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Dia do Agricultor: Agricultores em transformação
Os agricultores, ainda de maioria masculina à frente das fazendas, mantêm tradição na agricultura. Mas as alterações climáticas, a evolução no mercado e na sociedade tem acelerado mudanças

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, com destaque para grãos, frutas, café e açúcar. Além de grandiosa, a produção é tão variada quanto as histórias dos agricultores, que transformam a terra em morada e negócio. Em geral, a relação com essa terra vem de família e segue a tradição, mas o dinamismo do mercado é um fator que pesa cada vez mais na gestão no campo.
É o caso de Benedito Dutra, agricultor familiar na região de Bracatinga, no Pará, que até 2012 plantava feijão caupi, mas decidiu migrar para a mandioca. A transição não foi apenas uma mudança de cultura, mas uma estratégia para lidar com os desafios econômicos que ele começou a enfrentar com a remuneração da produção e algumas perdas nas lavouras devido ao clima.
“Quando eu tomei a decisão, valeria a pena plantar um hectare de mandioca em relação a três de feijão caupi, principalmente em relação ao risco”, explica Dutra. “Feijão caupi, em 90 dias, pode transformar uma unidade monetária em três, mas também pode deixar te devendo duas. Mandioca, na pior das hipóteses, paga o custo.”

A dedicação e o empreendedorismo na produção de maniva de mandioca (folha moída da mandioca) deram resultado além do campo e, este ano, Dutra foi reconhecido como o maniveiro referência nacional pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Orgulho para quem faz parte dos 77% de agricultores considerados familiares, segundo o IBGE.
Qualificando a tradição
Outro exemplo de dedicação à agricultura vem da região sudoeste de Minas Gerais. Fernando Barbosa é a terceira geração da família envolvida na cafeicultura, e administra o sítio em São Pedro da União. Assim como inúmeros agricultores brasileiros, a história de Barbosa é marcada por desafios e superação.
Ao longo dos anos, ele enfrentou secas severas, geadas e chuvas de granizo, que vez ou outra, resultaram em grãos miúdos. E de olho no maior desafio, Barbosa apostou na qualificação. “O consumidor está cada vez mais exigente, quer qualidade e também saber mais sobre o produto que está consumindo”, afirma. Por isso, ele fez 26 cursos, desde a produção até a degustação de cafés especiais, a maior parte por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).


Com foco na rastreabilidade e na sustentabilidade, o agricultor conta que o café não é só um produto. “O café nos move. Desde a semeadura até o consumo final, ele passa por várias mãos, cada uma agregando valor e qualidade”, diz com orgulho.
Ao seguir os passos do avô e do pai, Barbosa fortaleceu a tradição familiar. “Hoje meu filho também já está no mesmo processo. Então, o café é importante porque ele traz a nossa história”, conta Barbosa, emocionado com a união entre o passado e o futuro.
A agricultura é familiar, mas o comando ainda está com os homens
Entre os cinco milhões de produtores rurais no País, a maior parte é formada por homens entre 45 e 64 anos, de acordo com o último Censo Agropecuário do IBGE (2017). As regiões norte e nordeste têm mais mulheres à frente do negócio, mas ainda em índices abaixo de 30%.

O curioso é que, mesmo com o homem sendo o principal responsável, 20,3% das fazendas brasileiras são dirigidas por casais. São as mudanças sociais em curso. É assim que Simone Dameto produz soja e girassol em Goiás – dividindo as atividades com o marido há sete anos.
Além de integrar um grupo restrito no agro, Simone é um exemplo de que nem todo mundo que vive do campo nasceu no campo. A engenheira agronômica não seguiu a rota tradicional da sucessão familiar, mas abraçou a agricultura por paixão. “Eu sempre tive contato com o agro, mas estar no agro foi uma escolha”, conta.

Agro influencers
Mais do que uma escolha, a agricultura está sendo uma forma de vida para a Simone. Ela faz parte da nova geração que está emergindo com força e inovação no campo. Jovens agricultores que também estão nas redes sociais para falar sobre o setor.
“Quando comecei a compartilhar minha vida nas redes sociais, não tinha a intenção de me tornar uma influenciadora. Queria apenas mostrar a minha rotina como mulher no agro e conectar com um público que eu nem imaginava atingir”, explica Simone.
Hoje, a agricultora e influenciadora soma mais de 29 mil seguidores no perfil @sidameto, no Instagram, chegando não somente aos homens e mulheres do campo, como também à cidade e aos estudantes interessados na agricultura.
“Acredito que o conhecimento abre portas. Espero que o que compartilho inspire as pessoas e mostre a importância da busca por capacitação e pelo reconhecimento no setor”, destaca, ao comentar que a comunicação eficaz é essencial para combater informações errôneas e fortalecer a imagem do agro.
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