que estamos vivendo. Precisamos que o governo prorrogue todos os financiamentos do Rio Grande do Sul por 60/90 dias”, diz Carlos Joel. Segundo ele, esse prazo seria ideal para que os agricultores e criadores possam avaliar o “tamanho do estrago”. 

A entidade defende também a criação futura de um canal de diálogo para discussão de ações voltadas ao RS, recursos extraordinários, linhas especiais de financiamento e investimento massivo em infraestrutura. Medidas a serem adotadas após o resgate de todas as vítimas da tragédia, reitera a Federação. 

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