Economia
Carne bovina brasileira bate recorde de exportações para o mundo árabe
Vendas do produto para o bloco somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, quase 2% a mais em relação ao ano anterior
Redação Agro Estadão
15/01/2026 - 16:18

As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes encerraram 2025 em patamar histórico, confirmando o bom momento do setor na região. O faturamento das vendas alcançou US$ 1,79 bilhão, crescimento de 1,91% em relação a 2024, o que representa o segundo ano consecutivo de recorde em receitas com o bloco, formado por 22 nações – algumas do norte da África –, segundo levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
O desempenho foi sustentado tanto pela consolidação de mercados tradicionais quanto pela abertura e fortalecimento de novos destinos. Egito e Arábia Saudita mantiveram a liderança entre os compradores, com avanços expressivos. O mercado egípcio respondeu por US$ 375,35 milhões, alta de 24,53%, enquanto os sauditas importaram US$ 333,10 milhões, volume quase 30% superior ao do ano anterior.
Outro destaque veio da Argélia, que vem ampliando sua presença entre os principais parceiros comerciais do Brasil na região. Desde 2024, o país norte-africano intensificou as compras de carne bovina brasileira e, em 2025, elevou as aquisições em 40,56%, movimentando US$ 286,58 milhões.
Na avaliação da Câmara Árabe-Brasileira, o resultado reflete uma combinação de fatores. De um lado, houve maior atuação dos frigoríficos brasileiros no mercado externo; de outro, os países árabes adotaram uma estratégia de reforço de estoques de alimentos diante de incertezas no comércio internacional, agravadas pelo aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a diversos fornecedores, inclusive o Brasil.
Segundo o secretário-geral da entidade, Mohamad Mourad, a carne bovina brasileira se beneficiou especialmente desse cenário. ““Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto. O reforço dos estoques, no entanto, limitou o espaço para outros alimentos e produziu um recuo no total das exportações. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo. Tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial. Os árabes seguem extremamente relevantes para os exportadores”, destacou, em nota.
Retração no desempenho geral
Apesar do bom desempenho da carne bovina, o comércio total entre Brasil e países árabes registrou retração em 2025. As exportações brasileiras somaram US$ 21,34 bilhões, queda de 9,81% na comparação com 2024, ano em que as vendas haviam crescido 22% sobre 2023. O recuo é atribuído, principalmente, à desvalorização das commodities e aos impactos de um foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul no início do ano, que afetou os embarques de carne de frango.
Ainda assim, os volumes negociados permaneceram elevados. A pauta exportadora foi liderada por açúcar, com US$ 4,63 bilhões, seguido por frango (US$ 3,34 bilhões), milho (US$ 3,07 bilhões), minério de ferro (US$ 2,65 bilhões) e carne bovina. Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Argélia e Iraque figuraram como os principais destinos das exportações brasileiras.
O agronegócio respondeu por 72,5% de tudo o que o Brasil exportou para o bloco em 2025, mesmo com um recuo de 11,19% nas receitas, que totalizaram US$ 15,91 bilhões. Nesse contexto, chamou a atenção o crescimento das vendas de insumos voltados à produção de proteínas animais, área em que os países árabes vêm investindo para ampliar a produção local. As exportações de gado vivo para abate subiram 18,10%, alcançando US$ 695,09 milhões, enquanto as de milho destinado à alimentação animal avançaram quase 25%.
Mourad ressalta que, mesmo com políticas de incentivo à produção doméstica, a proteína brasileira continuou encontrando espaço relevante no mercado árabe. A Arábia Saudita, por exemplo, foi o maior comprador de frango do Brasil em 2025, com aumento de 15,14% nas aquisições, totalizando US$ 942,39 milhões. Já os Emirados Árabes Unidos mantiveram compras praticamente estáveis, com US$ 937,43 milhões, e crescimento nos volumes importados.
Para a entidade, os dados do último trimestre do ano indicam uma tendência positiva. As exportações para a região avançaram 8,2% em relação ao mesmo período de 2024, sinalizando retomada do ritmo comercial. A expectativa é de recuperação mais consistente em 2026, impulsionada pela normalização das trocas internacionais e pela preparação dos mercados para o Ramadã, que terá início em fevereiro.
“Em 2026, teremos Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que é um feriado flutuante, iniciando em 17 de fevereiro. A intensificação de embarques vista no fim de 2025 é um esforço de formação de estoques para a data festiva, mas também acreditamos que seja reflexo da normalização do comércio neste momento pós-tarifaço”, concluiu Mourad.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
4
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
China impõe cotas para importação de carne bovina e atinge o Brasil
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Governo da Indonésia cancela implementação obrigatória do B50 para 2026
Testes automotivos e estudos sobre o B50 seguem em curso no país, mas a adoção efetiva dependerá da dinâmica de preços
Economia
Exportadores de pescado precisarão de certificado para vender aos EUA
Nova regra obriga apresentação do documento COA em mais de 60 produtos e restringe pescados obtidos por emalhe
Economia
Vendas semanais de soja dos EUA superam previsões do mercado
Exportações da safra 2025/26 somam 2,06 milhões de toneladas, com forte demanda da China
Economia
RS lança programa de regularização de débitos para frigoríficos; saiba como aderir
Programa pode beneficiar 194 frigoríficos de abate bovina que somam quase R$ 1 bilhão em débitos de ICMS no Estado
Economia
MT autoriza usinas de etanol a usar créditos fiscais para investimentos
Decreto permite que usinas apliquem créditos fiscais na compra de máquinas e na modernização do parque industrial
Economia
Exportações de algodão do Brasil batem recorde em 2025
Embarques somaram 3,026 milhões de toneladas no ano, com recorde mensal em dezembro e forte participação de Mato Grosso
Economia
Embrapa: custos do frango de corte caem 2,81% em 2025 e do suíno sobem 4,39%
Preços de rações ajuda a explicar comportamento do mercado: a de suínos teve alta acumulada de 1,82% e a de frangos, queda de 8,92%
Economia
Uva brasileira deve ter competição “justa” com acordo Mercosul-UE
Região do Vale São Francisco, no Nordeste, deve ser beneficiada com envios ao mercado europeu