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Pecuária

Morte de 48 vacas em propriedade do RS causa prejuízo de R$ 600 mil

Caso levantou suspeita de intoxicação alimentar; Secretaria de Agricultura de Novo Xingu (RS) diz que não há prazo para conclusão dos exames

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Redação Agro Estadão

13/01/2026 - 16:04

Principal linha de investigação para morte dos animais aponta para intoxição por nitrito. Foto: Secretaria de Agricultura Novo Xingu (RS)
Principal linha de investigação para morte dos animais aponta para intoxição por nitrito. Foto: Secretaria de Agricultura Novo Xingu (RS)

Autoridades agropecuárias do Rio Grande do Sul investigam a morte de 48 vacas em lactação em uma propriedade rural de Novo Xingu, no norte do Estado. O caso levantou alerta sobre uma possível intoxicação alimentar no rebanho, com perda estimada em mais de R$ 600 mil. 

Os animais pertenciam ao casal de produtores Vanderlei Vitter e Solange Vitter e representavam praticamente toda a produção leiteira da propriedade. A Prefeitura de Novo Xingu informou que acompanha o caso desde as primeiras horas do ocorrido, no dia 2 de janeiro. 

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Segundo o secretário municipal de Agricultura e Pecuária, Sérgio Celso Tasso, a principal linha de apuração considera uma intoxicação por nitrito, relacionada à pastagem, possivelmente agravada pelas condições climáticas recentes. “A combinação de chuvas frequentes, alta umidade e baixa incidência de sol pode interferir no metabolismo das plantas, favorecendo o acúmulo de substâncias tóxicas”, afirmou.

A intoxicação por nitrito acontece quando o gado come pasto com excesso de nitrato, que, dentro do organismo, impede o sangue de levar oxigênio para o corpo do animal. Isso pode ocorrer após períodos de muita chuva e pouco sol, quando a planta acumula esses compostos. Nesses casos, o animal passa a ficar fraco, tem dificuldade para respirar, cai e pode morrer rapidamente, muitas vezes sem tempo para tratamento.

Além do impacto econômico, sentimento de impotência

De acordo com os produtores, no dia do ocorrido, as atividades começaram dentro da normalidade. Ao buscar o gado no piquete para a ordenha, no entanto, Vanderlei encontrou os primeiros animais caídos. Em poucos minutos, outras vacas passaram a apresentar sintomas graves, caindo pelo caminho e morrendo rapidamente, sem que houvesse tempo hábil para contenção do quadro.

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Então, veterinários, técnicos de cooperativas, profissionais da secretaria Municipal de Agricultura e parceiros da região foram acionados ainda pela manhã. Protocolos de emergência e tentativas de medicação foram adotados ao longo do dia, mas nenhuma das medidas surtiu efeito. As mortes ocorreram de forma sucessiva.

Amostras de solo, forragem e tecidos dos animais foram coletadas e encaminhadas para análise laboratorial. Entretanto, conforme a secretaria de Agricultura municipal, ainda não há prazo para a conclusão dos exames. Não se descarta a possibilidade de que os resultados não indiquem uma causa definitiva — cenário já observado em episódios semelhantes registrados no Estado.

As vacas perdidas produziam, em média, entre 1,1 mil e 1,2 mil litros de leite por dia. O volume garantia à família uma renda mensal estimada entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Com a interrupção total da atividade, os produtores relatam dificuldades para honrar financiamentos, manter investimentos e cobrir despesas operacionais da propriedade.

Além do impacto econômico, o episódio teve forte repercussão emocional. “É um sentimento de impotência. A gente cria, cuida, trata como parte da família e, de repente, não consegue fazer nada”, disse Solange Vitter.

Diante da situação, produtores da região e integrantes da comunidade local passaram a se mobilizar para prestar apoio à família, com doações financeiras e oferta de animais para recomposição do rebanho. A prefeitura informou que organiza uma campanha solidária para auxiliar na retomada gradual da atividade leiteira na propriedade.

Apesar das perdas, o casal afirma que pretende continuar na atividade. Há quase 30 anos na produção de leite, Vanderlei e Solange dizem buscar alternativas para recomeçar.

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