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Economia

Lula admite negociar etanol e açúcar com os EUA

Para o setor sucroenergético, a entrada do etanol dos EUA ameaça a soberania nacional e pode derrubar os preços, especialmente no Nordeste

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Redação Agro Estadão

27/10/2025 - 16:11

O comércio de etanol e açúcar entre Brasil e EUA é regido por um sistema de tarifas e cotas. Foto: Adobe Stock
O comércio de etanol e açúcar entre Brasil e EUA é regido por um sistema de tarifas e cotas. Foto: Adobe Stock

O etanol e o açúcar podem entrar na mesa de negociação entre o Brasil e os Estados Unidos. O presidente Lula admitiu a jornalistas nesta segunda-feira, 27, que “qualquer assunto” pode entrar na discussão. “Se quiser discutir a questão de minerais críticos, de terras raras. Se quiser discutir etanol, se quiser discutir açúcar, não tem problema”, disse. “Eu sou uma metamorfose ambulante na mesa de negociação. Coloque o que quiser que eu estou disposto a discutir todo e qualquer assunto”, acrescentou.

Atualmente, o comércio de etanol e açúcar entre Brasil e EUA é regido por um sistema de tarifas e cotas. No caso do etanol, as exportações brasileiras para os EUA enfrentam uma tarifa de 2,5%, enquanto o etanol norte-americano paga 18% para entrar no Brasil. A medida está em vigor desde o fim da cota de importação isenta, encerrada em 2023.

CONTEÚDO PATROCINADO

Já no açúcar, os EUA mantêm um regime de tarifa-cota, que limita a entrada do produto brasileiro a cerca de 150 mil toneladas por ano com tarifa reduzida. O Brasil, por sua vez, aplica tarifa de até 14,4% para açúcar importado fora do Mercosul.


Resistência do mercado

Antes de avançar com as tratativas com os EUA, o governo brasileiro terá que enfrentar a resistência do setor sucroenergético brasileiro. Como noticiado pelo Agro Estadão, desde a imposição das tarifas norte-americanas, as entidades representativas da cadeia têm rechaçado veementemente qualquer hipótese de negociação nesta linha. 

Recentemente, Carlos Ubiratan Garms, presidente do Conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), foi enfático ao dizer que o etanol não é moeda de troca. “O etanol brasileiro é um ativo estratégico de soberania nacional e não pode ser tratado como moeda de troca em negociações comerciais”, destacou. 

Para Renato Cunha, presidente da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), que representa os produtores do Nordeste, a entrada de etanol norte-americano no país poderia gerar excesso de oferta e pressionar os preços locais, especialmente no mercado nordestino. 

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