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Alesp aprova mudanças na carreira de pesquisadores; associação vai à Justiça

Nova lei altera modelo de remuneração e cria nova comissão de avaliação; APqC afirma que medidas são um “desmonte ao sistema de ciência e tecnologia” de SP

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Igor Savenhago* | Ribeirão Preto (SP)

15/10/2025 - 10:58

Foto: IAC/Divulgação
Foto: IAC/Divulgação

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, nesta terça-feira, 14, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 9/2025, que redefine a carreira de pesquisadores científicos vinculados às secretarias estaduais de Agricultura e Abastecimento; Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística; e Saúde. A proposta, de autoria do Executivo, segue agora para sanção do governador, Tarcísio de Freitas. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado (APqC) diz que vai recorrer à Justiça contra o que considera “um desmonte no sistema de ciência e tecnologia no Estado”. 

O texto promove mudanças na Lei Complementar nº 125/1975 – que foi responsável pela estruturação da carreira e é considerada um dos pilares da política estadual de ciência, tecnologia e inovação – e propõe uma nova organização, em três categorias e seis níveis de progressão para cada uma delas, totalizando 18 – atualmente, são seis. Com isso, conforme a associação, o tempo necessário para se chegar ao último nível, que era, em média, de 16 anos, passará para 24. 

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“Muitos institutos de pesquisa já lutam para manter suas linhas de trabalho ativas por falta de servidores. Fragmentar ainda mais a carreira vai torná-la menos atrativa e empurrar a pesquisa pública paulista para um processo inevitável de enfraquecimento”, afirma a presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens.  

A nova lei também muda o regime de trabalho de dedicação exclusiva e estabelece carga horária máxima de 40 horas semanais. A remuneração para novos pesquisadores passa a ser por subsídio – apenas os que já estão na ativa poderão optar por manter o modelo atual, que inclui gratificações por tempo de serviço, ou aderir ao novo sistema.  

O PLC ainda cria a Comissão Permanente de Avaliação de Desempenho e Desenvolvimento, que terá 13 pesquisadores da carreira, sendo 12 designados pelo governador a partir de uma lista com 24 nomes indicados pelas Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica de São Paulo (ICTESP) e mais de um livre escolha do Executivo. O grupo, que vai substituir a Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI), composta por representantes eleitos pelos próprios pesquisadores, será responsável pelos processos de promoção e progressão da categoria. 

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“É uma medida extremamente arbitrária, irresponsável, que vai destruir um sistema de avaliação que evoluiu e se aperfeiçoou ao longo de 50 anos para criar não sabemos o que no lugar, uma vez que a lei não detalha, e também não sabemos os verdadeiros motivos que estão por trás desse desmonte”, declara o presidente da CPRTI, Frederico Arzolla.

Debate e divergências

Antes da votação, o projeto foi tema de debates intensos. Chegou a entrar na pauta da Alesp há duas semanas, mas acabou não sendo votado. Nesse meio tempo, a APqC foi recebida pelo governo, na Casa Civil, e pediu a retirada do texto para que as discussões fossem aprofundadas. No dia 7 de outubro, em audiência pública na Assembleia, representantes da associação criticaram novamente as mudanças, o que vinham fazendo desde abril, quando o PLC foi encaminhado pelo Executivo em regime de urgência. 

O governo alega que a nova lei vai modernizar a carreira, visando maior alinhamento com as diretrizes da ciência e da inovação. O secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento, Orlando Melo, argumenta que ela reduzirá em cerca de dez anos o tempo médio de ascensão dos ingressantes, equiparando-se ao modelo das universidades. Ainda conforme o Executivo, a proposta é resultado de um amplo processo de diálogo com os pesquisadores desde 2024, o que é negado pela APqC. 

Durante a votação, a base governista se posicionou a favor do projeto, enquanto parlamentares da oposição classificaram as mudanças como retrocesso. Para Guilherme Cortez (PSOL), as mudanças alteram a carreira justamente no ano em que ela completa 50 anos de história, comprometendo a estrutura e o tempo necessários aos estudos científicos. 

Na Justiça

Em nota, a presidente da APqC afirmou que tentou sensibilizar os deputados sobre a desestruturação da ciência paulista, mas que os argumentos foram ignorados. “Diante da aprovação, iremos entrar com uma ação na Justiça, porque as pesquisas públicas estão ameaçadas e a sociedade será duramente afetada”, diz Helena.

*Com informações do Broadcast Agro

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