Economia
Exportadores de café temem mais obstáculos com aplicação da Lei de Reciprocidade
Missão parte na próxima semana para os EUA para negociar a inclusão do café na lista de exceções da tarifa norte-americana

Redação Agro Estadão
29/08/2025 - 18:32

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) está preocupado com o início do processo para aplicação da Lei de Reciprocidade. A autorização ao Itamaraty para acionar a Câmara de Comércio Exterior para iniciar o processo com vistas à execução da legislação foi assinada nesta sexta-feira, 29, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Em comunicado, o Cecafé argumenta que “pensar na aplicação da Lei de Reciprocidade é prematuro, uma vez que sequer houve uma reunião entre os governos de Brasil e EUA”. Ainda conforme os exportadores, uma eventual aplicação dessa legislação pode gerar dificuldades ao setor privado para conversar com seus pares norte-americanos, compradores de café, e impor ainda mais obstáculos para a conversa entre ambos os governos.
“A apreensão se justifica pelo fato de a entidade entender que, assim como se vem tratando nas constantes reuniões do setor privado com o governo federal, o cenário necessário e mais coerente, nesse momento, é a manutenção do diálogo com o segmento privado e as autoridades dos EUA”, destaca a nota.
Setor vai aos Estados Unidos
O Conselho destaca ainda a sua participação, na próxima semana, de uma comitiva brasileira, coordenada pela Confederação Nacional da Indústria, que cumprirá extensa agenda nos Estados Unidos. Um dos compromissos citados é a audiência pública a respeito da taxação de 50% sobre exportações brasileiras, prevista na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o Cecafé, todos esses compromissos serão cumpridos com o intuito de fortalecer o envio de informações verídicas a respeito da relevância da cafeicultura no relacionamento bilateral entre Brasil e EUA. “De maneira que os principais importadores dos cafés brasileiros não comprometam mais de 30% de seu mercado, suprido pelo produto nacional, assim como nosso segmento não perca os norte-americanos como seus principais parceiros comerciais, responsáveis pela aquisição de 16% de nossas exportações”, destaca.
Por fim, o Cecafé recorda ainda que, o segmento dos “cafés verdes” (in natura) não foi contemplado por programas de apoio anunciados pelo Governo Federal. “O Cecafé manifesta que o início desse processo, pode ter efeito contrário ao desejado pelo governo brasileiro, já que, ao invés de possibilitar um ambiente ‘normal’ para os compromissos do setor privado, deverá colocar a comitiva em um ambiente turbulento, com ânimos ainda mais exaltados, além de abrir a possibilidade para uma tréplica, uma nova retaliação do governo norte-americano”, finaliza.
O posicionamento do Cecafé é assinado por Márcio Ferreira, presidente do Conselho Deliberativo; Marcos Matos, diretor-geral; e Eduardo Heron, diretor técnico.

Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Tarifa: enquanto Brasil espera, café do Vietnã e Indonésia pode ser isento
2
COP 30, em Belém, proíbe açaí e prevê pouca carne vermelha
3
A céu aberto: produtores de MT não têm onde guardar o milho
4
Fazendas e usinas de álcool estavam sob controle do crime organizado
5
Exportações de café caem em julho, mas receita é recorde apesar de tarifaço dos EUA
6
Rios brasileiros podem ser ‘Mississipis’ do agro, dizem especialistas

PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas

Economia
Brasil e China firmam acordo para exportação de sorgo
Atualmente, a China importa 7 milhões de toneladas do cereal por ano, sobretudo dos Estados Unidos.

Economia
Agroindústria tem o pior junho desde 2019, aponta FGV
Produção teve recuo de 0,7% entre janeiro e junho de 2025; analistas alertam para efeitos do tarifaço nos próximos meses

Economia
Raízen vende duas usinas em MS por R$ 1,54 bilhões
Negócio ocorre após a companhia registrar prejuízo no primeiro trimestre da safra 2025/26; conclusão da transação depende do Cade

Economia
Governo autoriza inclusão de 3 hidrovias em programa de desestatização
Rotas de escoamento agrícola, a proposta é que as hidrovias do rio Madeira, Tocantins e Tapajós passem ser geridas pela iniciativa privada
Economia
Safra 2025/26 do Paraná projeta alta em soja e milho
Estimativas do Deral indicam colheita de 22 milhões de toneladas de soja e 3,2 milhões de milho; Feijão perde espaço no campo paraense
Economia
CMN regulamenta prestação de informações do Proagro
Agentes financeiros deverão seguir formulário e prazo definidos pelo Banco Central em disputas judiciais
Economia
RS: colheita de trigo tem ritmo lento
Segundo Emater/RS, lantio do milho foi afetado por volumes altos de chuva
Economia
Camex mantém tarifa de 10,8% sobre borracha natural importada de fora do Mercosul
Revisada a cada dois anos, a alíquota visa proteger o setor que enfrentou preços baixos com a entrada do produto importado