Economia
Ministério da Agricultura planeja 6 visitas internacionais no início de 2026
Secretário prevê que exportações devem continuar crescendo com país se consolidando como alternativa para escala e qualidade
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
06/01/2026 - 05:00

Os dois primeiros meses de 2026 devem começar com uma pauta internacional movimentada dentro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, afirmou que já estão programadas ao menos seis missões em terras estrangeiras, entre elas, uma visita a Bruxelas, na Europa, e outra à Seul, na Coreia do Sul.
“Já temos algumas viagens marcadas em janeiro e em fevereiro. Devo ir para Bruxelas [Bélgica], Berlim [Alemanha], Dubai [Emirados Árabes Unidos], em janeiro. Em fevereiro tem Equador, Índia e Coreia do Sul, esses dois já com presidente [Luiz Inácio Lula da Silva]”, disse o secretário em entrevista exclusiva ao Agro Estadão.
O que esperar das visitas?
De acordo com Rua, nem todas as visitas devem tratar exatamente de aberturas de novos mercados, mas podem ser para ajustar detalhes técnicos com os parceiros, como é o caso dos Emirados Árabes e Equador, ou fazer promoção comercial, como deve ser na Alemanha com a participação em uma feira. No entanto, as principais visitas vão buscar avanços em temas que já vem sendo negociados.
União Europeia
Por lá, a expectativa é de que questões técnicas para melhoria de mercados já abertos possam avançar, como é o caso do pre-listening para os frigoríficos exportadores de carne bovina. O acordo entre Mercosul-União Europeia também pode entrar no debate, mas Rua indica que a situação não deve ser tocada diretamente por ele, já que envolve o governo brasileiro de forma geral e os encarregados oficiais dentro do Mercosul.
Índia
A comitiva brasileira ao gigante asiático deve envolver não só representantes do Mapa, mas empresários e o próprio presidente Lula. A expectativa por lá é de uma abertura para o feijão guandu. “Seria uma revolução a gente conseguir esse acesso”, destacou. Outro assunto é a formalização de uma cooperação relacionada à genética da raça Gir.
Coreia do Sul
De acordo com Rua, a intenção na Coreia do Sul é “reiniciar as negociações” que andaram meio “mornas”. E a aposta do secretário para dar uma esquentada é a presença de Lula, que depois da Índia deve seguir para a Coreia. Na área da agropecuária, algumas expectativas de retomada são: ampliação do reconhecimento das áreas livres de febre aftosa sem vacinação, o que beneficiaria a carne suína — hoje, apenas Santa Catarina exporta para lá; abertura do mercado de carne bovina; abertura do mercado de uva.
Características da produção brasileira devem continuar impulsionando comércio exterior
Quanto ao cenário em 2026, o secretário é categórico ao projetar que o ano deve trazer mais resultados para as exportações de produtos agropecuários. “Tudo mais constante, nós vamos ser maiores no comércio internacional neste ano do que fomos no ano passado”, disse.
Até novembro, a receita gerada com os embarques ao exterior somaram US$ 155,25 bilhões, de acordo com dados do Mapa. A quantia é 1,7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com Rua, a reunião de características da produção brasileira coloca o país como um provedor confiável e único.
“O Brasil tem qualidade, quantidade, sanidade, complementaridade, sustentabilidade, versatilidade. Tudo isso é tudo muito bom, mas uma coisa que vale é o preço. O Brasil tem competitividade”, indicou.
Questionado sobre as novas metas de abertura de mercado para 2026, Rua comentou que a expectativa “é fazer mais do que neste ano”. Desde 2023, foram 525 novos mercados até o momento da publicação. O secretário também revelou que um dos objetivos traçados por ele mesmo para 2025 era superar as aberturas feitas em 2024, que somaram 222. O ano passado terminou com 225 mercados novos.
Além das aberturas e das viagens, a secretaria comandada por Rua também vai analisar as solicitações setoriais recebidas em dezembro. No fim do ano, as associações representativas receberam um ofício no qual a secretária pedia que fossem enviadas as demandas que elas entendiam serem necessárias para 2026 com relação ao mercado internacional.
“A gente já tem uma ideia, basicamente, do que projetamos, mas sempre tem uma mudança, então a gente encapsula essas demandas em um documento e depois endereçamos. Aproveitamos esse material para dar prioridade nas visitas e missões que tivermos ao longo do ano”, explicou.
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