Economia
Distribuição de ensacadoras e sêmen bovino aumenta produção de leite no ES
A produção de leite no Espírito Santo aumentou 5,74% em um ano, segundo o IBGE
Paloma Custódio | Brasília
31/01/2025 - 10:29

A pecuária leiteira do Espírito Santo apresentou resultados positivos após o lançamento do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cadeia do Leite. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de leite no estado aumentou 5,74%, passando de 345,2 milhões de litros em 2022 para 365,1 milhões de litros em 2023.
Em entrevista ao Agro Estadão, o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, disse que o setor espera crescer o mesmo percentual em 2024, o que representa um volume de até 50 milhões de litros a mais este ano. Segundo o IBGE, até o terceiro trimestre de 2024, a quantidade de leite cru adquirido e industrializado no Espírito Santo foi de 361,1 milhões de litros.
O programa da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) tem o objetivo de elevar a produtividade das propriedades rurais capixabas e alcançar a autossuficiência na produção de leite. Para isso, a pasta já distribuiu 40 ensacadoras de forragem em 30 municípios do estado, contemplando cerca de 3.560 pecuaristas.
A estratégia tem o objetivo de garantir a alimentação dos animais, principalmente durante o período de seca, quando a disponibilidade de pastagem é menor. Os equipamentos permitem a produção de feno de alta qualidade, que pode ser armazenado por mais tempo, garantindo um suprimento contínuo de alimento para o gado.
O secretário Enio Bergoli antecipou que o governo estadual já comprou mais 70 ensacadoras, por meio de licitação, para atingir um número maior de produtores. “Esperamos entregar essas ensacadoras agora no início de janeiro para mais municípios, ampliar em algumas regiões, sempre trabalhando nessa vertente de conjugar uma assistência técnica padronizada, qualificada e tecnificada”, afirma.
Capacidade de ensacar até 720 sacos de por dia
Thiago Cunha, presidente da Associação de Produtores Rurais do Córrego da Laje, na cidade de Mucurici, no Extremo Norte do estado, disse à reportagem que alguns produtores conseguiram ensacar até 720 sacos de forragem por dia com os novos equipamentos. “A nossa produção aumentou significativamente, porque temos como fazer um planejamento alimentar utilizando essas ferramentas. E a projeção é aumentar mais ainda a cada ano”, estima.
Os mais de 100 cooperados da Nater Coop também foram contemplados com as ensacadoras e outras ações do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cadeia do Leite. Segundo a gerente de assistência técnica da cooperativa, Juliana Piassi, o mecanismo facilitou o manejo volumoso da forragem no momento do trato dos animais.
“Com um alimento armazenado de maneira que consegue-se manter a qualidade, haverá manutenção na produção leiteira nos períodos de seca. Com isso a receita do cooperado não sofre tantas oscilações durante o ano, garantindo maior qualidade de vida para a família”, ressaltou Juliana Piassi ao Agro Estadão.
Além da distribuição das ensacadoras, o programa também oferece capacitações aos produtores e aos profissionais que prestam assistência técnica aos pecuaristas de leite. “Também passamos a fazer dias de campo integrado dentro desse processo de assistência técnica e extensão rural. Já realizamos, nesses dois anos, mais de 20 dias de campo envolvendo os produtores da região”, detalha o secretário Enio Bergoli.
Melhoria genética
Outra iniciativa da Seag para aumentar a produtividade leiteira no Espírito Santo é a distribuição de sêmen bovino para melhorar a genética do rebanho. Em três etapas, foram doadas mais de 10 mil doses de sêmen para os pecuaristas do estado. A primeira etapa, com cerca de 2.500 doses, já apresentou resultados positivos, com o nascimento das primeiras bezerras. A ação ainda não deu resultados em volume de leite, já que os animais ainda não atingiram a fase reprodutiva.
“Leva cerca de três anos e meio para que as bezerras se desenvolvam, entrem em lactação e comecem a produzir leite. No entanto, os resultados a longo prazo são extremamente positivos, com aumento da produção e da qualidade do leite”, disse o coordenador de Produção Animal da Seag, Filipe Barbosa Martins, à reportagem.
Os produtores da Associação do Córrego da Laje foram contemplados com doses de sêmen bovino. “Temos bezerras; nasceram alguns machos, mas a qualidade também do sêmen é muito boa. Tivemos bons resultados”, avalia Thiago Cunha.
O secretário Enio Bergoli ressalta que a ação retoma o que já foi feito entre 2009 e 2014 no Espírito Santo. Nesse período, foram implantados cerca de 400 núcleos de inseminação artificial coletiva para comunidades de pequenos produtores. O projeto foi descontinuado após a crise decorrente das secas que o estado enfrentou.
O pecuarista Nivaldo Bening, da cidade de Vila Pavão, no Noroeste do estado, possui seis vacas matrizes dessa fase dos núcleos de inseminação. Ao Agro Estadão, ele contou sobre os resultados que ainda observa na produção após uma década. “Nós temos uma propriedade bem pequena de 7,2 hectares. E hoje, por meio do melhoramento genético que viemos fazendo ao longo dos anos, com 18 vacas, produzimos em média de 300 a 350 litros de leite por dia, em duas ordenhas”, detalha.
Nivaldo está participando novamente do projeto de melhoria genética do rebanho, por meio do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cadeia do Leite. Dessa iniciativa, já nasceram dez bezerras que estão com dez meses de idade. “A expectativa é que, por meio do melhoramento genético, consigamos fazer com que dez vacas produzam a mesma média que temos hoje com 18”, estima.
Os pecuaristas interessados em participar do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cadeia do Leite, de forma individualizada ou por meio de cooperativas e associações, devem procurar os escritórios do Incaper, instituto de assistência técnica vinculado à Seag.
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