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Inovação

Plataforma com IA ajuda na gestão e aumenta ganhos na cadeia do óleo de palma

Tecnologia de empresa da Malásia está sendo introduzida no Brasil e traz rastreabilidade da produção

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

04/07/2025 - 08:00

Foto: Carlos Cordeiro/Arquivo Pessoal
Foto: Carlos Cordeiro/Arquivo Pessoal

A palma de óleo, também chamada de dendê, é muito conhecida entre os brasileiros. É dela que se extrai o azeite de dendê assim como o óleo de palma, produtos amplamente utilizados em receitas da culinária brasileira e na indústria alimentícia. 

Apesar de comum, o Brasil não é um dos principais produtores. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), apenas 0,78% da produção mundial de óleo de palma é feita aqui. Na intenção de melhorar a produção nacional, a startup paulista FIT trouxe para o mercado brasileiro a plataforma My Palm, que faz a gestão de toda a cadeia de produção dessa commodity.

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“A ideia é que ele seja um sistema que consiga abranger toda a cadeia, desde o berçário até a plantação”, comenta ao Agro Estadão o responsável pela ferramenta na FIT, Carlos Cordeiro. Para dar conta de tudo isso, a ferramenta tem 14 módulos que podem ser operados de forma isolada ou em conjunto, a depender da demanda. 

A tecnologia é de uma empresa da Malásia. O país do Sudeste Asiático, junto com Indonésia e Tailândia, é responsável por aproximadamente 87% da produção mundial. A parceria entre as empresas é recente e as primeiras introduções da plataforma no Brasil acontecem em uma indústria processadora no Pará. 

Ainda conforme Cordeiro, um dos principais desafios desse segmento agroindustrial é o potencial de óleo que um fruto tem. Dependendo da concentração existente, a extração se torna inviável economicamente. Por isso, a ferramenta ajuda a otimizar a gestão, além de poupar tempo e mão de obra. 

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“Você tem um conjunto de dados gerados no processo. Uma vez interpretados pela plataforma, ela devolve ao operador, ao gerente da unidade, informações que permitam que ele consiga ajustar o processo de extração para se adaptar a mudanças de matéria-prima e isso garante resultados muito interessantes”, pontua. Para fazer isso, a ferramenta conta com recursos de inteligência artificial. 

Além disso, um dos módulos presentes no My Palm é o módulo agrícola. Esse módulo se divide em dois: um de evolução das plantas e outro de gestão, que envolve a produção por palmeira, por exemplo. Segundo a diretora de Inovação e Relacionamento da FIT, Silvia Azevedo, a estratégia no Brasil está voltada para as indústrias devido a uma característica da produção nacional. Por isso, a oferta da tecnologia no Brasil é do módulo industrial, que tem parte dos elementos do módulo agrícola. 

“Devido a um incentivo do próprio Estado, a maior parte das empresas que processam o óleo tem a sua própria produção, tem sua parte agrícola. E tem uma outra parte, que também foi incentivada pelo Estado, que é a produção pela agricultura familiar. Então as pessoas produzem nas suas áreas, mas muitos delas fazem um sistema meio que associativo e em que combinam com a indústria a venda da produção. Então a gente está introduzindo a ferramenta agora e, pelo arranjo que tem no Brasil, eu entendo que até os agricultores familiares poderão se beneficiar disso”, acrescenta a diretora. 

Facilidade no rastreamento

O óleo de palma é uma das commodities vistas como prejudiciais ao meio ambiente. Parte dessa visão vem devido à derrubada de florestas tropicais no Sudeste Asiático para a plantação das palmeiras. Essa é uma das sete commodities foco da lei antidesmatamento da União Europeia

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“Essa questão da rastreabilidade é super importante porque hoje muitas empresas não querem comprar um óleo de palma que não tenha essa garantia de que o produto veio de uma fazenda sustentável […]  Então a possibilidade de você ter essa rastreabilidade é muito relevante”, ressalta Azevedo. 

Como explica o responsável da ferramenta na FIT, a plataforma oferece a possibilidade desse rastreio usando conferências de fotos e mapas. “Tem um mecanismo muito parecido com a Uber, na qual você tem origem, destino e rota e você consegue fazer o mapeamento de toda a rota da matéria-prima desde a origem até a fábrica. […] Esse mecanismo é auxiliado com fotos, então você é obrigado, no momento da tua colheita, a tirar uma foto do caminhão e essa foto pode ser comparada com o que está chegando na indústria”, explica.

Ganho por teor de óleo

A FIT também está fazendo a incorporação na plataforma de outra tecnologia, a SpecFit — desenvolvido pela startup em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O equipamento, já vendido no mercado brasileiro e latino, permite identificar o teor de óleo de um fruto enquanto ele ainda está no cacho ou mesmo em outros pontos do processo de produção.

“Com essa aplicação o produtor vai poder saber, usando o nosso equipamento, quando é que o fruto dele está no ponto certo de vender e com isso ele vai conseguir ganhar mais. Hoje as empresas já pagam pelo teor de óleo. Aqui no Brasil menos, mas lá no Sudeste Asiático isso já é uma prática comum”, aponta Azevedo.

Como também explica a diretora, enquanto o SpecFit funciona com um “sensor que gera dados”, a integração com o My Palm vai “compilar esses dados” e fazer com eles sejam “entregues de maneiras mais inteligentes”. Assim a empresa pode tomar decisões muito mais assertivas no processo”, complementa. 

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