Economia
Maranhão, Piauí e Tocantins devem produzir 12 milhões de toneladas de grãos a mais até 2032, diz estudo
Para escoar a produção dos três estados que formam o Matopi, o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) projeta aumentar capacidade operacional em 30%
Fernanda Farias | Porto Alegre | fernanda.farias@estadao.com
15/08/2024 - 07:45

A produção de soja brasileira, que hoje está em 163,2 milhões de toneladas, deve crescer 19,1%, para 194,5 milhões de toneladas na safra 2032/2033. Já a produção de milho deve aumentar 14,3% e sair de 137,4 milhões para 157 milhões de toneladas. A projeção está em um levantamento feito pela agência Safras & Mercado a pedido do Consórcio Tegram-Itaqui.

O Tegram é o Terminal de Grãos do Maranhão, instalado no porto de Itaqui, em São Luís (MA) e por onde passa praticamente toda a produção dos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí (Matopi), além de parte do nordeste de Mato Grosso.
Só nessa região, o estudo aponta aumento de 8 milhões de toneladas de soja, passando para 29,9 milhões de toneladas do grão (+36,1%); e de 4,6 milhões de toneladas de milho, alcançando 17,8 milhões de toneladas (+ 34,5%). O farelo de milho deve crescer 9,1% na região e somar 1,9 milhão de toneladas; enquanto o aumento no país deve ser de 5,6%, somando 42,7 milhões de toneladas.

O presidente do Consórcio Tegram-Itaqui, Marcos Pepe Bertoni, afirma que os números reforçam a importância de investimentos em infraestrutura para escoar a produção do Arco Norte brasileiro.
“Hoje, 97% da produção do Mapito sai pelo Tegram. Então esse estudo mostra que, com o aumento que vamos ter, se não tiver expansão do terminal, os produtores não conseguirão exportar o excedente”, diz Pepe ao Agro Estadão.
A expansão citada por Pepe é a fase 3 do Tegram, que começou as operações em 2016 e tem capacidade de embarcar 16 milhões de toneladas por ano, quase o mesmo volume embarcado em 2023, de pouco mais de 15 milhões. Por dia, o Tegram recebe 9,5 mil toneladas de grãos entre caminhões e trens e embarca 90 mil toneladas. Desse volume, 73% vão para a China e 8% para a Europa.
Investimento no Tegram é de R$ 1,5 bilhão em 18 meses
O projeto inclui construir um terceiro de atracação, o que permite que três navios atraquem no porto de Itaqui ao mesmo tempo, além da ampliação dos silos e armazéns. A previsão é de que o terminal aumente a capacidade total em 30%, ou em 8,5 milhões de toneladas embarcadas. A ideia é passar dos atuais 16 milhões para 23,5 milhões de toneladas de grãos por ano e de 500 mil para 800 mil toneladas a capacidade estática dos armazéns.
O investimento é de R$ 1,5 bilhão, de acordo com o presidente do Consórcio. Pepe conta que aguarda a autorização do Ministério dos Portos para que a obra da terceira fase comece. “Para ter a obra concluída, precisamos de 18 meses. Mas a estrutura de armazenagem já poderá ser usada após oito ou nove meses do início das obras, pois serão silos verticais”, afirma.
De acordo com o presidente, o terminal no porto gera dez mil empregos diretos e outros 20 mil indiretos.
Movimento Pró-Logística defende melhoria em estradas e ferrovias no Arco Norte
O Movimento Pró-Logística avalia que um investimento necessário é na infraestrutura para o transporte rodoviário e ferroviário na região do Arco Norte, especialmente para a chegada da produção ao Tegram.
“O forte do porto de Itaqui é o transporte rodoviário e ferroviário (vindo do Tocantins e de Mato Grosso). Precisa instalar uma ‘pera ferroviária’ onde o trem passa, descarrega o produto, dá a volta e vai embora. Assim você ganha tempo”, explica ao Agro Estadão o diretor-executivo do Movimento, Edeon Vaz.
A pera ferroviária é uma área em formato circular que permite a chegada e saída do trem sem a necessidade de desmembrá-lo para descarregamento.

Movimentação nos portos brasileiros
Os portos brasileiros movimentaram 644,76 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O volume representa um aumento de 4,28% em relação ao mesmo período de 2023.
Do total, 64% foi movimentado em Terminais de Uso Privado (TUPs), totalizando 413,2 milhões de toneladas. De acordo com a Antaq, o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA) registrou maior crescimento no semestre, de 6,74%, somando 74,7 milhões de toneladas movimentadas.
Ao considerar as movimentações por regiões do país, no Norte foram 79,5 milhões de toneladas de cargas, com destaque para o milho, que cresceu 17,92% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, segundo a Antaq.
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