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Criadora de suínos sobre dificuldade para alimentar animais após enchentes no RS: “a gente coloca a vida em risco”
Pontes foram destruídas e granjas isoladas em grande parte do Rio Grande do Sul; 30% dos abates estão parados
Sabrina Nascimento | Atualizado às 10h45 do dia 14/05/2024
09/05/2024 - 18:29

A água começou a baixar em algumas regiões do Rio Grande do Sul, revelando a destruição causada pelas enchentes, como neste vídeo enviado ao Agro Estadão. A região que aparece com lama e árvores derrubadas, fica no Vale do Taquari, que foi bastante afetada.
Três pontes na região foram derrubadas pela força das águas, prejudicando o acesso a algumas propriedades rurais. Uma delas é da criadora de suínos Priscila Bonfati, de Encantado. A falta de infraestrutura obriga a produtora a pensar em alternativas para chegar na granja e alimentar os 2.200 animais, mas nem sempre seguras.
“Para ter acesso à granja a gente coloca a vida em risco. Há uma extensão de 1km/1,5km que tem uma rachadura de 2 metros no morro, mas estamos passando porque é o único acesso”, contou ao Agro Estadão. “Na terça e na quarta que a gente tirou os leitões e levou ração era tudo com caminhonete mais leve”, comenta.
Priscila também tem uma unidade em Nova Bréscia, município vizinho a Encantado, onde cria 1.100 suínos. As perdas nas duas localidades ainda estão sendo calculadas. “A nossa maior perda é de produtividade, sem dúvida”, conta. Além disso, ela diz que alguns leitões sumiram na enxurrada.
No vídeo abaixo é possível observar as instalações da granja ainda estão alagadas. Na gravação, imagens de leitoas deitadas enquanto amamentam, se misturam a cenas de outros animais que morreram devido às enchentes.
As fortes chuvas também danificaram os silos da propriedade que armazenam a ração dos animais. Segundo a criadora, há risco de desmoronamento das estruturas.
Abates suspensos e trabalhadores sem conseguir chegar nas indústrias
Como resultado das inundações e destruição de estradas do Rio Grande do Sul, cerca de 30% dos abates de suínos foram paralisados. A informação foi dada ao Agro Estadão pelo presidente da Fundesa-RS, Rogério Kerker.
Segundo ele, a logística tem sido o maior gargalo neste momento, tanto para transportar animais vivos para o abate, quanto em relação à mão de obra, já que muitos dos funcionários não conseguem chegar às unidades processadoras. “Mesmo que as indústrias tivessem condições, e tem condições de abate, os colaboradores estão vulneráveis, alguns perderam tudo e outros estão com dificuldades de locomoção”, conta Kerker ao Agro Estadão.
Levantamento realizado pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) mostra que as enchentes no RS vêm dificultando o translado de suíno vivo para abate, de carnes aos mercados atacadistas e também de insumos utilizados pela atividade. Como consequência, o ritmo de negócios dentro e fora do estado está bastante lento.
De acordo com o Cepea, alguns municípios não abrangidos pela pesquisa foram atingidos com maior intensidade, com relatos de perda de animais e estragos mais graves.
O especialista em proteína animal do Rabobank, Wagner Yanaguizawa, avalia os possíveis efeitos, em curto prazo, das perdas na cadeia de suínos do RS. “Podem ocorrer desabastecimento, tanto para o mercado local como para cumprir contratos de exportação. Mudança nos hábitos de consumo com consumidores elevando a compra de alimentos para estocar e com maior shelf life (validade da mercadoria) intensificam essa tendência”, explica.
No ano passado, o Rio Grande do Sul foi o terceiro estado com o maior abate de suínos, equivalente a 19,87%. Isso representa 9,2 milhões de cabeças abatidas no período. Além disso, o estado gaúcho representou 23,1% do total exportado de carne suína em 2023.
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