Economia
Índice de atraso de navios com café nos portos atinge 60% em julho
Nos principais portos do Brasil, 167 embarcações com café sofreram atraso, segundo levantamento do Cecafé
Broadcast Agro
18/08/2024 - 08:52

São Paulo, 16 – O índice de alteração de escalas e atrasos de navios com café para exportação alcançou 60% em julho, ou 167 de um total de 277 embarcações, nos principais portos do Brasil. O maior prazo de espera foi registrado no Porto de Santos (SP): 55 dias entre a abertura do primeiro e do último deadline.
Os dados constam no Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX em parceria com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O levantamento revela que o terminal santista, principal escoador dos cafés brasileiros ao exterior, com representatividade de 68,7% no acumulado do ano até o fim de julho, registrou o maior índice de atrasos de porta-contêineres, de 77%, envolvendo 105 do total de 136 embarcações.
No complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com representatividade de 28,2% no acumulado de 2024, o índice de atrasos das embarcações foi de 60% em julho, o que envolveu 43 dos 72 navios destinados às remessas do produto.
Além da atualização do Boletim DTZ, o Cecafé voltou a realizar um levantamento com seus associados – respondem por 77% das exportações totais – que aponta que o Brasil deixou de exportar, somente em julho, 1,262 milhão de sacas de café (3.823 contêineres) por causa de atrasos de navios, alterações de deadlines, rolagens de cargas, menor disponibilidade de contêineres e falta de espaços nos terminais portuários.
Esses não embarques de café impossibilitaram a entrada de US$ 313 milhões, ou R$ 1,735 bilhão (considerando o dólar médio de R$ 5,5414 no mês), nas divisas do País e causaram prejuízos de R$ 7,456 milhões a esses associados com custos extras e imprevistos de pré-stackings, armazenagens adicionais, detentions e gates antecipados.
O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, disse em comunicado que a continuidade dos altos índices de navios com alteração de escalas e rolagens de carga contribui para a lotação dos pátios dos terminais portuários, o que eleva o tempo de espera das embarcações e impede o recebimento das cargas conteinerizadas destinadas, diariamente, às exportações. “Continuamos observando a chegada de cargas do interior que são impedidas de entrar nos terminais portuários porque os pátios estão abarrotados e é a partir desse ponto que começam os custos imprevistos e elevadíssimos aos exportadores brasileiros. Isso revela o esgotamento da infraestrutura e a necessidade de ampliação da capacidade física de armazenamento de contêineres nos portos”, comentou.
Conforme Heron, se mantido esse cenário logístico e “nada for feito”, a manutenção dos atrasos dos navios, em virtude das limitações de infraestrutura portuária, somada a expectativa de embarques maiores de várias cargas conteinerizadas no segundo semestre, incluindo café, algodão e açúcar, aumentarão ainda mais os desafios e prejuízos ao setor exportador.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
4
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
5
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
6
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Aprobio e Abiove anunciam criação da AliançaBiodiesel
Entidades querem coordenar estratégias e consolidar representação institucional do setor
Economia
Conflito no Oriente Médio ameaça custos no agro brasileiro
Milho, soja e carnes lideram embarques ao Oriente Médio, agora sob risco de fretes mais caros com o fechamento do Estreito de Ormuz
Economia
John Deere anuncia férias coletivas e layoff em Horizontina (RS)
Complemento salarial e benefícios durante o layoff serão preservados, informa a empresa
Economia
Fim da escala 6x1 pode custar R$ 10,8 bilhões às cooperativas de Santa Catarina
Além da falta de recursos para novas contratações, a OCESC aponta escassez de mão de obra no Estado
Economia
UE coloca acordo com Mercosul em vigor de forma provisória, após aval de Argentina e Uruguai
No Brasil, Senado analisa texto e governo discute salvaguardas; tratado ainda depende do Parlamento Europeu para conclusão definitiva
Economia
Leite e arroz acumulam queda nos preços dos alimentos em 12 meses
Em janeiro, a cesta básica registrou leve retração, enquanto o índice de consumo nos lares cresceu na comparação anual, aponta Abras
Economia
Belagrícola: Justiça do PR rejeita recuperação extrajudicial
Um dos fundamentos da decisão da Justiça é que o pedido incluiu cinco empresas como um único devedor; o grupo tem menos de duas semanas para o próximo passo.
Economia
Uruguai é o 1º país a aprovar o acordo comercial entre Mercosul e UE
No Brasil, o texto do acordo foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado