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Economia

Guerra comercial entre EUA-China ameaça exportações brasileiras, mas pode favorecer café e carne

Queda nas receitas da China e aumento nos custos logísticos elevam a pressão sobre o agronegócio, aponta analista 

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Paloma Custódio | Guaxupé (MG) | paloma.custodio@estadao.com | Atualizado às 15h46

09/04/2025 - 14:21

Foto: Adobe Stock
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A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode reduzir as exportações brasileiras para o mercado chinês, mas no agro brasileiro, nem todas as cadeias produtivas sofreriam impactos negativos. Nesta quarta-feira, 09, nova leva de retaliações foram confirmadas pelas duas potências globais.

Na tarde desta quarta-feira, o presidente Donald Trump anunciou, por meio da rede Truth Social, que elevará as tarifas sobre produtos chineses para 125%, com aplicação imediata. Na mesma publicação, o republicano também autorizou a redução temporária, por 90 dias, das tarifas recíprocas aplicadas a outros países, fixando-as em 10%, igualmente com efeito imediato.

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A medida é uma resposta à retaliação do governo chinês, que também nesta quarta-feira anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 50% sobre as importações dos Estados Unidos — equiparando os 50% extras impostos na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como reação a uma medida anterior da China. Segundo reportagem do Estadão.com, com essa decisão, as tarifas chinesas sobre produtos americanos somam agora 84%.

Ao Agro Estadão, o sócio-diretor da Markestrat e professor da Harven Agribusiness School, José Lima, explicou que o aumento das tarifas de importação sobre produtos chineses, imposto pelos EUA, pode provocar uma queda nas receitas do país asiático.

“Com uma receita menor, a China tende a diminuir suas importações. E, como o Brasil é um dos seus principais fornecedores, esse movimento pode afetar diretamente nossas exportações”, explicou.

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Mas no agronegócio, nem todas as cadeias produtivas seriam penalizadas, avalia Lima. “Nesse momento, podemos dizer que a tarifa imposta pelos EUA, por exemplo, sobre o café do Vietnã encareceu o produto para os importadores americanos. E, mesmo com a tarifa de importação de 10% sobre os produtos brasileiros, o café do Brasil tornou-se mais competitivo para o mercado norte-americano”, considera.

Em meio a essa guerra comercial EUA x China, o analista da Markestrat também vê uma oportunidade dos frigoríficos se beneficiarem com a possível abertura do mercado norte-americano à carne brasileira.

Preço da mercadoria dentro do navio

José Lima avalia que o embate comercial pode se desdobrar no preço da mercadoria dentro do navio de carga. Segundo ele, toda a cadeia de suprimentos já está sendo afetada, porque a matéria-prima usada para fabricar muitos produtos está ficando mais cara. Isso ocorre porque esses insumos são originários de diferentes partes do mundo e, com o aumento dos custos logísticos — como seguros e fretes —, o valor final dos produtos também acaba subindo.

“Vamos supor que uma mercadoria que saia da China tenha o custo de US$ 100. Esses US$ 100 colocados dentro do navio tem um seguro de 10%, além do próprio custo do frete. A partir do momento que você coloca uma taxa de importação de 104%, esse produto não vai custar mais US$ 100, ele vai passar a custar US$ 204. E o seguro será 10% de US$ 204.  Portanto, esse embate comercial vai encarecer o seguro das mercadorias e o próprio custo do frete marítimo”, explica.

José Lima destaca que a alta nos custos de seguro e frete marítimo deve afetar significativamente o agronegócio, especialmente na importação de insumos como fertilizantes e defensivos químicos. “Qualquer insumo importado, independentemente de sua origem, terá seus custos de embarque e frete impactados pela guerra tarifária entre Estados Unidos e China”, avalia.

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A escalada da guerra comercial seguiu a seguinte linha do tempo:

  • Em fevereiro, Washington havia elevado em 10% as tarifas sobre importações chinesas, somando-se à alíquota já existente e atingindo uma taxa total para 20%.
  • No dia 2 de abril, ao anunciar sua política de tarifas recíprocas, o presidente Donald Trump impôs uma sobretaxa de 34% sobre produtos chineses, elevando o total das tarifas para 54%.
  • A resposta chinesa veio na mesma moeda: tarifas de 34% sobre produtos norte-americanos.
  • Nesta quarta-feira, 09, os EUA voltaram a aumentar a pressão com uma nova tarifa de 50% sobre bens chineses, o que elevou a carga total a 104%.
  • A China reagiu com outra sobretaxa de 50% sobre itens norte-americanos, o que fez a alíquota final sobre essas importações chegar a 84%.
  • Trump anunciou na Truth Social que irá taxar a China com uma tarifa de 125% e reduzir as tarifas recíprocas dos demais países para 10% por 90 dias.

Além da sobretaxa, a China anunciou controles de exportação contra 12 empresas norte-americanas e incluiu outras seis em sua lista de “entidades não confiáveis” — restrição que, na prática, impede a maioria delas de operar no país ou manter relações comerciais com companhias chinesas.

A China criticou as tarifas recíprocas anunciadas pelo presidente Trump e afirmou que “está pronta para lutar até o fim” caso Washington leve adiante a aplicação das sobretaxas. Como mostra a reportagem do Estadao.com, o governo chinês também submeteu um novo processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas recíprocas dos EUA

“As medidas tarifárias dos EUA violaram seriamente as regras da OMC. O aumento de 50% reflete um erro atrás do outro, demonstrando a natureza de bullying unilateral”, afirmou um porta-voz do governo chinês. “A China defenderá firmemente seus interesses e direitos legítimos, atuando para proteger o sistema de comércio multilateral e a ordem econômica internacional.”

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