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Economia

Inadimplência no campo atinge 7,7% da população rural, aponta Serasa Experian

Grandes proprietários rurais lideram o índice de inadimplência, com taxa de 10,2% no 3º trimestre de 2024

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Sabrina Nascimento | São Paulo

28/01/2025 - 08:00

Foto: Adobe Stock
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Durante o terceiro trimestre do ano passado, a parcela da população rural inadimplente chegou a 7,7%, de acordo com levantamento da Serasa Experian. O índice representa alta de 0,3 pontos percentuais em comparação com segundo trimestre. O relatório considerou dívidas vencidas há mais de 180 dias e que foram contraídas junto a empresas de setores que se relacionam às principais atividades do agronegócio.

Na avaliação do head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, mesmo com leve alta na inadimplência, o cenário ainda é relativamente bom. “Tendo em vista os desafios para acesso ao crédito, rolagem de dívida, patamar do preço das commodities, e outros contratempos, como os acontecimentos climáticos que afetaram a estabilidade financeira no campo, a maior parte dos proprietários rurais brasileiros se mantém inadimplente”, destacou Pimenta em nota. 

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Maior índice de inadimplência está entre os grandes proprietários rurais

Os pequenos proprietários foram os menos impactados pela inadimplência no terceiro trimestre de 2024, registrando uma taxa de apenas 6,9%. Em seguida, estavam os de médio porte, com 7,4%. 

Aqueles que não possuem registro de cadastro rural – arrendatários, pessoas participantes de grupos econômicos ou familiares – ficaram em terceiro lugar, marcando 9,9%. Enquanto os grandes proprietários tiveram o maior percentual, esse de 10,2%. 

A inadimplência por regiões ficou assim:

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  1. Norte Agro (região Norte do Brasil com exceção de Rondônia e Tocantins, além de incluir o Noroeste de Maranhão): registrou o maior índice de inadimplência no terceiro trimestre de 2024, marcando 11,1%
  2. Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia): 9,5%
  3. Nordeste Agro (região nordeste do Brasil, com exceção de Matopiba e do noroeste do Maranhão): 9,3%
  4. Centro-Oeste Agro (estados do Centro-Oeste e Rondônia, além do Distrito Federal): 8,1%
  5. Sudeste: 6,6%
  6. Sul: 5,0%

Dívidas estão concentradas em instituições financeiras

Segundo o levantamento, as dívidas negativadas da população rural estão concentradas principalmente em instituições financeiras, responsáveis por 6,8% dos casos, por serem as principais financiadoras das atividades no campo. 

Já os índices de inadimplência em categorias como “Setor Agro” e “Outros Setores Relacionados” são baixos, representando apenas 0,2% e 0,1%, respectivamente. Essas categorias incluem atividades como agroindústrias de transformação, comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revenda de insumos e máquinas agrícolas, produtores rurais, seguradoras não-vida, transportes e armazenagem.

“É interessante analisar que a cadeia agro teve um quadro otimista em relação a inadimplência nesse sentido. Precisamos reforçar essa diferenciação já que, se no geral apenas 7,7% dos proprietários rurais estão inadimplentes, nesse recorte, o percentual é ainda menor”, pontua o head de agronegócio da Serasa Experian.

Para obter os dados acima, a metodologia do Indicador de Inadimplência do Agronegócio da Serasa Experian considerou apenas pessoas físicas com dívidas vencidas há mais de 180 dias e até 5 anos, cujo valor total fosse de pelo menos R$ 1.000,00. Essas dívidas estão relacionadas ao financiamento e às atividades do agronegócio, divididas em três categorias:

  • Instituições Financeiras: inclui bancos, fundos de investimento, cooperativas de crédito e outras atividades descritas como “Serviços Financeiros” pelo IBGE.
  • Setores Agro: engloba agroindústrias de transformação, comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agronegócio, produção e revenda de insumos e máquinas agrícolas, produtores rurais, entre outros.
  • Outros Setores: abrange seguradoras não-vida, transporte de carga, armazenamento, Utilities, varejo, telecomunicações e atividades similares.

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