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Economia

Validação do CAR no Brasil triplica em um ano, aponta levantamento

Apesar do avanço estimulado por sistemas de automação, os dados compilados pelo CPI/PUC-Rio ainda mostram desigualdades persistentes entre os Estados

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

15/12/2025 - 05:00

Entre novembro de 2024 e novembro deste ano, índice de cadastros validados saltou de 3,3% para 9%. Foto: Adobe Stock
Entre novembro de 2024 e novembro deste ano, índice de cadastros validados saltou de 3,3% para 9%. Foto: Adobe Stock

A validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil triplicou em um ano, conforme dados compilados pelo Climate Policy Initiative, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) e antecipados ao Agro Estadão. 

Considerando o intervalo entre novembro de 2024 e o mesmo mês deste ano, o índice de cadastros validados — etapa que viabiliza a implementação do Código Florestal — subiu de 3,3% para 9%, correspondendo a cerca de 724 mil registros validados. O avanço, contudo, não se restringiu apenas a essa etapa. No mesmo período, a proporção de análises iniciadas saltou de 15% para 24% da base nacional, alcançando cerca de 1,9 milhões de registros.

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Segundo Cristina Leme Lopes, gerente sênior de pesquisa do CPI/PUC-Rio, observou-se, neste ano, a consolidação dos avanços em Estados que já vinham se destacando nos anos anteriores. Paralelamente, houve também o surgimento de iniciativas em regiões historicamente menos ativas. “Isso aconteceu porque alguns Estados adotaram estratégias estruturantes. A gente destaca Mato Grosso, São Paulo e Paraná, que, nos últimos dois meses, copiou São Paulo e conseguiu ter um salto muito grande”, afirma. 

Paraná lidera cadastros validados

Considerando os dados acumulados até novembro de 2025, nove estados concentram os maiores volumes de cadastros validados. O Paraná assumiu a liderança, com cerca de 220 mil registros concluídos. Na sequência, vêm São Paulo, com 198 mil, e Espírito Santo, com aproximadamente 80 mil. Depois aparecem:

  • Ceará (65 mil); 
  • Minas Gerais (41 mil);
  • Pará (39 mil);
  • Mato Grosso (34 mil);
  • Mato Grosso do Sul (13 mil);
  • Rondônia (11 mil).

Olhando pela perspectiva dos percentuais por Estado, o Espírito Santo lidera com 65% da base validada, seguido por São Paulo (45%), Paraná (40%), Mato Grosso (21%), Mato Grosso do Sul e Ceará (ambos com 16%) e Pará (11%).

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Abaixo de mil cadastros

Enquanto alguns Estados avançam, algumas  unidades da Federação ainda não conseguiram, na outra ponta, atingir a marca de mil cadastros analisados. São eles: 

  • Amapá (922);
  • Piauí (365);
  • Distrito Federal (242);
  • Goiás (182);
  • Paraíba (82);
  • Tocantins (77);
  • Sergipe (62);
  • Roraima (31);
  • Santa Catarina (18);
  • Rio Grande do Sul (14);
  • Rio Grande do Norte (6);
  • Pernambuco segue sem qualquer validação.

No caso da Bahia, os dados não estão disponíveis devido às especificidades do Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais.

Sistemas de automação como aliados

Pela análise do CPI/PUC-Rio, os Estados que apresentaram evolução consistente nas análises do CAR em 2025 foram justamente aqueles que adotaram sistemas de automação. É o caso de Alagoas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. 

De acordo com a especialista, o uso de ferramentas de análise permitiu, em alguns casos, validar automaticamente parte dos cadastros de imóveis de até quatro módulos fiscais, considerados pequenos produtores. “Se a lei federal diz que cada Estado deve dar apoio aos pequenos produtores, esse apoio significa, por exemplo, retificar o cadastro deles sem precisar pedir que eles mesmos façam a retificação. Então, há essa mudança”, destaca Cristina.

Nesse cenário, os saltos mais expressivos foram verificados nos Estados que adotaram ferramentas inovadoras de retificação automática dos dados cadastradas pelos produtores. Esses instrumentos são capazes de corrigir informações do mapa da propriedade rural sem a necessidade de aceite prévio do agricultor, mas com validação dele ou solicitação de correção posterior. 

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“Quando os cadastros têm algum problema de informação, eles precisam ser revistos, retificados. Esses Estados, porém, resolveram retificar os cadastros sem pedir para os produtores fazerem isso. Se eles [os estados] sabem, através de uma base de dados, que tem um rio, e que aquele rio não está desenhado naquele cadastro, eles podem, o próprio sistema pode inserir um rio e delimitar a APP [área de preservação permanente]. Então, eles começaram a ajustar as informações objetivas do cadastro. Informações que o próprio sistema pode fazer, ele fez, em vez de pedir para o produtor”, explica a gerente sênior de pesquisa do CPI/PUC-Rio.

Entraves

A fragilidade das informações fundiárias começa a se consolidar como um dos principais entraves à continuidade das análises. Mesmo Estados que exibem grande volume de processos já iniciados — como São Paulo (399 mil), Paraná (284 mil) e Ceará (cerca de 275 mil) — tendem a enfrentar, cada vez mais, o mesmo obstáculo: cadastros com inconsistências que não avançam sem retificação e que limitam a expansão da automação em larga escala.

Nesse cenário, Mato Grosso é um caso de destaque. Embora seja um dos líderes nacionais na implementação do CAR e do programa de regularização ambiental, o Estado estima que cerca de 30% dos cadastros apresentam sobreposições incompatíveis com o modelo de análise automatizada. “Se há sobreposição de cadastros, o Estado não consegue analisar e validar aquele cadastro, e depende de uma ação do produtor”, ressalta Lopes. 

Com isso, o processo esbarra em outro gargalo: a comunicação com os proprietários dos imóveis rurais. “Quando o produtor precisa retificar o cadastro, mas não recebe a notificação ou não responde, dois problemas se sobrepõem. Primeiro, a baixa qualidade dos cadastros, que exige revisão; segundo, a falha de comunicação, que impede que essa revisão seja feita”, aponta a especialista. 

Conforme o CPI/PUC-Rio, em muitos Estados, entre 50% e 80% dos cadastros analisados permanecem exatamente nessa situação — aguardando atendimento à notificação. Para contornar esse imbróglio, o estudo aponta que será necessário um esforço nacional de comunicação, ampliando canais como WhatsApp, SMS, rádios locais e interfaces mais simples no Sistema de Cadastro Ambiental Rural. 

Além de Cristina Leme, o levantamento do CPI/PUC-Rio conta também com a autoria da pesquisadora sênior, Nina Didonet, e da diretora de pesquisa, Joana Chiavari.

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