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Economia

China desacelera e Filipinas sustentam exportações de carne suína

Inversão de mercado ocorre devido à recuperação do plantel de suínos chinês, após quase ser dizimado pela Peste Suína Africana

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

09/09/2025 - 07:00

Embarques de carne suína ao mercado filipense cresceram 101,84%, enquanto que para a China recuaram 37,99%. | Foto: Adobe Stock
Embarques de carne suína ao mercado filipense cresceram 101,84%, enquanto que para a China recuaram 37,99%. | Foto: Adobe Stock

Para a suinocultura brasileira, as Filipinas vêm se consolidando como a nova China. A comparação não se deve ao tamanho da população, visto que o arquipélago soma cerca de 116 milhões de habitantes, contra 1,4 bilhão de chineses — número, aproximadamente, 12 vezes maior, segundo a Organização das Nações Unidas. A relação, contudo, é feita pelo papel estratégico que os filipenses têm assumido como destino da carne suína do Brasil. 

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mostram que no último ano, os embarques do produto ao mercado filipense cresceram 101,84%, enquanto que para a China recuaram 37,99%. O mesmo movimento foi observado nos primeiros oito meses deste ano, com as exportações às Filipinas crescendo 62,4%, ante a queda de 27,8% para Pequim.

CONTEÚDO PATROCINADO

Essa inversão de mercado ocorre devido à recuperação do plantel de suínos chinês, após quase ser dizimado pela Peste Suína Africana. O primeiro caso da doença no maior país produtor de carne suína do mundo ocorreu em agosto de 2018. Nos anos seguintes, a produção chinesa recuou, enquanto as exportações foram elevadas.

Oportunidade X risco

Observando as oportunidades da época, criadores brasileiros de suínos investiram em suas produções. Porém, com a recuperação gradual do plantel chinês, em um ritmo mais acelerado do que o esperado, a demanda externa caiu, provocando excesso de oferta no mercado interno. Com isso, em meados de 2022, o setor no Brasil viveu uma crise. 

Hoje, entretanto, o cenário se mostra mais promissor. “As Filipinas vêm impulsionando bastante o setor. Temos plantas aprovadas, e essa situação vem acompanhada de aumento na oferta e demanda por parte deles, o que tem ajudado bastante”, disse Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos. “É um país com população elevada, não chega a ser a China, mas representa uma situação bastante favorável para nós”, acrescentou. 

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Lopes destaca ainda que, além das Filipinas, a diversificação de mercado foi conquistada pelo setor. Segundo ele, problemas sanitários na Europa têm impulsionado os embarques do produto para lá, apesar de nenhum país do continente aparecer entre os principais destinos das exportações de carne suína do Brasil, em volume. Essa lista é composta majoritariamente por países da Ásia e Américas. “O Brasil tem se posicionado de uma forma bastante agressiva e competitiva para fazer essas exportações e abrir novos mercados mais exigentes a nível sanitário”, destacou. 

O Brasil ocupa, atualmente, a quarta posição no ranking mundial de produção e exportação de carne suína. 

Exportações em agosto

As exportações brasileiras de carne suína, considerando produtos in natura e processados, em agosto, totalizaram 121,4 mil toneladas, volume 2,8% maior que o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 118,1 mil toneladas. A receita registrada no período chegou a US$ 294,9 milhões, saldo 6,7% maior que em agosto de 2024.

As Filipinas seguem como principais destinos, com 33,4 mil toneladas registradas em agosto, saldo 19,5% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.  Em seguida estão o Chile, com 13,3 mil toneladas (+8,3%), China, com 10,3 mil toneladas (-36,3%) e Japão, com 8,5 mil toneladas (+5,4%). 

No acumulado do ano as remessas somaram 970,3 mil toneladas, saldo 11,5% maior que o total embarcado no período de janeiro a agosto do ano passado, informou a  Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nessa segunda-feira, 8. Em receita, a alta chega a 23,8%, com US$ 2,334 bilhões nos oito primeiros meses de 2025.

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