Economia
Mais de 206 mil propriedades rurais foram atingidas pelas enchentes no RS, aponta Emater
Relatório da Emater mostra que 19.190 famílias que vivem no campo foram afetadas; destruição de estradas prejudica até o acesso ao seguro rural
Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com
04/06/2024 - 17:26

A destruição deixada pelas enxurradas e inundações no Rio Grande do Sul foi retratada por técnicos da Emater/RS-Ascar em um relatório de 54 páginas divulgado pelo governo do estado nesta terça-feira, 4. Os dados são do período entre 30 de abril e 24 de maio.
Segundo o documento, 206.604 propriedades rurais foram atingidas e 19.190 famílias perderam casas, galpões, armazéns, silos, estufas e aviários. Cerca de 200 empreendimentos familiares de agroindústria tiveram prejuízos. Ao todo, o desastre climático alcançou 9.158 localidades e 456 municípios – 78 estão em estado de calamidade pública e 340 em situação de emergência.
A Emater aponta ainda que 48.674 produtores de grãos sofreram perdas nas lavouras que não puderam ser colhidas ou que tiveram baixo rendimento, como soja, milho e feijão. Em volume, a soja apresentou a maior perda, de 2,71 milhões de toneladas. Por isso, agora, descontando as áreas alagadas e com perdas, a nova estimativa da entidade para a produção de grãos no estado gaúcho é de 19,53 milhões de toneladas.


Mais de 3,7 mil criadores perderam animais, principalmente aves: 1.198.489 morreram. Na pecuária, os danos mais expressivos foram registrados nos Vales dos rios Taquari, Caí, Pardo, Paranhana, assim como na região da Quarta Colônia, na serra, marcada por fortes deslizamentos de terras.
“Essa é a maior tragédia da história do nosso Estado, e atinge proporcionalmente a agricultura, que é nosso maior setor produtivo. A partir desse levantamento de perdas, vamos conseguir agir com ainda mais precisão e celeridade na estruturação de ações e políticas públicas para auxílio aos agricultores familiares e recomposição de nossas áreas produtivas”, afirmou em nota o secretário de Desenvolvimento Rural, Ronaldo Santini.
Momento é de garantir a sobrevivência das famílias, diz Emater
Os detalhes dos danos nas 12 regiões administrativas da Emater foram apontados no documento, assim como as ações necessárias para a retomada nos locais destruídos.
Neste momento, a Emater diz que a preocupação é a acolhida e sobrevivência das famílias, depois serão levantadas as perdas sociais, de infraestrutura e agropecuárias para, na última etapa, promover ações para recuperar a atividade econômica.


Segundo o relatório, todas as áreas precisarão de ações como recuperação dos solos, manejo da água, educação na defesa sanitária e vegetal, promoção da sucessão rural familiar, acesso a políticas públicas e ao crédito.
“As ações de recuperação serão orientadas para o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural, numa perspectiva socialmente justa, ambientalmente sustentável e economicamente viável”, prometeu em nota o diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera.
Estradas destruídas dificultam o acesso de produtores rurais ao Proagro
Pontes, pontilhões e estradas foram totalmente destruídos em algumas regiões e há locais onde ainda não é possível ter acesso. Além de prejudicar o escoamento da produção, e a chegada de alimento para os animais, os danos na infraestrutura rural não permitiram a retomada de serviços básicos como água potável e energia elétrica para alguns pontos.

O relatório da Emater chama a atenção para outra consequência da falta de estradas. Em algumas localidades, a ausência de acessibilidade está impedindo a realização das perícias do Proagro (Programa de Garantia à Atividade Agropecuária).
“Muitos produtores estão descapitalizados e enfrentam custos elevados para corrigir os danos aos fatores de produção, como o solo. A recuperação das atividades depende da estabilização das condições climáticas e da restauração da infraestrutura, sendo crucial o suporte técnico contínuo às comunidades afetadas para mitigar os impactos e acelerar o retorno à normalidade”, apontou o documento.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
4
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
5
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
6
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
John Deere anuncia férias coletivas e layoff em Horizontina (RS)
Complemento salarial e benefícios durante o layoff serão preservados, informa a empresa
Economia
Fim da escala 6x1 pode custar R$ 10,8 bilhões às cooperativas de Santa Catarina
Além da falta de recursos para novas contratações, a OCESC aponta escassez de mão de obra no Estado
Economia
UE coloca acordo com Mercosul em vigor de forma provisória, após aval de Argentina e Uruguai
No Brasil, Senado analisa texto e governo discute salvaguardas; tratado ainda depende do Parlamento Europeu para conclusão definitiva
Economia
Leite e arroz acumulam queda nos preços dos alimentos em 12 meses
Em janeiro, a cesta básica registrou leve retração, enquanto o índice de consumo nos lares cresceu na comparação anual, aponta Abras
Economia
Belagrícola: Justiça do PR rejeita recuperação extrajudicial
Um dos fundamentos da decisão da Justiça é que o pedido incluiu cinco empresas como um único devedor; o grupo tem menos de duas semanas para o próximo passo.
Economia
Uruguai é o 1º país a aprovar o acordo comercial entre Mercosul e UE
No Brasil, o texto do acordo foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado
Economia
Títulos do agronegócio crescem 13,5% em 12M até janeiro, para R$ 1,407 trilhão
Maior crescimento foi do estoque de CPRs ,com crescimento de 17% em janeiro e 402 mil certificados distribuídos
Economia
Hotéis gaúchos lançam a primeira carta de águas minerais do Brasil
Com reservas hídricas reconhecidas, Brasil ganha destaque na nova carta por suas águas minerais de padrão internacional