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Economia

Indicações Geográficas devem crescer 20% ao ano, estima Sebrae

Nos últimos cinco anos, número de IGs no Brasil passou de 73 para 150, crescimento de 105,4%; Sebrae ajuda a identificar potenciais produtos

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Redação Agro Estadão

23/01/2026 - 13:04

Herança dos holandeses, tortas de Carambeí (PR) receberam primeira IG de 2026. Foto: Tortas Wolf e Governo do Paraná/Divulgação
Herança dos holandeses, tortas de Carambeí (PR) receberam primeira IG de 2026. Foto: Tortas Wolf e Governo do Paraná/Divulgação

O ritmo de novas Indicações Geográficas (IGs) brasileiras deve continuar crescendo 20% ao ano. A estimativa é da coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, mantendo um compasso observado nos últimos cinco anos. 

O processo e o registro das IGs é feito junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Em 2020, o país tinha 73 certificações feitas. No final de 2025, esse número foi para 150, um crescimento de 105,4%. 

CONTEÚDO PATROCINADO

O Sebrae tem atuado na identificação de produtos regionais que têm potencial para receber o registro de IGs, além de auxiliar no processo de reconhecimento e oficialização do certificado. Só no ano passado, a entidade dos pequenos negócios encontrou 69 territórios com aptidão para receber o reconhecimento. 

A coordenadora explica ainda que há um tempo considerável para estruturar e depois encaminhar o processo junto ao INPI. Só a etapa antes de protocolar o pedido de IG costuma ser de, pelo menos, 18 meses. Já o trâmite para análise e resposta do INPI é de aproximadamente 12 meses. 

“Esse prazo é fundamental para a estruturação, mobilização dos produtores, construção da governança, consolidação de evidências e análises detalhadas do pedido de registro”, destacou a especialista. 

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O que são as IGs?

Uma Indicação Geográfica é um reconhecimento de um produto ou serviço que tem características próprias de um determinado local. Essas características conferem qualidade e reputação a essa origem geográfica. Por isso, esses produtos são mais valorizados nos mercados e essa certificação também protege a forma de produção. 

Existem dois tipos de IGs:

  • Indicação de Procedência (IP): é o para o reconhecimento de uma localidade ou região que tenha se tornado notória como polo de extração ou produção de determinado produto ou de serviço;
  • Denominação de Origem (DO): se refere ao nome de um país, cidade, região ou território usado para identificar um produto ou serviço. Esse produto ou serviço tem suas características e qualidades diretamente ligadas ao ambiente geográfico de onde provém, considerando tanto os elementos naturais, como solo, por exemplo, quanto os fatores humanos, como saberes locais.

Cafés nacionais têm destaque dentro das IGs do Brasil

Entre as IGs brasileiras, 20 são conferidas a cafés produzidos em diferentes localidades do País. Do grupo de produtos, o café é o que mais tem registros conferidos pelo INPI. A maior parte se concentra na categoria de IP e nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. 

Estimativas do Sebrae apontam que produtores localizados nas regiões de IG faturaram cerca de R$ 80 bilhões em 2025. O montante é aproximadamente 68% do total movimentado pelo mercado de café no Brasil, estimado em R$ 120 bilhões. 

Porém, nem todo o café produzido nessas áreas recebe o selo IG, já que alguns dependem de técnicas diferenciadas e, por isso, são negociados em microlotes. É o caso do café frutuoso, do sudoeste de Minas Gerais, que produz 100 sacas por ano, dada a particularidade na produção, que conta com técnicas de cultivo regenerativo. 

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Esse café recebeu o registro de IG há cerca de um ano e meio, mas já está conquistando mercados internacionais devido à qualidade e premiações, como comenta o produtor Edivaldo de Oliveira. “Dentro da IG, tem produtores que já exportam e outros que vendem mais internamente. No nosso caso, conseguimos uma exportação indireta para o Canadá, após sermos finalistas do concurso da Semana Internacional do Café”, disse. 

Primeira IG de 2026 é do Paraná

As tortas de Carambeí, na região dos Campos Gerais, Paraná, tiveram a primeira IG registrada em 2026. Produzidas desde 1911, carregam traços dos imigrantes holandeses, que começaram com a produção no local. Com o tempo, as receitas foram sendo adaptadas, mas mantendo a fabricação com materiais locais e de forma artesanal. 

O turismo gastronômico leva para a cidade cerca de 200 mil visitantes por ano. A expectativa é de que novos mercados possam ser abertos, além de agregar valor ao produto. “É um reconhecimento a características que são diferenciais importantes no mercado, como origem e qualidade”, destacou a coordenadora do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht.

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