Economia
Pragas secundárias: entenda a ameaça oculta e proteja sua produção agrícola
Pragas secundárias exigem monitoramento para proteger a produção e evitar perdas
Redação Agro Estadão*
14/09/2025 - 07:00

As pragas secundárias representam uma ameaça muitas vezes subestimada na agricultura brasileira. Embora frequentemente negligenciadas, essas pragas podem se transformar em um problema significativo para os produtores rurais.
Compreender sua natureza e impacto é fundamental para um manejo eficaz da lavoura e para garantir a saúde e produtividade das culturas.
O que são pragas secundárias e como se diferenciam das primárias?
As pragas secundárias são espécies que, em condições normais, não causam danos econômicos significativos às culturas. Segundo a Embrapa, essas pragas geralmente ocorrem em baixas populações, são controladas por inimigos naturais ou são sensíveis a condições ambientais específicas.
Por outro lado, as pragas primárias ou pragas-chave são aquelas que consistentemente causam perdas econômicas e exigem controle contínuo.
A distinção entre pragas primárias e secundárias é essencial para o planejamento de estratégias de manejo. Enquanto as pragas primárias demandam atenção constante, as secundárias requerem monitoramento para evitar que se tornem problemas maiores.
Principais pragas secundárias no contexto agrícola

No cenário agrícola brasileiro, diversas espécies são consideradas pragas secundárias. Entre elas, destacam-se:
- Insetos: roca (Strategus aloeus), vaquinha (Himatidium neivai), raspadores (Delocrania cossyphoides e Haemisphaerota tristis), minador (Taphrocerus cocois), e algumas espécies de lagartas (como Synale hylaspes e Automeris cinctistrigata).
- Ácaros: tetranychus mexicanus e Retracrus johnstoni são exemplos de ácaros que podem se tornar problemáticos em certas condições.
- Outros organismos: saúvas, gafanhotos, tripes, cupins e até mesmo ratos podem ser considerados pragas secundárias em determinados contextos agrícolas.
É importante ressaltar que a classificação de uma praga como secundária pode variar dependendo da região, da cultura e das condições ambientais específicas.
Por que as pragas secundárias podem se tornar um problema na sua lavoura?
O desequilíbrio ecológico é o principal fator que leva uma praga secundária a se tornar uma praga-chave. O uso indiscriminado de defensivos agrícolas pode eliminar os inimigos naturais dessas pragas, permitindo que suas populações cresçam descontroladamente.
Este fenômeno, conhecido como ressurgência, transforma espécies antes inofensivas em ameaças significativas para as culturas.
Condições climáticas atípicas também podem favorecer o desenvolvimento de pragas secundárias. Secas prolongadas, chuvas excessivas ou ondas de calor criam ambientes propícios para certas espécies se multiplicarem rapidamente.
Além disso, alterações no sistema de cultivo, como a adoção de monoculturas ou a introdução de novas variedades, podem inadvertidamente beneficiar algumas pragas secundárias.
Práticas de manejo inadequadas também contribuem para o surgimento de problemas com pragas secundárias.
Por exemplo, a irrigação excessiva pode criar condições úmidas que favorecem certas espécies de insetos, enquanto a adubação desequilibrada pode tornar as plantas mais suscetíveis a ataques.
Como identificar o aumento de pragas secundárias

O monitoramento regular da lavoura é crucial para identificar o aumento de pragas secundárias. Os produtores devem estar atentos não apenas às pragas primárias conhecidas, mas também a quaisquer alterações incomuns na população de insetos ou outros organismos.
Os danos causados por pragas secundárias podem ser sutis ou aparecer em momentos inesperados do ciclo da cultura. Por isso, é importante realizar inspeções detalhadas e regulares, observando cuidadosamente folhas, caules, frutos e raízes em busca de sinais de infestação.
A presença ou ausência de inimigos naturais é um indicador fundamental do equilíbrio biológico na lavoura. Uma redução significativa na população de predadores benéficos pode ser um sinal precoce de que as pragas secundárias estão ganhando terreno.
Estratégias eficazes para o manejo de pragas secundárias
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a abordagem mais eficaz para prevenir e controlar pragas secundárias. De acordo com a Embrapa, o MIP se baseia em cinco pilares principais: amostragem, uso de níveis de controle, rotação de culturas, controle biológico e uso seletivo de defensivos.
A preservação e introdução de inimigos naturais desempenham um papel crucial no MIP. O uso de inseticidas seletivos, que não afetam os organismos benéficos, é fundamental para manter o equilíbrio ecológico na lavoura.
Além disso, práticas agrícolas sustentáveis, como a rotação de culturas, o manejo adequado da palhada e a adubação equilibrada, ajudam a prevenir o surgimento de pragas secundárias.
O uso de variedades resistentes é outra estratégia importante no manejo de pragas. Cultivares desenvolvidas para resistir a certos tipos de pragas podem reduzir significativamente a necessidade de intervenções químicas.
Por fim, é essencial aplicar defensivos apenas quando estritamente necessário e sempre de acordo com as recomendações técnicas. A escolha de produtos com menor impacto sobre a fauna benéfica ajuda a preservar o equilíbrio natural do ecossistema agrícola.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Indústria reage a projeto que redefine teor de cacau no chocolate
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
4
Escassez e alta no preço do diesel se espalham e colocam o agro brasileiro em alerta
5
Navios com farelo de soja e milho do Brasil podem não chegar ao Irã, alerta S&P
6
John Deere anuncia férias coletivas e layoff em Horizontina (RS)
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis
Ação de Pequim amplia o risco global de desabastecimento em meio à guerra no Oriente Médio
Economia
Caminhoneiros: estado de greve continua; entidades devem se reunir com Boulos
Decisão da categoria transfere avaliação para a próxima semana, com negociações sobre diesel, frete e piso mínimo
Economia
Governo adia reunião e posterga decisão sobre aumento do biodiesel no diesel
Agenda segue sem nova data, enquanto setor produtivo pressiona por B17 em meio à escalada do petróleo no mercado internacional
Economia
Lucro da MBRF cai 91,9% e atinge R$ 91 milhões no 4º trimestre de 2025
Empresa reporta que desempenho reflete alta nas despesas financeiras e impactos da fusão e reestruturação
Economia
Governo endurece regras do frete; agro alerta para distorções e alta de custos
Segundo o ministro dos transportes, foram identificados 15 mil infratores da lei do frete mínimo, somando 40 mil registros até janeiro
Economia
Selic cai para 14,75% na Super Quarta; Fed mantém taxa americana
CNI vê excesso de cautela no corte da Selic e afirma que juros altos travam investimentos e agravam o endividamento
Economia
Indústria reage a projeto que redefine teor de cacau no chocolate
Texto aprovado na Câmara segue para o Senado, enquanto indústria alerta que mudanças podem frear inovação e novos produtos no país
Economia
Tilápia: importações superam exportações pela primeira vez e acendem alerta no setor
Alta das compras externas é impulsionada pelo valor de importação mais competitivo em relação à indústria brasileira