PUBLICIDADE

Economia

No norte de Minas Gerais, a pecuária leiteira se reinventa

Produtores aproveitam o período das águas para desenvolver estratégias que aumentam a produtividade e reduzem custos

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | paloma.custodio@estadao.com

05/03/2025 - 08:00

Foto: FAEMG/Divulgação
Foto: FAEMG/Divulgação

O período chuvoso em Minas Gerais tem favorecido a pecuária leiteira no norte do estado, uma região historicamente marcada pelo clima seco. Com a melhoria das condições climáticas, produtores têm aproveitado a oportunidade para garantir a alimentação do rebanho durante o período da seca.

Um exemplo está no município de Icaraí (MG), onde o produtor Valdinei Soares Nobre se beneficiou dos acumulados de chuva, iniciados em dezembro, para cultivar sorgo. “Aproveitei esse período de chuva para garantir a comida das vacas no período da estiagem. Para não ter dificuldade igual a alguns anos atrás”.  

CONTEÚDO PATROCINADO

A estratégia de produção também inclui o armazenamento de silagem, garantindo a sustentabilidade do pasto. Ele conta que, no início do período da chuva, enquanto ainda oferece a silagem para as vacas, a pastagem está crescendo. “O que faz o capim meu sobrar”, comenta. 

Valdinei aproveitou estiagem para garantir comida das vacas na estiagem – Foto: FAEMG/Divulgação

Valdinei destaca que o aprimoramento de sua gestão ocorreu por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATEG) do Senar-MG. Com a ajuda dos técnicos, ele aprendeu abordagens de como otimizar a alimentação e realizar um manejo adequado. Foi realizada, também, uma análise de solo na propriedade. Com isso, Nobre começou a fazer adubação.

Os resultados das ações são visíveis no aumento da produtividade. “Comecei tirando leite de uma única vaca, produzindo dez litros. Com o tempo, fui aumentando e, hoje, com 16 vacas, chegamos a tirar até 139 litros por dia, apenas com pasto verde, sem ração concentrada. Se trabalharmos direitinho, a tendência é a produção crescer ainda mais”, diz o produtor, entusiasmado. 

PUBLICIDADE

Já em Porteirinha (MG), o produtor Alfeu Veríssimo Neto adota um sistema de irrigação para o cultivo de milho e aproveita o período chuvoso para plantar sorgo em áreas arrendadas. “O milho, usamos para os animais em lactação, enquanto o sorgo serve para a recria. Com a chuva, reduzimos custos, pois não precisamos acionar a irrigação, que tem um custo alto”, explica Neto. 

Aproveitando o aumento das chuvas, o produtor de leite também passou a investir, há dois anos, no sorgo sequeiro, que trouxe bons resultados. “Neste ano, plantamos 15 hectares”, conta Alfeu. A economia gerada é um alívio para o produtor. Durante o período chuvoso, consegue guardar dinheiro e aumentar a produção de silagem para alimentar o gado, criado 100% no sistema de confinamento. 

O bem-estar animal recebe grande atenção na propriedade. Há cerca de oito meses, a fazenda adotou o compost barn, um sistema que proporciona um ambiente amplo e coberto, destinado ao descanso das vacas, com piso revestido por serragem, restos de madeira e esterco em processo de compostagem. O principal objetivo é oferecer aos animais conforto e um espaço seco para repouso. 

Com um rebanho de 66 vacas em lactação, a produção atinge 2 mil litros diários, com uma média de 30 litros por animal. “Fazemos três ordenhas por dia e, antes de cada uma, damos banho nos animais para reduzir o estresse térmico. Isso melhora a reprodução e o rendimento da produção”.

O legado de Gustavo Miguel

A história de inovação na pecuária leiteira também se reflete no legado de Gustavo Miguel, jovem produtor que revolucionou a produção de leite na fazenda da família, localizada em Janaúba (MG).

PUBLICIDADE

Geraldo Aparecido Miguel Soares, pai de Gustavo e responsável pela fazenda, lembra as primeiras mudanças na propriedade, que recebeu apoio da ATEG, do Senar-MG. “Em agosto de 2022, Gustavo recebeu o apoio da ATEG Leite. Na época, a fazenda produzia 40 litros diários e, em menos de um ano, alcançou 800 litros”,. 

Com um plantel de vacas que atinge quase 1 mil litros por dia de produção de leite, Geraldo fica atento ao planejamento do negócio, inclusive aproveitando o período de chuvas na região. 

Funcionário da fazenda de Geraldo Soares: produção atinge quase 1 mil litros por dia – Foto: FAEMG/Divulgação

Neste último ciclo, o produtor trabalhou em duas frentes: primeiro colocando parte do rebanho em sistema de pastejo, com piquetes rotacionados, e ainda dobrou a área de plantio de sorgo, para produzir a silagem do período da seca. “Nós nos preparamos fazendo um controle das pastagens, o que gera uma redução dos custos da nutrição dos animais. Só a área irrigada não seguraria comida do gado durante a seca. Com essa estratégia, fugimos da discussão do preço do leite”.

Além da produção de leite, a fazenda se tornou um espaço para difundir conhecimento, em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros, recebendo alunos de medicina veterinária e zootecnia. Soares atribui as mudanças positivas como um legado de seu filho, que faleceu em 2023, deixando uma marca duradoura. “Tenho certeza de que, onde estiver, ele está orgulhoso do que construímos”, afirma Geraldo. 

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Fenabrave prevê crescimento de 3,4% nas vendas de máquinas agrícolas em 2026

Economia

Fenabrave prevê crescimento de 3,4% nas vendas de máquinas agrícolas em 2026

Entidade aposta em juros mais baixos, safra robusta e expansão dos consórcios como fatores que vão estimular investimentos

Brasil importa maior volume de trigo desde 2013

Economia

Brasil importa maior volume de trigo desde 2013

Compras externas somaram 6,8 milhões de toneladas em 2025, com reflexos sobre estoques e preços internos

BASF Soluções para Agricultura assume AgBiTech, empresa de controle biológico

Economia

BASF Soluções para Agricultura assume AgBiTech, empresa de controle biológico

BASF vê complementaridade entre soluções e expertises das empresas; expectativa é de que o acordo seja concluído em 2026

Tratores em Paris: por que agricultores europeus rejeitam o acordo Mercosul-UE

Economia

Tratores em Paris: por que agricultores europeus rejeitam o acordo Mercosul-UE

Com 27 fazendas fechando por dia, agricultores franceses protestam e cobram subsídios; resistência ao acordo permanece em outros países

PUBLICIDADE

Economia

Milho, soja e fertilizantes: como é o comércio com o Irã e os impactos da tarifa de Trump

Conflito preocupa associação de produtores de milho, que acompanha a situação junto ao maior comprador do cereal brasileiro

Economia

Vietnã habilita quatro novos frigoríficos para exportação de carne bovina

Com novas autorizações, Brasil dobra número de plantas habilitadas a exportar ao mercado vietnamita

Economia

Mercosul-UE: carnes ganham com acordo, mas impactos são distintos entre bovinos, aves e suínos

Acordo deve impulsionar as exportações do setor entre 5,1% e 19,7%, projeta Ipea; há expectativa para geração de vagas de emprego

Economia

Acordo Mercosul-UE: Santa Catarina constrói plano para ampliar competividade

Estado acompanha fase final de formalização do tratado e organiza ações para ampliar competitividade quando o acordo entrar em vigor

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.