Economia
USDA reduz safra de soja e milho dos EUA; safra do Brasil segue estável
Após shutdown, Departamento de Agricultura norte-americano publicou relatório de oferta e demanda mundial de grãos
Redação Agro Estadão
14/11/2025 - 15:51

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta sexta-feira, 14, o relatório de oferta e demanda mundial de grãos. A publicação ocorre após semanas de atraso provocado pela paralisação do governo federal, no maior shutdown da história do País. Como esperado pelos agentes do mercado agrícola, o relatório de novembro confirmou o encolhimento da safra de grãos norte-americana e a ampliação do Brasil e da Argentina no mercado global.
No caso da soja, a produção dos EUA foi revisada para 115,75 milhões de toneladas, abaixo das 117,05 milhões de toneladas estimadas em setembro. O ajuste decorre da queda na produtividade, que passou de 53,5 para 53 bushels por acre. A menor oferta também reduziu os estoques finais, agora calculados em 7,89 milhões de toneladas, ante 8,16 milhões anteriormente.
As exportações norte-americanas também foram revisadas para baixo: passando de 45,86 milhões para 44,49 milhões de toneladas. O resultado foi pressionado pelo “avanço das vendas externas do Brasil e pela recente janela de competitividade da Argentina, que reduziu impostos de exportação em setembro”. Mesmo assim, o aperto na oferta levou o USDA a elevar o preço médio pago ao produtor norte-americano de US$ 10,00 para US$ 10,50 por bushel diante de um consumo interno estável.
No milho, embora o USDA tenha reduzido a produtividade, a produção norte-americana foi estimada em 426,7 milhões de toneladas – queda de 1,57 milhão em relação a setembro. Já as exportações ganharam força e devem alcançar 78,7 milhões de toneladas, impulsionadas pelo ritmo elevado de embarques em setembro e outubro. Os estoques finais também cresceram, chegando a 55,9 milhões de toneladas.
Brasil
Enquanto isso, o Brasil mantém desempenho robusto. A produção brasileira de soja segue estimada em 175 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 112,5 milhões de toneladas, “compensando parte da queda na oferta dos EUA”. Com isso, os estoques finais brasileiros recuaram para 36,36 milhões de toneladas, refletindo a forte demanda internacional.
No milho, a previsão de produção para a safra 2025/26 permaneceu em 131 milhões de toneladas. Os estoques finais caíram para 3,53 milhões de toneladas, enquanto as exportações seguiram projetadas em 43 milhões de toneladas.
Argentina
No caso da Argentina, a produção de soja seguiu em 48,5 milhões de toneladas, enquanto as exportações foram ampliadas para 8,25 milhões de toneladas, resultando em estoques finais de 22,85 milhões de toneladas.
Para o milho, a produção permanece em 53 milhões de toneladas e as exportações seguem em 37 milhões de toneladas. Com elevação para os estoques finais que devem encerrar o ciclo atual em 4,19 milhões de toneladas.
Mundo
Com o cenário projetado nos principais produtores mundiais de grãos, o USDA prevê uma produção global de 421,75 milhões de toneladas de soja — abaixo dos 425,87 milhões de toneladas projetadas em setembro.
A mesma redução é observada no milho, porém, com um corte menor: 1,287 bilhões de toneladas de produção mundial estimada para o ciclo 2025/26 ante 1,286 milhões de toneladas previstas no último relatório.
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